A importância (relativa) do horário gratuito e dos debates entre candidatos

Carlos Newton

Como dizia Sidarta Gautama, o Buda, na vida tudo muda, nada é eterno, é a “impermanência” que caracteriza a vida de todos nós. Aqui no Brasil, do lado debaixo do Equador, caminhamos para a mais importante eleição presidencial desde a redemocratização em 1985. Quem vai às urnas é um povo sofrido, endividado e que anseia pela melhoria da qualidade de vida. E o mais interessante é que desta vez estamos diante de uma eleição sem favoritos, em que tudo pode acontecer, porque até agora quem está ganhando são os indecisos, seguidos pelos votos brancos e nulos de quem cansou desse tipo de política.

Todas as pesquisas já realizadas até agora indicam que a maioria absoluta (mais de 50%) dos eleitores ainda não escolheu em quem vai votar. Faltando menos de dois meses para a eleição, é uma situação inédita, que nunca antes, na história deste país…

OS NÃO VOTANTES – O fato concreto é que em toda eleição existe um grande número de não-votantes.  As abstenções são sempre por volta de 20%, incluindo mortos, doentes, idosos, viajantes e quem não teve disposição para votar.

Na eleição de 2014, a abstenção foi de 19,29%. Ou seja, 80,61% dos eleitores compareceram às urnas e os números de votos brancos (3,84%) e nulos (5,80) não surpreenderam, partindo-se do princípio de que no Brasil ainda há grande número de analfabetos funcionais, que se enrolam na urna eletrônica, não conseguem votar direito.

Desta vez, porém, o que existe é uma gritante insatisfação com a classe política. Mas os candidatos que podem ser considerados apolíticos, como é o caso de Henrique Meirelles (MDB), Vera Lúcia (PSTU), João Amoêdo (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Cabo Daciolo (Patriota) e João Goulart Filho (PPL), nenhum deles consegue atrair eleitores em número suficiente para realmente disputar o pleito. Ou seja, ainda não há espaço para o novo.

O QUE MUDOU? – Nesta campanha eleitoral, há quem pense que nada mudou e que o horário gratuito na TV será fundamental para que o eleitorado se decida. Quem pensa assim está redondamente enganado. Já se foi o tempo em que isso acontecia. Hoje, nas grandes cidades, até favelas, comunidades e bairros populares são servidos com TV por assinatura, com o chamado “gatonet”, em esquemas controlados por traficantes ou milicianos.

Além disso, outra faixa do eleitorado mais pobre nas cidades e no interior hoje assiste TV com conversor de HD, que lhes oferece, no horário eleitoral, grande número de canais alternativos.

E já está provado também que os chatíssimos debates eleitorais, sempre após 22 horas, são assistidos por população rarefeita, a grande maioria dos telespectadores não tem paciência nem disposição para participar.

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P.S. 1
–  Desta vez, a teoria budista da “Impermanência” está mais do que comprovada. Tudo mudou e a internet será mais importante do que a mídia convencional. O problema dos candidatos é que muitos deles não sabem como usar a web e as redes sociais. Ou seja, serão tragados pelo tsunami da modernidade. 

P.S. 2 –  A maior modernidade é o celular ligado na internet. Em breve iremos saber como esta ferramenta funcionou na eleição. (C.N.)

6 thoughts on “A importância (relativa) do horário gratuito e dos debates entre candidatos

    • MUITO BEM, GREGÓRIO
      A ANORMALIDADE ESTÁ ENGROSSANDO, A MALUQUICE antes privilégio de poucos, como Jânio, por exemplo AGORA VIRANDO UM APANÁGIO DE MUITOS

  1. Porque os debates não acontecem aos domingos de 18 00 as 2200 hs.Coloquem os jogos as 15:30. Transmissão em um pool televisivo e radiofonico. O que não é posivel são debates durnte a semana começando as 22hs e terminando a 1hora do dia seguinte. Que debate ruim desta quinta na band a cada eleição onivel piora .

  2. Prezado C. Newton :
    Ontem fui dar uma palestra para uma turma de alunos que se preparam para o vestibular. O tema nada tinha a ver com política – quer dizer, de forma partidária ou ainda, da maneira que comentamos aqui no blog e como normalmente o tema ” Política ” é tratado-. Falamos de política das profissões. Da política dos transportes, da saúde, da segurança, da tecnologia, da educação, do meio ambiente etc. É contagiante a participação da garotada. Parece, como sempre, que sabem a solução de todos os problemas nacionais. A maioria empolgadíssima porque vai votar pela primeira vez e, ao final, autorizei que o debate fosse extendido por um tempo maior para que pudessem se exprimir pelo assunto do momento: Eleições.
    Cada um a sua maneira expunha suas convicções, suas preferências, sua críticas como entusiasmo que só êles têm.
    Percebi que todos ou quase todos desconhecem como é considerado para a justiça eleitoral o “voto em branco ” o ” voto nulo ” e a “abstenção “.
    Percebi que opinam por informações de um parente mais velho, de um adulto de suas relações ou até mesmo de informações da imprensa. Todas as informações totalmente conflitantes. Por isto peço ao prezado moderador deste blog ou a algum outro comentarista que domine o assunto, que fizesse um texto didático e explicativo sobre o destino dos variados tipos de votos. São milhares de jovens ( com certeza milhões ) flutuando neste desconhecimento.
    Indiquei este blog onde todas as informações esclarecedoras a este respeito serão divulgadas. Êles estão aguardando.
    C.Newton, perdão pela ousadia

  3. Apresento meu veemente PROTESTO !
    Não há, e até agora não houve, nunca, horário gratuito em rádio e televisão.
    NÓS PAGAMOS !
    Há uma dedução do valor na declaração do I.R.P.J., das empresas,
    declaração esta que NÃO acredito seja isenta de ‘marteladas’ !

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