A grande ilusão do lulismo

Vladimir Safatle
Folha

Um dos passes de mágica preferidos do lulismo consistia em tentar fazer os mesmos atores políticos desempenharem o papel de governo e oposição. Talvez alguns aqui se lembrem do que aconteceu, por exemplo, na visita do ex-presidente George W. Bush ao Brasil. Enquanto Bush fazia um discurso no Palácio do Alvorada ao lado de Lula, afirmando estar feliz por encontrar seu mais importante aliado na América Latina, as ruas das capitais brasileiras eram ocupadas por manifestações contra a presença do presidente norte-americano no Brasil. Manifestações capitaneadas… pelo partido do presidente Lula.

Dessa forma, o lulismo tentava, ao mesmo tempo, fornecer a ação política e a forma de sua crítica, organizando o descontentamento a partir dos limites determinados pelos interesses governistas. O resultado era a paralisia da crítica no interior de um jogo que, invariavelmente, terminava com meras compensações simbólicas.

Agora, vemos o mesmo truque a caminho. Depois de fazer a população engolir um ministério que Dilma roubou da prancheta de projetos de seus adversários, vemos setores do seu partido subir à cena para conclamar a esquerda a “pressionar o governo”.

MOVIMENTOS SOCIAIS

Movimentos sociais combativos e setores da sociedade civil são chamados a “agir a partir das ruas” a fim de recriar a esquerda e influenciar o rumo de um governo capitaneado por Joaquim Levy, Kátia Abreu, Gilberto Kassab e outras pérolas do pensamento socialista brasileiro.

Será uma cena digna do Pai Ubu ver Kátia Abreu a escutar de forma compenetrada reivindicações do MST, ou Kassab fazer o mesmo com o MTST. Tais movimentos são os primeiros a não se deixarem enganar e saber o que tais pessoas representam.

Ou seja, para a pantomima final, não basta nos fazer engolir o argumento cínico do “cálculo desfavorável de correlação de forças”, como se ele fosse expressão de realismo político maduro. Faz-se necessário também paralisar toda e qualquer construção real de uma alternativa à esquerda através da organização das vozes dos descontentes no interior do coro dirigido por setores do próprio consórcio governista.

LIMITES PRÉVIOS

Ao lado da degradação política, há sempre a tentativa de controlar toda insurreição possível criando hegemonias sobre o menor movimento, fornecendo a eles os limites prévios de suas ações.

Será prova maior da miséria da política brasileira, em especial da esquerda nacional, mostrar a incapacidade de escapar das sístoles e diástoles do lulismo num momento em que seus resultados serão desastrosos.

Pois não se trata de mudar de polo, mas sair do pêndulo e procurar outro movimento.

(artigo enviado por Mário Assis)

 

 

16 thoughts on “A grande ilusão do lulismo

  1. Tudo que esse esquerdinha safattle está dizendo contra Lula hoje, e fala a verdade, o que ele chama de lulismo, apoiou incondicionalmente . Agora no PSOL ele é contra seu ex-líder. Pode?
    Esse safattle ( com minúsculas mesmo)…..

  2. Ex-querdas endinheirados(as), bolsistas, bolseiros(as) = como se diz em Portugal. Nada contra quem ganha dinheiro honestamente… mas a pó-lítica nacional me faz lembrar Jesus: “sois pó e ao pó haveis de voltar”, demora um pouco, mas passa…

  3. O comediante da ideologia, diretor do Grã Circus Petralais sempre foi assim. Foi a pedido do Lulla que O FHC marcou alguns encontros do reeducando José Dirceu com a Condoleezza Rice, para pedir que o Bush recebesse o Bebum. Ele de ‘forma nacionalista’ deve ter apreciado tanto esse encontro que deu os dados da Petrobras, para a Halliburton , do vice do Bush ” tomar conta” . Aliás, nessa ocasião o PT deve ter se tornado ‘Republicano” pois na matéria ” O Consultor” o Pedro Caroço só tece elogios a eles. Dentro desse jogo de se fazer de oposição sendo poder, os militontos pagos e/ou aspones, marcaram manifestações do MPL, que estão sendo um fiasco, ninguém cai mais no papo do pudim de pinga, basta ver que na campanha do Padilha ele fez um ‘comício’ com menos de 50 pessoas no páteo da Ford.

  4. Vladimir Safatle é daquele estirpe de professores (intelectuais) uspianos marxista-freudianos que não efetivaram o desejo ôntico de darem nervura ao PSOL. Daí edipianamente alimentam o ressentimento ao lulopetismo. É indício que a esquerda está anêmica, abúlica…. E ainda vejo comentárias simplórios aqui e acolá e vituperar, também num pânico narcísico, que o PT está a implantar uma ditadura no país macunaimico. Na realidade o desejo inconsciente é de uma ditadura de direita.

    • Os caras estão fazendo de tudo para implantar um ditadura bolivariana. Como você não é um “simplório” não preciso dizer como estão tentando fazer. Aí, como “a esquerda está anêmica, abúlica”, estão tentando “inconscientemente uma ditadura de direita”.
      “Simplório’ é esta sua lógica rasa e … deixa prá lá.

      • O queria seria uma “ditadura bolivariana”? Me explique sabichão Carlos 1º. Para teu juízo essa é mais umas das tantas expressões cunhadas pelas editorias da “grande” mídia para mobilizar mentes turvas como a tua.

        • “Carlos 1º”?
          Isso é ironia, sarcasmo ou apenas uma maneira de pensar? “Ó, o cara não gosta do pt e do noso deus, do nosso guru, só pode ser ‘dazelite branca do zóio azul'”.
          “Sabichão” , se não sabes o que é “ditadura bolivariana” e acha que a Venezuela “tem democracia até demais”, não vou perder meu tempo.

  5. Bah, mas estamos perdendo uma chance interessante de debatermos esquerda e direita, se continuam com o mesmo discurso ou se eles se esgotaram, e se podem se renovar ou morrerão pela falta de oxigênio filosófico?
    O Brasil é diferente dos demais na sua democracia e movimento político e econômico ou é igual às demais nações, que utilizam o mesmo processo capitalista e democrático?
    Alguém pode me dizer quais são as nossas tradições políticas ou somos uma colcha de retalhos neste particular, antes e depois da Proclamação da República?
    Podemos citar quem foi o líder do movimento de esquerda brasileiro depois da ditadura?
    E quem foi da direita, após o regime militar?
    E, o PT?
    É um misto requentado de ideologia arcaica ou uma massa sem os devidos ingredientes para crescer o bolo, e este embatumou?
    Neste fracasso histórico recente de governos de direita e de esquerda, podemos almejar algo novo ou continuaremos a debater as velhas idéias e impedir que as novas vicejam?
    E como seriam ideologicamente?
    Com bases em quem e em quê?!
    Ou, então, como fiz este comentário, em que só temos indagações e nenhuma certeza?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *