A Igreja que quer uma ruptura com o antigo estado de coisas

Leonardo Boff

Celebrando ainda a extraordinária encíclica sobre o cuidado da casa comum, voltamos a refletir uma perspectiva importante do papa Francisco: “uma Igreja em saída”. Essa formulação encerra uma velada crítica ao modelo anterior de Igreja, que era “sem saída” devido aos diversos escândalos de ordem moral e financeira, o que forçou o papa Bento XVI a renunciar, perdendo seu melhor capital: a moralidade e a credibilidade.

Mas o slogan “Igreja em saída” possui um significado mais profundo, tornado possível porque veio de um papa fora dos quadros institucionais da velha e cansada cristandade europeia. A “Igreja em saída” quer marcar uma ruptura com aquele estado de coisas. E então se coloca a pergunta: saída de onde e para onde?

1) Saída de uma Igreja-fortaleza, que protegia os fiéis contra as liberdades modernas, para uma Igreja-hospital de campanha, que atende à toda pessoa que a procura.

2) Saída de uma Igreja-instituição absolutista para uma Igreja-movimento, aberta ao diálogo universal.

3) Saída de uma Igreja-hierarquia para uma Igreja-povo de Deus, fazendo de todos irmãos e irmãs.

4) Saída de uma Igreja-autoridade eclesiástica, distanciada dos fiéis, para uma Igreja-pastor, que anda no meio do povo.

5) Saída de uma Igreja-papa que governa com o rígido direito canônico para uma Igreja-bispo de Roma, que preside na caridade e só a partir daí se faz papa da Igreja universal.

6) Saída de uma Igreja-mestra de doutrinas e normas para uma Igreja de práticas surpreendentes e do encontro afetuoso com as pessoas.

7) Saída de uma Igreja de pompa e circunstância para uma Igreja-pobre e para os pobres.

8) Saída da Igreja que fala dos pobres para uma Igreja que vai aos pobres.

9) Saída de uma Igreja equidistante dos sistemas políticos e econômicos para uma Igreja que toma partido em favor das vítimas e que chama pelo nome os produtores das injustiças.

10) Saída de uma Igreja automagnificadora e acrítica para uma Igreja da verdade sobre si mesma.

11) Saída de uma Igreja da ordem e do rigorismo para uma Igreja da revolução da ternura, da misericórdia e do cuidado.

12) Saída de uma Igreja de devotos para uma Igreja-compromisso com a justiça social e com a libertação dos oprimidos.

13) Saída de uma Igreja-obediência para uma Igreja-alegria.

14) Saída de uma Igreja sem o mundo para uma Igreja-mundo, sensível ao problema da ecologia.

UMA MISSÃO MAIOR

Essas e outras saídas mostram que a Igreja não se reduz apenas a uma missão religiosa, acantonada numa parte privada da realidade. Ela possui, além disso, uma missão político-social no sentido maior dessa palavra, como fonte de inspiração para as transformações necessárias que resgatem a humanidade para um tipo de civilização do amor e da compaixão, que seja menos individualista, materialista, cínica e destituída de solidariedade.

Essa “Igreja em saída” devolveu alegria e esperança aos cristãos e reconquistou o sentimento de ser um lar espiritual. Granjeou pela simplicidade, com despojamento, e acolhida no amor e na ternura, a estima de muitas pessoas de outras confissões ou de simples cidadãos do mundo e mesmo de chefes de Estado que admiram a figura e as práticas surpreendentes do papa Francisco.

Mais que doutrinas e dogmas, é a tradição de Jesus, feita de amor incondicional, de misericórdia e de compaixão que por ele se atualiza e revela sua inesgotável energia humanizadora.

6 thoughts on “A Igreja que quer uma ruptura com o antigo estado de coisas

  1. Sr. BOFF, parabéns pelo artigo, não sou católico, mais admiro o Papa Francisco, pelo resgate da Igreja Apostólica Romana da materialidade iniciada com o pacto de Niceia nos anos 300 com o Imperador Romano, desprezou JESUS, O CRISTO, tanto é verdade que “adotou Romana” para à espiritualização.
    A materialização dos ensinos e exemplos do Mestre, constante no EVANGELHO, do que “somos” de “nosso destino”, de onde viemos, porque estamos aqui” e para “onde vamos”, nos mostrando um “DEUS-PAI” de Justiça Misericordiosa, a nos recomendar à SINTESE: AMÁ-LO SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A SÍ MESMO, COMO PRIMEIRO MANDAMENTO, foram desprezados nesse Concilio de Niceia, MAS, EM SUA MISERICÓRDIA, NO CAMINHAR DA IGREJA, MANDOU ESPÍRITOS DA LUZ, PARA CHAMAR A IGREJA PARA JESUS, E O PRESENTE PAPA FRANCISCO, ESTÁ NO “BOM COMBATE” PARA QUE A LUZ ILUMINE OS CONDUTORES DE ALMAS/ESPÍRITOS, E EXEMPLIFIQUEM JESUS, COMO NOSSO IRMÃO MAIOR, QUE CONFORME ELE DECLAROU: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA, E NINGUÉM VAI AI PAI A NÃO SER POR MIM”, cujo roteiro está no “CÓDIGO DA VIDA, O EVANGELHO DE JESUS.
    Rogo à DEUS, para que proteja e ilumine o Papa Francisco, para dar cumprimento a sua MISSÃO de trazer a IGREJA ROMANA, PARA A IGREJA DE JESUS E DO PAI- NOSSO CORAÇÃO.
    Caro BOFF, Tenho sempre na mente e no coração em meu relacionamento com o próximo, a alertar minha conciência: “A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS” PAGARÁS ATÉ O ÚLTIMO CEITIL” E “MUiTO SERÁ PEDIDO A QUEM MUITO É DADO” , considero os alertas para vivermos fraternalmente, pois, a porta larga do túmulo se abrirá, para o julgamento da CONSCIÊNCIA – TRIBUNAL DIVINO, pois a “verdadeira vida” continua: da ALMA/ESPÍRITO PELA ETERNIDADE PARA UM DIA ALCANÇAR À LUZ DIVINA, COMO FILHOS PRÓDIGOS.
    QUE DEUS ABENÇOE À HUMANIDADE, DESGARRADA DO AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO.
    PS. Caros Srs. Newton e Boff, permitam, vou publicar seu artigo na integra no Jornal/Boletim de nossa Associação, citando a fonte.

  2. Caro Sr. Newton, escrevi um comentário, pelo ótimo artigo do Sr. BOFF, tentei enviar e não consegui, e pedia permissão ao Sr. e ao Sr. BOFF, a transcrição para nosso Jornal/Boletim de nossa Associação para conhecimento da Comunidade, citando o autor e fonte, como sempre faço.
    Estou gravando, para dar publicidade.

  3. Mais um artigo do Boff que não li.
    Não merece crédito quem defende o comunismo.
    A Igreja é uma sociedade privada, particular, entra quem quer, fica quem pode.
    E o Boff foi expulso.
    Vá para outro clube, que este não o quer mais.

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