A formação do universo e do mundo, na visão do poeta Evanir Fonseca

Os dias da Criação relatados em Gênesis foram literais ou simbólicos?Paulo Peres     Poemas & Canções

O advogado, administrador de empresas e poeta carioca Evanir José Ribeiro da Fonseca (1955-2017), no poema “Criação do Mundo”, fundamenta na sua opinião como seria Gênesis.

CRIAÇÃO DO MUNDO
Evanir Fonseca

Deus, achando que o Universo não deveria ser só negro,
com um ponto branco iniciou sua transformação.
A seguir, incomodou-se com o vazio do branco
e criou o azul, líquido e profundo.
Mas, também, não se satisfez, achando-o monótono,
então colocou nele seres vivos que se movimentavam
e entre si brincavam ou se devoravam.

Cansado do azul e das brincadeiras dos seres existentes,
resolveu fazer cores diferentes e criou vários tons de marrom,
outros de verde e amarelo, ordenando que se misturassem
e também sólidos se transformassem.
Como tudo ficava junto no mesmo plano, olhou para cima
e resolveu criar o céu, pôs nele um véu translúcido,
como se não quisesse ocultar a sua arte,
criando um novo efeito, mais estático, fazendo quase tudo igual.

Para diferençar, ordenou que alguns dos seres já existentes
gerassem outros diferentes, que pudessem voar
ou andar sobre a terra que surgira.
Não estando ainda contente, criou o sol para as cores realçar!
Este reluziu o azul do mar refletindo-o no céu,
fez o verde à sua luz disputar como que quisesse alcançá-lo.
Desse esforço surgiram árvores, arbustos e gramíneas
que cresceram, cada uma a seu jeito, por toda parte.

Deus notou a reação que o calor do sol gerou, naturalmente,
formando nuvens, das águas evaporadas que subiam
e lá não poderiam ficar, sem fazer o mar secar.
Criou então as chuvas que caíam sobre a terra
e ao escorrerem pelos vales e montanhas viraram rios,
lagos e cachoeiras de águas límpidas com sabor diferente,
doce, fresca e revigorante, que às suas margens geravam novas vidas,
para que os seres na terra e no céu vivessem
e pudessem às suas margens se alimentar
e de suas águas abundantes beberem,
antes que, completado o ciclo, voltassem para o mar.

Os movimentos de rotação e translação, por ele inovados,
alteraram as marés e, com elas, as disposições das nuvens
que se deslocando determinavam onde iam ou não cair.
O mar ergueu-se em ondas que variavam de tamanho
e em correntezas deslocando-se para vários lados,
provocando, assim, a separação desenhada da terra em Continentes
e seus polos, não alcançados pelo calor do sol,
ficaram, como mundos diferentes, completamente congelados
porém com vida adequada ao clima, totalmente equilibrado,
num ciclo eterno criado por Deus e que deve ser respeitado.

Nunca satisfeito e crendo sempre em novas realizações
nosso “Onipotente” artista criou o homem,
a quem entregou a terra, dando-lhe o livre arbítrio,
sob a responsabilidade de por ela zelar.
Mas, antes disso, olhou para o exterior da esfera
que agora bela, não combinava com a grande imensidão negra
que se estendia além do sol. Aí, salpicando de branco o negro
recomeçou a criação no que chamaria de Universo.

Para quem daqui olhava, eram só pontos brancos que brilhavam
ao reflexo do sol, mas se deslocando de ponto em ponto
coloriu cada um, sem que o homem visse,
numa obra infindável de artes e cores
que só “Ele” faria sem se repetir, em nenhum detalhe ou beleza,
sendo, mais tarde, chamados pelo homem
os pontos “planetas” e astros, de estrelas,
a quem aprendeu a por elas se guiar, como um mapa da terra ocupada.

A rotação da terra provocou o desaparecimento do sol,
trazendo a noite com sua escuridão,
para dar solução a este fato novo e um ar mais romântico,
Deus fez um ponto um pouco mais próximo que os outros,
sem luz própria que, porém, era capaz de refletir a luzl,
mas sem calor para não competir com o sol
e nem ofuscar a beleza das estrelas distribuídas em constelações.
Deu a ela um toque especial, mudaria de formato vez em quando,
o que fez o homem apaixonar-se, estudando as suas mutações.

O homem, instintivamente resolveu ofertá-la à mulher
como se ele, homem, fosse capaz de alcançar tão distante ponto.
Sem poder do céu arrancá-la ou colher, como num jardim,
 o mais valioso dos astros sagrados, que chamou de Lua,
 pertencente ao Universo, como se fora uma simples flor,
e, sedutoramente, a entregaria à sua prometida,
viu ser criada a paixão e a triste frustração
com sabor de promessa, impossivelmente, descumprida.

Assim é o Universo, que acredito, Deus continua a pintar!

One thought on “A formação do universo e do mundo, na visão do poeta Evanir Fonseca

  1. Cada letra deste poema representa uma estrela do universo. Daqui a 10 anus-luz, quando eu concluir a leitura do texto, emitirei um comentário um comentário a respeito…..………….+∞

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *