A formação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado é uma afronta aos cidadãos, uma demonstração cabal da decadência da política brasileira.

Carlos Newton

Sintomáticamente, o único voto contrário à aprovação foi do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Como se sabe, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar é responsável por propor sanções (entre elas, a perda do mandato) aos senadores que praticarem atos contra a ética e o decoro parlamentar. O colegiado é composto por 15 titulares e 15 suplentes, com mandatos de dois anos.

Entre os 15 selecionados para zelar pela observância dos preceitos de ética e decoro parlamentar, oito são figuras polêmicas que respondem a processos ou inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Pontificam Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR),Valdir Raupp (PMDB-RO), Gim Argello (PTB-DF) e Edison Lobão Filho (PMDB-MA), apelidado no Maranhão de Edinho 30, durante o governo do pai. E ele foi o primeiro a defender Renan Calheiros, proclamando:

“Renan, no meu entendimento, tem capacidade técnica e moral para assumir qualquer cargo no Senado. Sofrer um julgamento em qualquer instância e ser inocentado, lhe permite qualquer coisa. E ele não só foi absolvido duas vezes pelo plenário, como também pelo povo do seu estado, que o reelegeu no ano passado”.

O senador João Alberto (PMDB-MA), do grupo de Sarney, deverá ser eleito presidente do Conselho pela terceira vez. Em todas as ocasiões que ocupou o cargo, ajudou a salvar companheiros de partido. Em 2001, por exemplo, apresentou um voto em separado contra a cassação do ex-senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), que acabou renunciando ao mandato temendo perder os direitos políticos. Aliás, se já tivesse recuperado o mandato, Barbalho seria integrante do Conselho, com toda certeza.

Por óbvio, o Conselho de Ética deveria ser uma seleção dos melhores e mais respeitados senadores. Ocorre exatamente o contrário, o que demonstra o menosprezo dos políticos pela opinião pública. Mas também, com um treinador como José Sarney, que seleção poderíamos esperar?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *