A Faixa de Gaza é cenário de crimes de guerra

Roberto Barbosa

Não há guerra defensiva que justifique a matança de civis, a maior parte, crianças e velhos. Principalmente numa ação desproporcional ao poderio bélico rudimentar do inimigo. É o que se via no ataque de Israel contra a Faixa de Gaza, na Palestina, mas que a cobertura do The New York Times, CNN e BBC esconderam.

Os relatos distorcidos que chegam por meio da cobertura da imprensa estão motivando a manifestação de intelectuais em todo mundo contra a parcialidade do noticiário. Médicos e profissionais que estão em Gaza estão apavorados com o grande número de vítimas fatais nos ataques das forças israelenses. O número de mutilados chega às centenas. O próprio Estado de Israel admite que 1/3 das vítimas em Gaza são civis.

Num Tribunal Penal Internacional esse tipo de ação pode ser definido como crime de guerra. É improvável, no entanto, que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu algum dia venha  a sentar-se no banco dos réus como criminoso. Suas ações encontram respaldo junto aos países ocidentais.

O Oriente Médio é um caldeirão efervescente. As alterações no cenário geopolítico provocada pela Primavera Árabe são um complicador. O movimento promoveu a ascensão de grupos islâmicos simpáticos à causa palestina. O ambiente sofreu rupturas abruptas e sem violência, porque a força da Primavera Árabe foi impulsionada pelas multidões nas ruas da Tunísia, Egito e Líbia.

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JOGO PERIGOSO

Israel se vê acuado na atual conjuntura e tenta atrair seus aliados ocidentais para um jogo perigoso, que seria a eclosão de uma guerra. O alvo seria o Irã. Esta empreitada, no entanto, foi rechaçada pelo Ocidente, porque o Irã não é um inimigo que se deva instigar. O pior de tudo é que a Primavera foi saudada pelos EUA, maior aliado de Israel, como o prenúncio de uma onda democrática. Só que os falcões da Casa Branca não conseguiram preconizar que os novos tempos seriam tempestuosos.

Os números das pesquisas de opinião pública e o calendário eleitoral ditam os rumos da matança na Faixa de Gaza. As vésperas de iniciar uma eleição e correndo um sério risco de ser derrotado, o primeiro-ministro lançou mão de uma causa que tem apelo junto à opinião pública de seu país. Pesquisas destacam que 84% da população israelense são favoráveis aos ataques a Faixa de Gaza. Apenas 12% são contra. Netanyahu não pensou duas vezes ante de lançar as atrocidades contra os vizinhos palestinos.

O Hamas controla a Faixa de Gaza. O grupo foi eleito por meio do voto popular. Nasceu na clandestinidade, tem um braço armado, mas se constituiu também como força política democrática. Sua origem é a Irmandade Mulçumana, que agora controla o Egito.

É fato que Israel vive uma situação de constante conflito, porque a maior parte de seus vizinhos tem como ideologia a extinção do seu Estado. É fato também que a Palestina enfrenta uma ocupação de seu território e que sua população vive confinada em guetos, como sub-raça, numa imposição por parte de Israel. Não se alcança o diálogo para uma coexistência pacífica. Os dois lados se odeiam e se agridem. Só que Israel, até mesmo pela supremacia bélica, agride de forma muito mais letal. Neste cenário de guerra, as primeiras vítimas são a isenção e a realidade dos fatos.

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