A herança pesada que Dilma deixou para Dilma

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

Aliviada após vencer por uma diferença de pouco mais de 3,45 milhões de votos em relação ao candidato do PSDB, Aécio Neves, a presidente Dilma Rousseff prometeu paz, amor e diálogo nos próximos quatro anos de mandato. A julgar pela pilha de problemas e obstáculos que terá pela frente, no entanto, a presidente reeleita precisará de paciência e sangue frio para conduzir o país. E, com base na postura centralizadora do primeiro período de governo, ela terá que mudar o estilo pessoal de governar para vencer as batalhas que a aguardam.

“Ela aprendeu com tudo o que passou. Quero dizer, é o que eu, o PT, os aliados, os economistas esperam que tenha acontecido. Senão, Dilma será engolida nestes quatro anos”, confidenciou um petista com bom trânsito nos corredores palacianos. “Dilma tem um personalidade muito forte. Acho difícil que ela consiga mudar tanto assim”, questionou o coordenador de Graduação e Pós-Graduação em Relações Internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer.

Os questionamentos se multiplicam. E começam pela própria relação que a presidente manterá com o PT e com o ex-presidente Lula. Padrinho e afilhada, criador e criatura que se aproximaram, se complementaram e se estranharam ao longo do primeiro mandato, e ambos conseguiram administrar as pressões do PT pelo ‘volta Lula’.

Petistas históricos ficaram amuados, mas a gerentona bateu o pé e garantiu o direito à reeleição. Agora tem de enfrentar a herança que deixou para ela mesma.

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