A história da vida de João do Vale no Maranhão, onde nasceu o Poeta do Povo

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor e cantor maranhense João Batista do Vale (1933-1996), o Poeta do Povo, representou o grito contido das massas contra todo o tipo de injustiça social. A letra de “Minha História” retrata o retirante nordestino que, na tentativa de superar o seu estado social de oprimido, sai em busca de uma vida melhor na cidade grande, onde a saudade, a alegria e a tristeza por seus colegas de infância são uma constante no seu cotidiano. O baião Minha História foi gravado por João do Vale no LP O Poeta do Povo, em 1965, pela Philips.


MINHA HISTÓRIA
João Cândido e João do Vale

Seu moço, quer saber, eu vou cantar num baião
Minha história pra o senhor, seu moço, preste atenção

Eu vendia pirulito, arroz doce, mungunzá
Enquanto eu ia vender doce, meus colegas iam estudar
A minha mãe, tão pobrezinha, não podia me educar
A minha mãe, tão pobrezinha, não podia me educar

E quando era de noitinha, a meninada ia brincar
Vixe, como eu tinha inveja, de ver o Zezinho contar:
– O professor raiou comigo, porque eu não quis estudar
– O professor raiou comigo, porque eu não quis estudar

Hoje todo são “doutô”, eu continuo joão ninguém
Mas quem nasce pra pataca, nunca pode ser vintém
Ver meus amigos “doutô”, basta pra me sentir bem
Ver meus amigos “doutô”, basta pra me sentir bem

Mas todos eles quando ouvem, um baiãozinho que eu fiz,
Ficam tudo satisfeito, batem palmas e pedem bis
E dizem: – João foi meu colega, como eu me sinto feliz
E dizem: – João foi meu colega, como eu me sinto feliz

Mas o negócio não é bem eu, é Mané, Pedro e Romão,
Que também foram meus colegas, e continuam no sertão
Não puderam estudar, e nem sabem fazer baião

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