A fome como maior desafio ético e espiritual da humanidade

Resultado de imagem para crianças famintasLeonardo Boff
O Tempo

Nada mais humanitário, social, político e espiritual que saciar a fome dos pobres. Um místico medieval da escola holandesa, John Ruysbroeck (1293-1381), bem disse: “Se estiveres em êxtase diante de Deus e um faminto bater a sua porta, deixa o Deus do êxtase e vai atender o faminto. O Deus que deixas no êxtase é menos seguro do que o Deus que encontras no faminto”.

Jesus encheu-se de compaixão e saciou com pão e peixe os famintos que o seguiam. No núcleo central de sua mensagem encontram-se o Pai Nosso e o Pão Nosso na oração do Senhor. Somente está na herança de Jesus quem mantém unido o Pai Nosso com o Pão Nosso. Só este poderá dizer “amém”.

DESIGUALDADE – Os níveis de pobreza mundial são estarrecedores. Segundo a Oxfam, que anualmente mede os níveis de desigualdade no mundo, somente oito pessoas possuem renda igual à que têm 3,6 bilhões de seres humanos, ou cerca da metade da humanidade. Tal fato é mais que a palavra fria “desigualdade”.

A pobreza é sistêmica, pois é fruto de uma sociedade que tem por objetivo acumular bens materiais sem qualquer consideração humanitária (justiça social) e ambiental (justiça ecológica). Ela pressupõe pessoas sem solidariedade, num contexto de alta desumanização e até de barbárie.

No Brasil, por mais que o país tenha saído do mapa da fome, existem ainda 20 milhões vivendo em extrema pobreza. Com seu programa Brasil Carinhoso, a ex-presidente Dilma Rousseff propunha-se a tirar essa multidão dessa situação desumana.

ECONOMIA SOLIDÁRIA – São múltiplas as interpretações que se dão à pobreza. A mim é esclarecedora a posição do Prêmio Nobel de Economia, o indiano Amartya Sen, que criou a economia solidária. Para ele, a pobreza não se mede pelo nível de ingressos nem pela participação dos bens e serviços naturais. Ser pobre é ver-se privado da capacidade de produzir a cesta básica ou de acessar a ela.

A Teologia da Libertação e a Igreja que lhe subjaz nasceram a partir de um acurado estudo da pobreza, que é lida como opressão. Seu oposto não é a riqueza, mas a justiça social e a libertação. A opção dos pobres contra a pobreza é a marca registrada dessa teologia.

HÁ TRÊS TIPOS – Distinguíamos três tipos de pobreza. A primeira é aquela dos que não têm acesso à cesta básica e aos serviços sanitários mínimos. A estratégia tradicional era fazer com que os que têm ajudem aqueles que não têm. Daí nasceu uma vasta rede de assistencialismo e paternalismo. Ajuda pontualmente os pobres, mas os mantém na dependência dos outros.

A segunda afirmava que o pobre possui inteligência e capacidade de profissionalizar-se. Com isso é inserido no mercado de trabalho e arranja sua vida. Essa estratégia é correta, mas politicamente não se dá conta do caráter conflitivo da relação social.

A terceira interpretação parte de que o pobre, quando conscientizado dos mecanismos que o fazem pobre, organiza-se e projeta um sonho novo de sociedade mais justa e igualitária; transforma-se numa força histórica, capaz de, junto com outros, dar um novo rumo à sociedade. Dessa perspectiva nasceram os principais movimentos sociais, sindicais e outros grupos conscientizados da sociedade e das igrejas. Desses, podem-se esperar transformações sociais.

IMAGEM DE DEUS – Por fim, para uma percepção da fé bíblica, o pobre sempre será a imagem desfigurada de Deus, a presença do pobre de Nazaré, crucificado que deve ser baixado da cruz.

E por fim, no entardecer da história universal, os pobres serão os juízes de todos porque, famintos, nus e aprisionados, não foram reconhecidos como a presença anônima do próprio Juiz Supremo, face ao qual, um dia, todos comparecerão.

4 thoughts on “A fome como maior desafio ético e espiritual da humanidade

  1. Boff é um sindicalista do espirito. Um analfabeto espiritual querendo influenciar as pobres almas perdidas.
    A igreja católica sempre existiu como uma forma de controlar as massas e deixa las mansas e pacificas, como o gado. Inclusive chamam os pobres de espirito que creem em suas tolices como rebanho.
    Aqui é o Paraíso, Purgatorio e Inferno ao mesmo tempo dependendo da sua evolução Espiritual.
    O que se sofre aqui é para que o Espirito, viva em forma de materia, tenha consciência, evolua.
    Pois quando a lição é aprendida, o sofrimento cessa. Ate uma nova lição se apresentar para ser vivida.
    O sofrimento, como uns veem, são ferramentas de desenvolvimento. Se duvidam deem tudo ao seu filho (a), nao exijam nada dele, e vocês verão o que lhe acontecerá !
    Como o proprio Boff gosta de trazer a atenção para a diferença de posse bens para a distinção entre os homens, façamos uma breve observação entre os filhos de pobres e ricos:
    Pegue uma criança de rua e uma criança filha de ricos, criados por babas e que sempre brincam em condomínios fechados. Os dois da mesma idade, a criança pobre terá muito mais experiencia de de vida, experiência emocional para resolver seus problemas, resiliência, perspicácia, etc.
    Por que a dificuldade faz crescer o ser humano !
    Só mais uma informação, hoje os que querem controlar as pessoas, usam a tática militar mais antiga, DIVIDIR PARA CONQUISTAR.
    Por isso tenta ênfase em dividir-nos !
    “Pobres e ricos sao diferentes e os ricos são inimigos”
    Movimento Negro, Movimento Gay, movimento dos sem teto, etc.
    Cada movimento foca na sua diferença do resto da sociedade, gerando cisão social.
    Isso vai contra os verdadeiros ensinamentos de quem Boff, disse ser discípulo, pois para Yeshua, so havia uma diferença entre os homens, os que tem O Bem no Coraçao e os com o Mal no Coraçao.
    Quem mente, quem gera conflito, por mais que suas palavras sejam bonitas, vejam seus atos e saberão o que levam dentro do Coraçao.
    Fe em Deus

  2. Meio contraditória a preocupação desse senhor com a fome e os desvalidos, quando se sabe tratar-se de um petista, partido cujas ações passam ao largo dessa preocupação.

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