A Frente Parlamentar do Crime e a eleição de 2018

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Charge do Mariano (Charge Online)

Percival Puggina

Enquanto transcorria a campanha eleitoral de 2014 eu apostava na possibilidade de um upgrade qualitativo no Congresso Nacional. A lei da ficha limpa, embora alcançando figuras menores, já afastava alguns do jogo político. A boa cobertura da mídia à operação Lava Jato e as denúncias das grandes revistas de circulação nacional sinalizavam o nível de comprometimento de vários personagens da cena política e de seus partidos. “O eleitor haverá de estar mais atento e seletivo ao digitar algo válido na urna eletrônica”, pensava eu. Mas não foi assim, como se constata à medida que as investigações da força-tarefa da Lava Jato e as delações a ela feitas mostram a extensão das facções criminosas que continuaram operando dentro do Congresso.

Embora aquela eleição tenha proporcionado renovação de 43% na Câmara dos Deputados, grande parte dos que buscaram conservar suas cadeiras foi bem sucedida. Em números absolutos: dos 513 deputados, 122 não se candidataram, 391 disputaram e 290 se reelegeram. Taxa de insucesso de apenas 25%. Certamente, entre os reeleitos, estão quase todos aqueles cujos fundos de campanha foram previamente abastecidos por meios escusos para enfrentar os custos envolvidos. Onde a política vira negócio, investir é parte dele.
EM NOME DO CRIME – Opera no Congresso Nacional uma numerosa bancada suprapartidária que poderia ser denominada Frente Parlamentar do Crime. É dela que procedem todas as tentativas de esvaziar a Lava Jato e de buscar anistias. É ela que costura as propostas para conter e constranger o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário. É ela que se opõe às medidas legislativas sugeridas para o combate à corrupção. E não hesito em afirmar que essa frente parlamentar é, também, mais numerosa que qualquer das bancadas da Casa.

Quem é da taba conhece a indiada, dizemos aqui no Rio Grande do Sul, de onde escrevo. Dentro do Congresso, talvez apenas alguns novatos não consigam elaborar uma lista quase completa com os nomes e as áreas de atuação desse “colegiado” cujos ramos se estendem pelos poderes de Estado.

CONSTRANGIMENTO – Conheço o constrangimento que os bons experimentam nesse convívio com o que deveria ser população carcerária. Com a sobrenatural proteção do foro privilegiado, essa turma já é conhecida, também, dos senhores ministros do STF. No entanto, seus crimes desfrutam de sepulcral silêncio, próprio dos processos que dormem nas prateleiras do Supremo Tribunal Federal. É para lá que vão todos a partir do momento que qualquer investigação ou delação envolva autoridade com prerrogativa de foro. Para muitos é, realmente, uma última jornada. “Requiescat in pace!”, como proclamam os sepultamentos em latim desejando paz aos mortos.

Levantamento da Folha de São Paulo, há poucos dias, relatava que um terço das ações penais contra congressistas com foro no STF fora arquivado por prescrição.

Será que toda a monumental tarefa da operação Lava Jato e tudo mais que venha a ser documentalmente comprovado pelas múltiplas delações da Odebrecht será inútil para expurgar da vida pública a Frente Parlamentar do Crime? Mais ainda, a impunidade e a prescrição continuarão a suscitar “vocações políticas” entre criminosos interessados em agasalhar-se com o privilégio de foro? Nossas instituições dormem sossegadas com a perspectiva de que tal situação perdure para a eleição de 2018 e mantenha a Frente Parlamentar do Crime operante até o bicentenário da Independência, em 2022?

21 thoughts on “A Frente Parlamentar do Crime e a eleição de 2018

  1. O TSE cassará a chapa Dilma-Temer ano que vem, nem precisará do julgamento do impeachment protocolado recentemente.

    Sem contar a delação da ODEBRECHT que implodirá todo o centro duro de poder do Planalto.

    O governo Temeroso de Temer, o breve, acabou !!!

    Já vai tarde !!!

    • ” Moralizaram ” !

      SUPERINTENDENTE DO BNDES É ALVO DE BLOQUEIO DE BENS
      Brasil 26.11.16 19:59

      A juíza Neusa Larsen determinou ontem o bloqueio de bens num total de R$ 1 bilhão, além da quebra de sigilo fiscal, de Sérgio Cabral, de seu ex-secretário da Fazenda Júlio Bueno e da companhia Michelin.

      Também foi alvo da medida Maurício Elias Chacur, que presidia a Agência de Fomento do Rio no governo Cabral. Ocorre que Chacur é hoje superintendente da Área de Gestão de Riscos do BNDES, nomeado por Maria Silvia.

  2. MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

    JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

    MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

    JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

    MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

    JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

  3. Além desse empresariado sonegar e dar o calote, querem viver eternamente na sombra do chapéu do Estado, no capitalismo sem risco. Os sonegadores e os caloteiros que paguem o Pato !
    —–

    Empresários começaram a pressionar o Congresso a mudar a MP do governo com regras para renegociar os contratos de concessões que enfrentam dificuldades financeiras, informa a Folha.

    Eles querem mais prazo para obras e pagamentos, alegando que as promessas feitas no início dos contratos foram descumpridas.

    “A expectativa do governo de que as novas regras vão destravar rapidamente investimentos em obras no valor de R$ 30 bilhões a R$ 45 bilhões dificilmente se concretizará no próximo ano.”

  4. “O PMDB quer mudar (O Antagonista)

    Brasil 26.11.16 16:53
    O PMDB quer mudar de nome, anunciou hoje Romero Jucá, presidente do partido. A ideia é voltar a ser MDB, como entre 1966 e 1979.

    A proposta será discutida em todos os Estados. Se aprovada, passaria a valer em fevereiro do ano que vem.

    “Queremos deixar de ser partido e ser um movimento”, justificou Jucá.”

  5. “Nem Temer (O Antagonista)

    Brasil 26.11.16 20:39
    Michel Temer assumiu a coordenação política do governo, enquanto escolhe com calma um ministro que não esteja metido em “nada de nada”. O problema é que nem Temer se encaixa no perfil.”

  6. Essa do Jucá, é coroação da hipocrisia, o P posto ao MDB, é de Puta (que elas me desculpem, por serem honestas em sua profissão).
    Nosso problema, encontrar um “Político” na acepção da palavra.
    Pergunta: no andar da carruagem, em 2018, se o voto nulo, em branco, do eleitor, que votou obrigado, e não livre, expressar a vontade do eleitor, for maior que 50% mais um, como ficamos????. as urnas são fraudáveis, o Toffoli, proibiu acesso a fiscalização da apuração em 2012, e declarou que Dª Dilma foi, eleita, que acabou cassada.
    Não contando com os que não foram as urnas, preferindo pagar a multa, e gozar um domingo de “sol”. Se esse desprezo se confirmar, como ficamos??? que as sumidades expliquem!.

  7. A Frente Parlamentar do Crime e a eleição de 2018….

    Sr. Puggina, nem precisamos esperar todo esse tempo de 2 anos para ver que o Crime continua leve solto e cheirosinho, mesmo com todo lamaçal que a Lava-Jato do Dr. Juiz expôe todos os dias neste Páis.
    Veja, sr. Puggina, agora mesmo o famoso Prefeito que não é politico, mas é filiado há mas de 30 anos ao Partido da Honorabilidade Francesa, também apelidade de PSDBoston, comete os mesmos erros dos políticos.
    Três de seus novos e velhos Secretários que vão compor as pastas tem problemas sérios com COrruPISSaum…….
    E os mesmos já faziam parte do Desgoverno da Podridão do atual Desgovernador da Capitania Hereditária de são Paulo…..
    O novo velho Secretário de Transportes ja tinha probleminhas com a Corrupção que Assola o Metrô Paulista.
    Mas mesmo assim, o Prefeito Caviar nomeou como Secretário para a mesma Pasta da Prefeitura…….
    Será que agora vão passar a Roubar ônibus….???

  8. PS.
    Sr. Puggina, segundo ás más línguas, o Prefeito Caviar, joão dória, se diz um LIBERAL., não é politico e sim um Administrador de Empresas.
    Mas adora mamar na tetas Públicas com a Lei Rouanet……
    Mas segundo o Prefeito, “Tudo foi feito (dinheiro) de acordo com as Leis vigentes do País”…….

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