A história do menino que nasceu no Fórum do Rio e não acredita mais na Justiça

O menino assistia julgamentos atrás da cortina vermelha

Jorge Béja

A Justiça decreta a prisão de Queiroz e sua mulher e manda ambos para o cárcere. Depois, a Justiça mantém a prisão de ambos, porém domiciliar. Em seguida, a Justiça manda os dois de volta para o cárcere. Logo após, a mesma Justiça mantém o casal preso no conforto da casa!!! Não, não é esse o Judiciário em que militei por 74 anos. Não é a Justiça que conheci e dela participei e a integrei por toda a minha vida.

Não é a Justiça à qual meus antepassados serviram, desde o humilde cargo de “fiel de cartório” (era quem costurava, com um agulhão e corda-barbante, os autos físicos de processo para anexar petição), até o mais alto, o de magistrado. Assim foi com meu pai, meus 3 irmãos, meus 3 tios, meus 8 primos e atualmente, uma sobrinha e outra sobrinha-neta…Toda a família, enfim. Gerações a serviço da Justiça. A Justiça de verdade.

VAI-E-VEM – Agora, nestes tempos de pandemias generalizadas, quando vejo o vai-e-vem do Caso Queiroz, quando vejo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, perder prazo para interpor recurso – e com justificativa absurda e inadmissível –,  renuncio à honrosa prerrogativa que o artigo 133 da CF e artigo 2º do Estatuto da Advocacia me outorgam, e a todos os demais advogados brasileiros, com a mesma redação, o de ser administrador da Justiça: “O advogado é indispensável à administração da Justiça”…

Sim, 74 anos. É a idade que tenho. Isto porque nasci no Fórum do Rio de Janeiro. Literalmente. E no Fórum me criei. No dia 23 de abril de 1946 minha mãe, que carregava no seu abençoado ventre uma  criança de 5 quilos, deu à luz nas escadas do prédio do então chamado Palácio da Justiça. O Rio era a capital federal. E o Palácio da Justiça ficava na Rua Dom Manoel nº 29.

Ciumenta, minha mãe, sozinha e com seu “barrigão”, saiu cedo de Bento Ribeiro, subúrbio do Rio. Pegou um trem. Desembarcou na Central do Brasil. Pegou um bonde e foi até o Palácio da Justiça para ter certeza de que seu marido estava lá. Tudo por ciúme. O marido era bonitão mesmo.

DEU À LUZ – Quando subiu os primeiros degraus do Fórum da Rua Dom Manoel, deu à luz um filho menino. O parto foi feito por funcionários. Dois juízes que chegavam ao prédio vieram para auxiliar: Amilcar Laurindo Ribas e Ivanio da Costa Carvalho Cauiby, e o advogado Romeiro Neto. Mãe e filho (ainda com o cordão umbilical preso), meu pai e servidores do Fórum, todos foram imediatamente levados para o Hospital do Servidores do Estado, na Rua Sacadura Cabral. E até hoje o HSE está lá, imponente como era antes.

E aos 7 de idade, o menino que nasceu no Fórum passou a ser levado ao plenário do Tribunal do Júri para sortear jurados. Naquela época a lei obrigava que o sorteio fosse feito por um menor de idade. Enfiava a mãozinha num caixa-redonda (urna) de madeira e cada cédula que tirava com o nome do jurado entregava ao juiz-presidente, até formar o Conselho de Sentença.

ASSISTIA AOS JULGAMENTOS –  Depois, o menino ficava entre as altas e bem cuidadas cortinas vermelhas para assistir aos julgamentos cujos jurados sorteou. “Saia daí, criança não pode ficar aqui”, disse um oficial de justiça para o menino. “Não saio”, o menino respondeu. O oficial foi se queixar ao juiz. E o menino ouviu o juiz-presidente do Tribunal do Júri responder: “Deixa o menino aí atrás, ele nasceu no Fórum e no Fórum vai crescer”.

E assim foi. O juiz acertou em cheio. Décadas depois, colocaram em exposição uma foto do menino e a certidão de nascimento, que estão lá até hoje. Mas era uma outra Justiça. Era austera. Era respeitada. Todos eram cultos e compromissados com a verdade, com a lei e com a justa distribuição da Justiça.

Ainda menino, e escondido entre os cortinões vermelhos que até hoje estão lá no salão do Tribunal do Juri do Palácio da Justiça da Rua Dom Manoel nº 29 (hoje museu), assisti aos julgamentos de Ronaldo e Cássio Murilo (caso Aída Cury), da Neide, que ficou conhecida como “fera da Penha”, condenada pela morte da menina Taninha, e muitos outros julgamentos famosos.

ERA UM RITUAL – Toda terça-feira, por volta das 13 horas, o juiz- presidente do Tribunal do Júri, trajando suas vestes talares pretas, atravessava todo o corredor do 1º andar até chegar à 11a. Vara Cível. E à entrada da vara, aquele homem alto e majestático falava assim, dirigindo-se a meu Pai: “Béja, onde está o menino? Trouxe ele hoje? Preciso dele”. E o menino ia de mãos dadas com o magistrado até o plenário do Tribunal para sortear jurados. Caminhando lado a lado, o menino era franzino, calça curta e quase invisível, tão pequeno era.

A esta Justiça, no seio da qual nasci e me criei, a quem servi, a quem ajudei a administrar – como está na CF e na lei – e nela militei, hoje, sete décadas depois dela me afasto para não continuar a sofrer tanta desilusão. É decepcionante. Cada dia uma surpresa, pouco ou nada coerente, justa e perfeita. Até a raça negra de um homem serviu para a magistrada agravar a pena daquele que a Justiça condenou. Não. Estou fora. Renuncio.

25 thoughts on “A história do menino que nasceu no Fórum do Rio e não acredita mais na Justiça

    • Nunca imaginei que o meu guru veio ao mundo dessa forma,nunca pensei que essa seria a história de Jorge Beja.
      Essa não é a justiça que vc merece atuar nos dias de hoje.Deus te deu a oportunidade de ser o advogado num período onde era FEITA A JUSTIÇA ,hoje a Raça é motivo de condenação,a impunidade determina que faça o que desejar a justiça vai ser leve ,um país que podemos roubar matar com proteção política fica impune,um país que não tem justiça um país que se vc roubar um kg de carne para alimentar a família é muito mais grave que roubar milhões dos cofres públicos ,isso é somente um pouquinho de casos que vemos na mídia imagina os que não vemos.
      Jorge Beja filho da justiça .

  1. Não desista Beja, pois quem precisou e ainda precisa de ti, é o honrado e enganado povo brasileiro.
    A verdadeira justiça nunca deixará de existir, pelo contrário, ela se fortalece ao lado desses gilmares, toffolis, alexandres, e tantos outros nomes que sabemos que estão aí para perder as almas.
    Portanto, tua atuação ao lado dos pequenos, a quem sempre tu defendeu sem cobrar, será sempre necessária e abençoada por nosso Deus.
    Estamos contigo até os momentos derradeiros, pois não serão, jamais, os luizes inacios e outros bandidos que nos derrotarao, muito menos os diabos invocados pelas dilmas e suas pombas giras.
    Deus está a nosso favor, e a guerra mal começou.
    Temos muito para mostrar a esses canalha que o Brasil é a Terra de Santa Cruz, e não a encruzilhada que eles se meteram.

  2. Dr, Béja.

    Antes de uma decisão definitiva, peço para refletir as palavras do Cristo no Sermão da Montanha, e comentada por Huberto Rodhen: BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA

    “Esta bem-aventurança, visa sobretudo os insatisfeitos consigo mesmos, os que sofrem o tormento do infinito, a nostalgia do Eterno, os que vivem ou agonizam numa estranha e inquietude metafisica, os que crêem mais no muito que ignoram do que no pouco que sabem”

    O Sermão da Montanha, interpretado pelo Prof. Huberto Rohdem, passou a ser meu livro de cabeceira;

    Com todo o meu respeito e admiraçao, um forte abraço

    • Dr, Béja! que história de vida mais linda! Homens como o senhor, nos dá esperança para continuar trilhando essa vida tão difícil, tão dura pra nós simples mortais. Pelo amor de Deus, imploro: jamais desista dessa lida

    • Reforço meu comentário sobre o desejo de Beja de desistir, e claro sei que ele não desistirá para o bem do Brasil.
      E lembro a todos que todos nós que estamos sempre dedicando nosso tempo aos assuntos públicos de interesse da nossa Pátria, ainda que opiniões discordantes, temos de reconhecer que igual a nós existem milhões de brasileirode caráter digno aos mais honrosos anseios de um país melhor.
      Portanto, devemos saber que Veja jamais desistirá, e entendemos que todos nós temos momentos de extravasamento das nossas indignações.
      O Brasil é dos brasileiros trabalhadores e compromissados com os destinos que Deus reservou à Terra de Santa Cruz, e não de aventureiros como bolsonaros, luizes inacios, dilmas, temers, fhcs, collors, e outros.
      Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil!

  3. Por favor, NÃO !!! Não desista de batalhar pela Justiça justa, pelos inocentes jogados no fundo de uma cela sem julgamento. Tenho 84 anos e quase com veneração, leio seus textos primorosos e peço :
    seja o maravilhoso exemplo para outros advogados.

  4. Que história surpreendente emocionante e linda Dr. Béja! Por isto o sangue de justiça na veia.
    Nascido e criado no Fórum literalmente!
    Mas fique tranquilo, fez a parte do senhor….eles responderão por tudo que fizerem e o senhor sabe disto.
    A justiça é Divina!
    Este é o meu conforto….e ela chega.
    Abraços
    Suely

  5. Caro Béja, obrigado por nos outorgar o conhecimento dessa maravilhosa história, a sua vida. Uma vida cheia de esperança e plena de dignidade.

    Estou com 79 anos e também conheci a Justiça quando aqui, Rio de Janeiro, era a capital de nosso sempre amado Brasil. Trabalhei em um escritório de advocacia e muito frequentei das dependências judiciais.

    Era, sim, uma sociedade com comportamento muito diferente de hoje. Eram raros os crimes de “colarinho branco”. Havia vergonha na cara

    Jamais esquecerei teu justo e perfeito texto analítico: ” Mas era uma outra Justiça. Era austera. Era respeitada. Todos eram cultos e compromissados com a verdade, com a lei e com a justa distribuição da Justiça.”

    Obrigado por me fazer lembrar os tempos que vivi quando jovem, quando os magistrados respeitavam as leis e eram respeitados pelo povo.

  6. O positivismo jurídico é uma distorção do Direito. Na verdade, é uma idealização que, na prática, não funciona, sendo capaz de gerar as maiores injustiças.
    No entanto, havia algo no positivismo jurídico que era muito melhor do que o que estão fazendo com o Direito, hoje em dia: pelo menos, tentava-se respeitar aquilo que estava escrito. No mínimo, buscava-se estabilizar o Direito, referenciando-se em algo.
    Hoje em dia, os juízes não respeitam mais nada, não têm mais parâmetro algum. Cada vez mais, suas decisões são resultado daquilo que decorre de suas próprias cabeças, de seu próprio senso idiossincrático de justiça.
    Se antes havia uma rigidez tacanha, que causava distorções na aplicação da lei na realidade, hoje as distorções são muito maiores, porque não são mais causadas pelo que está escrito à vista de todos, mas pelos universos insondáveis e variados que são as cabeças de cada magistrado deste país.
    Para falar a verdade, a lei escrita está se tornando, cada vez mais, uma mera referência, um parâmetro fosco e meramente indicativo da vontade do legislador. O que tem definido o que deve ou não deve ser feito é simplesmente o pensamento do juiz, com todos seus preconceitos, incongruências e ideologias.
    O positivismo jurídico era péssimo, mas, pelo menos, havia sobre o que debater. Agora, resta-nos apenas reclamar das injustiças, certos de que elas permanecerão, pois são frutos de inapeláveis decisões, oriundas de inexpugnáveis mentes de incorrigíveis julgadores.

  7. Junto-me ao autor nesse sentimento de repúdio. Mas a decepção não se limita á Jusiça. Voltando um pouco no tempo, um grande exemplo de deselegância, incompetência, idiotice e desrespeito foi dado pelo próprio presidente da República naquela infame reunião com seus ministros. Nem em puteiro de baixo nível se ouve o linguajar usado pelo presidente.
    Moro, em silêncio ouviu as ameaças a ele dirigidas (se o cara não sai, sai o ministro, porra!). Assim se expressava o Jair Messias. E entremeava a fala com vocábulos sonoros como bosta, estrume, etc. Foi um show – o show da vergonha.
    Moro, ministro da Justiça com promessa de se tornar juiz do STF, tomou a decisão que um homem íntegro tomaria: renunciou. Antes a renúncia á mancha de lacaio babão.
    No entanto, junto ao presidente, estavam generais de 2 ou 3 ou sei lá quantas estrelas. Não fizeram nada além de baixar a cabeça e se submeterem silenciosamente ao ridículo. O ministro da Economia, que foi buscar seu título de PhD em Chicago, quase se borra no esforço de procurar mostrar seu afeto ao mandante da vez e acalmá-lo.
    Não dá pra aguentar tanta imbecilidade e covardia. Mas a renúncia á luta deve ser evitada. Ela conforta mas não trás vitória. Nesses casos, vale recordar as palavras de Martin Luther King Jr em sua língua:
    “If you can’t fly then run, if you can’t run then walk, if you can’t walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.” *
    Congratulações pela integridade, uma raridade na nossa pária-amada.

    * Se você não pode voar, corra; se você não pode correr, ande; se você não pode andar, arraste-se, mas mova-se sempre para a frente.

  8. Que história!!
    Que fase vivemos!!
    Nunca desista , não é justo!!
    Bejá é o jurista que seria um exemplo no STF.Nos diga se o próprio STF consiga reverter a situação e devolver dedo itivamente o caso que é o mais importante do Brasil!!Se ele ficar travado corre o risco de 2022 continuarmos com essa esculhambação !!

  9. Caro Dr. Béja,
    Que linda história… digna de um livro, um filme… etc… lendo o seu texto, me senti dentro de um filme relatado e estrelado pelo excelente Ricardo Darín.

    Aplaudo de pé, e torcendo que esta ideia se torne realidade…
    Gostaria que o Sr. pudesse ver meus olhos marejados ao final de tão comovente história de vida.

    Deixo um enorme e carinhoso abraço.
    José Luis.

    • Uma história emocionante do Imponderável da vida humana, das relações de causa e efeito, que acompanha todos nós, nesse mistério insondável da vida. Jamais entenderemos a razão de tudo.
      Compartilho do sentimento de tristeza e em parte da desesperança demonstradas no arrazoado do advogado Jorge Beja. Entretanto, os bons juízes são maioria no Judiciário. Nem todos são racistas, por exemplo, nem decidem politicamente de acordo com os humores dos poderosos.
      A esperança, que nutro pelo papel dos juízes, se assenta nas críticas injustas das legiões medievais do ultimo girão do inferno, contra as ministras Carmem Lucia e Rosa Weber, e também quando agridem o decano Celso de Mello. Observo o acerto das decisões supremas, ao ler as ameaças ao Ministro Alexandre de Moraes. E quanto as críticas insensatas aos notáveis ministros Luiz Roberto Barroso e Edson Fackin.
      Quanto ao STJ, pontuo o ministro Felix Ficher , em nome daquela Corte emblemática de bons juízes.
      Más, faço um parêntese, para crer na justiça desse país tão sofrido, na saga da vida, que resultou na tragédia do mar de Paraty, lembrando do excepcional juíz Teori Zavask, um exemplo a ser seguido. A presidente Dilma Rousseff pode ter cometido muitos erros, como as pedaladas fiscais, mas tem o meu humilde perdão, pela melhor decisão do seu governo ao indicar para a Excelsa Corte Constitucional, esse brasileiro de notável saber jurídico e ilibada reputação.
      O povo brasileiro, há de repensar com mais carinho nas suas escolhas políticas, para não sofrer depois, com indicações para os Tribunais com base no compadrio e na amizade.
      As pedras estão aí, como dizia Drumond. É preciso caminhar sem bater nas pedras e ficar na beira da estrada.
      Minha eterna admiração pelo professor de todos nós: Jorge Beja

  10. Bom dia , leitores (as):

    Senhores Jorge Béja , Carlos Newton e Marcelo Copelli , não tem como entrar com uma ação judicial para investigar o ministro / juiz Gilmar Mendes do STF , sobre a acusação que o Ex-Ministro Joaquim Barbosa fez na presença de mais de quinze testemunhas , inclusive com todos os ministros/juizes da época dentro do próprio presentes ” SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ” de pagar jagunços e assassinos para matar seus opositores , e não seria o caso de alertar as autoridades Portuguesas e da Comunidade Europeia , uma vez que o ministro/juiz Gilmar Mendes esta transferindo parte do produto de seus crimes para Portugal , que é membro da união Europeia , isso público e notório .

  11. CARO DR. BEJA: COMO O SENHOR, ESTOU NO FIM DA MINHA EXISTÊNCIA. COMO O SENHOR, NÃO ACREDITO MAIS NOS QUE DIRIGEM ESTE PAÍS. DO JEITO QUE AS COISAS SE ENCAMINHAM, ESTAMOS INDO DIRETAMENTE PARA O INFERNO. LÁ, AS COISAS AINDA VÃO FICAR PIORES COM A CHEGADA DE bolsonaros, fhc’s, lulas, dilmas e UM MONTE de juízes corruptos. O SENHOR TEM RAZÃO. NÃO VALE MAIS A PENA !!!

  12. Não se deve desistir quando se tem armas para lutar.
    Desistir só reforça a ação dos malfeitores.
    Cobrar decência e coerência dos que não os tem a oferecer, é auxiliar a vitória dos maus.
    Melhor é utilizar todas as armas que dispomos, o conhecimento, principalmente, por mais que nos pareça em vão, para frearmos o avanço dos destruidores do que construimos com muito suor e esperança no futuro do país.

    Vade retro, desperatio!!

  13. Como gosto das histórias de Jorge Béja, mais uma de tantas maravilhosas que que já tive a oportunidade de ler ou ouvir do próprio. O sr. desistir é praticamente admitirmos que a justiça não tem mais salvação, portanto, quero desistir também desta justiça podre. Porém tem um justiça que é perfeita, a divina. Esta não falha nunca e nela podemos acreditar. O mal nunca vence o bem

  14. Encontro-me na casa do meu filho mais moço, onde amanhã o meu destino será decidido no hospital.
    Mas, a TI, é o meu vício, repito, então não posso deixar de ler seus artigos diariamente.

    Lendo as notícias últimas postadas, me deparei com esse artigo do excelso dr.Béja, um cidadão que admiro, respeito, e o tenho na minha mais alta conta.
    Tenho a pretensão de afirmar que somos amigos, e sinto muito orgulho por isso, além da honra que me ele me concede.

    O eminente articulista não precisa renunciar à sua nobre e importante função.
    Na razão direta que um médico existe para nos curar das doenças e evitar que sintamos as dores decorrentes, o advogado cura o maior sofrimento, que é a injustiça!

    Em qualquer patologia a dor é localizada; a dor da injustiça reflete em todo o organismo e na mente de cada um de nós.
    Trata-se da mais lancinante, cruel, pungente, invasiva e hedionda das dores.

    O responsável ou o quem tem poderes para nos aliviar dessa carga insuportável de emoções negativas é o advogado.
    Se ele não fez o Juramento de Hipócrates, ele tem o compromisso de buscar a Justiça, de sanar problemas mas, principalmente, de evitar o desespero e o sofrimento da injustiça, que dilacera a alma e o corpo!

    Béja é um dos mais notáveis profissionais que conheci, e que possui este país.
    Solidário, humano, um cidadão ímpar … é também reconhecido pela sua excepcional capacidade profissional, um advogado de renome nacional e internacional, que honra a nós todos pelo reconhecimento que possui no meio jurídico e social.

    A sua decisão apoia a injustiça, se renunciar à sua profissão que tanto a enobreceu, e segue dando de si para essa alta qualidade através de seus serviços prestados.
    Abandonar a advocacia depois de tanto tempo, cujo nascimento nas escadas do Fórum Deus havia mostrado para o guri recém-nascido qual seria a sua vida depois que crescesse, o nosso querido articulista erra, pois desobedece o Criador, e promove exatamente o combate da sua vida inteira, a injustiça.

    Se, atualmente, o nosso Poder Judiciário deixa a desejar, renunciar à função significará para essa “justiça”, hoje tão criticada e até mesmo incompreensível, uma adesão importantíssima para o seu comportamento contestável, pois duvidoso.

    Ora, Béja é um combatente; um dos mais aguerridos e corajosos.
    Não pode e não tem o direito de desertar porque a sua retaguarda não está lhe dando suporte suficiente.
    Deixar de ser o soldado da Justiça, a poderosa inimiga, a injustiça, terá o caminho mais facilitado para nos derrotar fragorosamente.

    Não, Beja precisa manter o posto, continuar sendo o nosso sentinela, lutar como vem fazendo há tantos anos!
    Não pode demonstrar fraqueza para um oponente esperto, experiente, matreiro.
    Béja sabe o lado fraco desse inimigo, que deixa seus flancos frágeis, pois só sabe atacar sorrateiramente, sem se preocupar que a Justiça pode lhe cercar e derrotar frente à frente!
    Mas quem tem essa vitória na sua estratégia e táticas é o Béja.
    Ele sabe como contornar mais esse ataque covarde, essa tentativa de a injustiça vencer a honestidade, o correto, o certo, mas deve permanecer na luta, no combate, nessa guerra.
    E precisa saber que não está sozinho!

    Béja sabe que pode contar conosco.
    Se não somos especialistas em leis como o nosso advogado, ele tem plena consciência da nossa voluntariedade para um Brasil menos injusto.
    Queremos lhe acompanhar nessa guerra, nesses confrontos, que têm sido constantes e rotineiros.
    A injustiça não pode nos alijar do nosso comandante, do nosso general, do nosso soldado no combate à injustiça, ainda mais aquela ocasionada por aqueles que teriam a obrigação juramentada de cumprir com as regras, as leis, as normas, os mandamentos constitucionais.

    Menos – e esse está sendo o grave problema atual -, que a Carta Magna esteja sendo substituída por decisões monocráticas, predominando a questão pessoal, que tem sido a influência negativa nessas sentenças ou concessões de Liminares.

    Se Béja nos abandonar nos deixará à própria sorte e, em consequência, devemos dar adeus à cidadania, ao Direito, à Justiça.
    Se perdermos, se formos derrotados pela injustiça, pela vontade de homens poderosos, porém injustos, o país perde o seu sentido; o povo será apenas um amontoado de gente sem rumo, sem ordem, sem limites.

    Que Brasil queremos?
    O deles ou o nosso?
    Da Justiça ou da injustiça?
    Da Constituição Federal ou de interesses e conveniências de alguns?

    Béja é o farol nesse mar que navegamos à noite, violento, ondas enormes, perto da costa.
    Ventos fortes e correntezas poderosas querem nos atirar de encontro às pedras.
    Béja sinaliza de longe às embarcações que devem seguir a sua orientação, a luz, que mostra o curso a ser tomado são e salvo.

    Apagar esse farol seria permitir – da mesma forma como está fazendo a injustiça – que navios se choquem contra os rochedos e afundem, levando consigo vidas humanas preciosas, e o mar deixe de ser usado como águas que levam progresso, pessoas, que as desembarcam em portos amigos e sólidos.

    Não quero e não aceito a renúncia de Béja!
    Não quero e não aceito perder um dos mais brilhantes soldados e comandantes que temos nesta Nação.
    Não quero e não aceito que a Justiça se veja fraca, impotente, incapaz de enfrentar a injustiça, a vontade alheia no lugar da Lei, a política sobrepujando o legítimo Judiciário.

    Béja não tem esse direito, esse poder de escolha.
    Béja é o médico da alma, dos sentimentos, da igualdade, o especialista para obtermos JUSTIÇA!

    A menos que mude a sua personalidade – também abandonando sua compaixão, solidariedade, consideração, respeito, bondade … até mesmo renunciando à sua religiosidade -, QUE NÃO ACREDITO, Béja precisa continuar sendo o guia da floresta, de modo que encontremos a saída, e deixemos da andar em círculos.

    A sua profissão é tão nobre e útil, fundamental e imperiosa, quanto a de um médico, ainda mais em tempos de pandemia.
    Se o nosso país está sofrendo de uma doença que está corroendo o coração de todos nós, em razão das injustiças que estamos assistindo, caso Béja nos abandonar a tragédia acontecerá irremediável e inexoravelmente.

    Não pode e não deve!

    Assim como eu me encontro onde, por um fio, quase que me entrego às doenças, se não fossem as correntes que estou sendo alvo de atenções e desejos de meus amigos, que rezam por mim e querem o meu bem, Béja está na mesma situação:
    Ele tem amigos, ele tem admiradores, ele tem quem o respeite, ele tem quem o ame como ser humano incomparável!

    Béja nasceu nas escadarias do Forum porque a Justiça deve ser escalada pouco a pouco, e se deve ter paciência, que não se pode arrefecer, que se deve perdurar, que se deve ser forte, que se deve ser invencível porque ao lado da Justiça!

    Quero a tua resposta, meu caro amigo, que será renunciar à renúncia!
    Quero a tua gana, determinação, dinamismo, os teus conhecimentos profissionais, a tua experiência de vida, de modo que a Justiça prepondere.

    Podemos perder uma batalha, mas jamais perderemos essa GUERRA que está instalada nos poderes constitucionais do Brasil, surpreendentemente.

    Conta conosco, assim como podemos contar contigo até nossos fins nesse planeta que Deus nos destinou!

    Um forte abraço.
    Saúde e paz.
    Cuide-se, caríssimo.

  15. As duas coisas que mais gostava de fazer na vida eram advocacia e política, mas ambas, infelizmente, foram invadidas, paulatinamente, por bárbaros, psicopatas e afin$, de modo que tenho pena dos bons que ainda restam nesses segmentos. Eu já pulei fora há três anos, depois de 40 anos de advocacia. Com a tal informatização a coisa degringolou de vez, o nível caiu muito, assustadoramente, tornou-se um horror, insuportável. E não vejo outra saída, senão mudarmos tudo no atacado, a política e o estado, e depois mudarmos o varejo. Daí a minha insistência com a RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso.

  16. ” Remindo o tempo por que os dias são maus …”

    Sempre me pergunto ao ler a história do meu Brasil : A onde o Sr. Ruy Barbosa estava com seus pensamentos, quando disse que a pior ditadura é a ditadura do judiciário.

    Creio que muitos já devem ter notado ao alcance de tão trágicas palavras em nossa sociedade. Seja a setenta anos atrás ou a sessenta ou a quarenta …o que vale é sabermos que nosso sistema judicial sempre foi uma lástima em todos os sentidos logicamente por ter “saído” do modelo de justiça romano a pior cousa que as nações de origem latina adotou. O resultado é o que estamos assistindo em nossos dias e que agora leva um “servo inútil” a RENUNCIAR a essa mesma justiça que ele “abraçou”.

    Prezado Sr. Béja , essa sua visão de justiça NUNCA existiu, nunca foi devidamente aplicada em nossa sociedade (vide a história e vide a dona justa sendo aplicada contra os negros libertos ) nesta maldita república que nos meteram só para citar uns dos milhões de erros desta maldita justiça que herdamos.

    Portanto meu caro e nobre Sr. só agora que o nobre se deu “conta” das mazelas ? Só agora o nobre se deu conta que essa maldita justiça que herdamos após nossa fundação ter sido feita e continuada de modo totalmente errado ?
    Agora que o nobre advogado notou que nosso “judiciário” é uma afronta ao pleno exercício da justiça (sem aspas) ? Após tantos anos de exercício da advocacia, “nascido” nos meandros de um dos “tribunais mais corruptos que se tem noticia” o TJERJ… O nobre se vê nessa encruzilhada moral ? MAS então já era para o nobre ter se decepcionado muito antes deste nossos dias , vide o que se tornou o TJERJ ? Quem viu e quem hoje o vê (falo no aspecto físico )..TEM o dever de notar que alguma cousa está de fato errado com a nossa justiça e isso pela lógica da DEDUÇÃO RACIONAL . Enquanto não temos escolas no nosso Estado (aspectos físicos) dignas para as nossas Crianças e nossos jovens , NOTEM os atuais PALÁCIOS que fazem parte do “sistema ” do TJERJ uma afronta uma aberração , uma tremenda falta de ética de como é nossa “justiça” em nosso Estado e nos demais Estados desta maldita República que herdamos .

    Vá Sr. Bejá , vá cuidar mais de si mesmo , vá viver a sua vida mais com seus familiares, pois essa maldita “republica” que hoje impera seus tentáculos em todos os rincões desta Nação …é
    um assunto de puro DESTINO dos ALTOS CÉUS , queiram aceitar ou não .

    Lembrem-se das Sagradas Palavras : ” Remindo o tempo pois os dias são maus …”

    Desejo a todos saúde e paz dos céus dos céus …

    YAH SEJA LOUVADO SEMPRE .

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