A farsa da lista fechada

Carlos Chagas

De tempos em tempos a ameaça ressurge. Já foi apresentada três vezes no Congresso, não prosperou, mas de novo retorna feito lobisomem em noite de sua cheia. Fala-se da votação para deputado em lista fechada. O eleitor ficaria proibido de escolher o candidato de sua preferência, manifestando-se apenas pelo partido que melhor lhe agrade. Aos caciques, donos das legendas, caberia elaborar a lista de candidatos. É claro que se colocariam nos primeiros lugares. Nem precisariam fazer campanha.

Trata-se de uma velhacaria que só favorecerá os dirigentes partidários. Um breve contra a renovação, porque além de elaborar a lista fechada, os caciques também controlarão o Fundo Partidário e os recursos suplementares para as campanhas.

Nada mais lucrativo do que fundar um partido, ensina a malandragem. O fundador consegue uma permanente fonte de renda, tem a eleição garantida e afasta a incômoda tentativa de os mais novos ascenderem às funções de chefia.

E AGORA? – De tão gritante e canhestra, a lista fechada jamais se concretizou. Mais uma vez, os mesmos de sempre insistem na mudança, tudo indicando nova frustração. Quem sabe, agora, por meio de artifícios renovados, obterão sucesso?

De jeito nenhum a adoção desse casuísmo servirá para diminuir o numero de partidos. Pelo contrário, as siglas deverão multiplicar-se através de variados expedientes.

Em suma, nada de novo debaixo do sol. A menos que o eleitorado decida, por maioria, rejeitar mais essa tramoia. Que tal o cidadão comum recusar-se a declinar sua preferência partidária, anulando seu voto?

6 thoughts on “A farsa da lista fechada

  1. há várias eleições, à exceção no voto em Marina quando substituiu Campos (no que hoje não mais o faria), sigo a tecla 99999999999999999, confirma…

  2. E anular o voto vai levar no Brasil ao patamar de Pais de primeira, justo, enxuto, incorruptível, soberano, gigante da ordem e do progresso…

    ♪♫♪♫Oguntê, Marabô, Caiala e Sobá, Oloxum, Ynaê, Janaina e Yemanjá ♪♫♪♫ São rainhas do mar…♪♫♪♫

  3. No desespero, decide-se qualquer coisa e de qualquer jeito!
    É o que está acontecendo com nossos políticos hoje, pois estão com a corda no pescoço.
    Se por um lado, o voto em lista fechada poderia salvar alguns corruptos, por outro, poderia causar o colapso e o desaparecimento dos partidos com mais políticos sujos, por 2 motivos:
    1) os políticos mais honestos e os mais novos, sem muita expressão, mudariam de partido, para outros em que poderiam ter mais ou alguma chance. Fora que se tivessem prévias para escolha dos candidatos, os chamados “caciques” ou os corruptos poderiam não ser os mais votados;
    2) aqueles partidos cujos corruptos estivem no topo da lista, poderia não ter quantidade de votos suficientes e simplesmente não eleger ninguém, com grandes chances de sumirem de algumas casas legislativas. Pode acontecer e seria ótimo. Um único candidato colocaria em risco todos os demais. Pensem nisso!
    É possível que no passado tenham pensado nisso e rejeitado a proposta. Agora no desespero, vale tudo.
    Grande abraço.

  4. Admirado e sempre incisivo cronista: como tem velhaco neste torrão! A cada dia que passa eles se apresentam, com os seus imutáveis cinismo, ou melhor, propalam teses refinadas, como se fossem os donos da verdade. O resultado está aí: país totalmente sem rumo, amorfo.

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