“A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer”, cantava Dolores Duran, a rainha da fossa

Projeto Cultural Queridos para Sempre! Homenagem Além da Vida - Dolores  Duran

Ninguém cantava o amor como Dolores Duran

Paulo Peres
Poemas & C
anções


A cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa (1930-1959), conhecida como Dolores Duran, foi uma das maiores representantes do samba-canção, gênero musical onde prevaleciam a “fossa e a dor de cotovelo” nos anos 50, conforme a letra de “Castigo”, que expõe o arrependimento pela perda de um amor. O samba-canção “Castigo” foi gravado por Roberto Luna no LP “Luna Canta para Você”, lançado em 1958, pela RGE.


CASTIGO

Dolores Duran

A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer
Briga pensando que não vai sofrer
Que não faz mal se tudo terminar

Um belo dia a gente entende que ficou sozinha
Vem a vontade de chorar baixinho
Vem o desejo triste de voltar
Você se lembra, foi isso mesmo que se deu comigo
Eu tive orgulho e tenho por castigo
A vida inteira pra me arrepender

Se eu soubesse
Naquele dia o que sei agora
Eu não seria esse ser que chora
Eu não teria perdido você

Se eu soubesse
Naquele dia o que sei agora
Eu não seria essa mulher que chora
Eu não teria perdido você

13 thoughts on ““A gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer”, cantava Dolores Duran, a rainha da fossa

  1. Com o advento dos antidepressivos e a vulgarização do bicho mulher, a paixão por um “amor que se perdeu”, também perdeu espaço nos corações. Isto vale para ambos os sexos.
    Por terem-se malbaratado as conquistas amorosas, talvez nem cheguem a pôr um pé no coração, e faltará também melancólico, para pôr um pé na farmácia atrás de tarja preta. Tarja preta que nada: ela vem sendo substituída, rapidamente, por outra tarja, aquela do “Caitão Bancaro”!

    • “A morte esta carnívora assanhada/serpente má de lingua envenenada/que tudo que acha no caminho come…..Augusto dos Anjos. Terrivel a tal de morte. Vanusa vai deiixar saudades.

  2. Hoje nas páginas do Jornal do Commércio de Pernambuco, na seção da Voz do Leitor, um pernambucano reclamou que o mês de Outubro passou e ninguém homenageou Antonio Maria(falecido em 15/1-/1964) e Dolores Duran(falecida em 24/10/1959) e que era uma tristeza dois Gênios da Arte de Compositor e Jornalista e Cantora e Compositora, que viveram sempre em Harmonia pelas ruas, bares e shows da Noite Carioca, e ficassem e vivessem esquecidos, princialmente pelo povo pernambucano. Mas, vivemos na Era da Mediocridade, se nós falarmos em Dolores ou Antonio Maria vão nos perguntar se eles fazem parte dos “movimentos sociais de raça, sexo, e loucuras mil” e se dissermos que não, alguém vai querer “Cancelar esses Gênios” e os chamarem de homofóbicos fascistas, racistas e por aí vai. O Silêncio é o melhor remédio para esses tempos bicudos, mas, a Poesia e o canto de Dolores Duran e Antonio Maria jamais serão derrubados por essa “mediocridade pseudo intelectual” que nos apavora diante de tanta insensatez ! Nossa simples homenagem aos Poetas da Vida que se completaram na Boemia Carioca pra bem das Noites Brasileiras da Arte e da Poesia .

    Ninguém me Ama (Antonio Maria)

    Ninguém me Ama, ninguém me quer
    Ninguém me chama de meu Amor,
    A Vida passa, e eu sem ninguém,
    E quem me Abraça não me quer ……..

  3. Suas Mãos
    Antônio Maria

    As suas mãos, onde estão?
    Onde está o seu carinho?
    Onde está você?

    Se eu pudesse buscar
    Se eu soubesse aonde está
    Seu amor, você

    Um dia há de chegar
    Quando, ainda não sei
    Você vai procurar
    Onde eu estiver
    Sem amor, sem você

    • Rocco, nesta coluna divulgamos apenas poetas e compositores. Todavia, farei uma pesquisa na obra da saudosa Maysa Matarazzo para poder atendê-lo.

      Um abraço,
      Paulo Peres

  4. Bem lembrado, Rocco, são duas rainhas. Dolores Duran morreu antes de Maysa se famosa. Mas as música compostas por Dolores Duran estão mais vivas do que as de Maysa, não é mesmo? De toda forma, são duas rainhas.

    Abs.

    CN

  5. 1959 -com 9 anos estava na 3ª série primária e minha professora (loura e sua irmã morena) pediu no dever de aula um nome próprio e eu escrevi Dolores Duran, morta em acidente de avião entre Rio-São Paulo naquela semana. Lembro-me como se fosse hoje ela perante a sala exclamar; “Tadeu, logo Dolores Duran!”
    A poesia dessa composição em tela é tanto significativa como belíssima e a voz de Dolores, uma moldura que encanta e nos silencia em uma verdade que todos conhecemos a sua dor…

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