A hora das previses polticas para 2010

Carlos Chagas

Jornais, revistas, emissoras de rdio e televiso e at blogs vo abrir espao e tempo, esta semana, para os tradicionais videntes de todos os anos. S que desta vez os profissionais da arte de enganar os incautos com previses sobre o futuro tero concorrentes.

Os companheiros do PT, com o Lula frente, garantem que Dilma Rousseff chegar Semana Santa empatada com Jos Serra e, meses depois, estar eleita. Imaginam inexorvel a transferncia de popularidade do presidente para a candidata.

J os tucanos garantem que Acio Neves acabar cedendo aos apelos gerais e aceitar tornar-se companheiro de chapa do governador paulista, formando uma chapa imbatvel.

Os videntes sados do fundo da floresta apostam no crescimento e na vitria de Marina Silva, enquanto alguns empedernidos sustentam a iminncia de surpresas inusitadas, como a continuao do atual presidente no poder por mais um perodo, sabe-se l atravs de que artifcios.

Os polticos estaro concorrendo com os costumeiros Pai-Xang, Me-do-Mar e Tio-do-Caldeiro, um pouco mais comedidos, mas igualmente interessados em atrair a ateno do vencedor, que ignoram quem seja, para credenciar-se a novas exposies de misticismo quando outro fim de ano chegar. Mais ou menos como fazem os institutos de pesquisa.

Em matria de previses polticas, no entanto, bom ficarmos com Winston Churchill, que nas memrias da Segunda Guerra Mundial, escreveu: Capacidade poltica a capacidade de prever o que acontecer amanh, na prxima semana, no prximo ms e no prximo ano. E tambm a capacidade, depois, de explicar porque aquilo no aconteceu…

A caverna de Ali Bab

Transformada em caverna do Ali Bab, Braslia assistiu neste fim de semana ser assaltado at o seu restaurante famoso pela presena permanente de polticos.

Depois do escndalo do mensalo promovido pelo governo local e penduricalhos, a gente pensava que nada poderia acontecer denegrindo ainda mais a imagem de Braslia. Pois aconteceu.

Neste fim de semana, na calada da noite, foi assaltado o restaurante mais famoso da capital federal, o Piantella, h mais de vinte anos ponto de reunio de polticos, lobistas e altas figuras da Repblica.

Felizmente o estabelecimento j estava fechado. Ningum se feriu. Os ladres arrombaram uma porta, entraram e, estranhamente, no se preocuparam em abrir o cofre nem as caixas registradoras. Simplesmente sentaram-se na melhor mesa, comeram panetones aos montes, acompanhados de vinho da melhor qualidade e foram embora.

Maior desmoralizao no poderia haver para a categoria dos assaltantes, da as dvidas da polcia local diante da autoria do assalto: teriam sido os bandidos de sempre, aqueles j conhecidos das autoridades, ou, quem sabe, foram alguns dos freqentadores habituais do restaurante, frustrados por suas portas estarem fechadas? Afinal, panetone tornou-se a iguaria preferida da outra quadrilha, aquela que freqenta o Piantella durante o dia…

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