A impunidade dos menores assassinos e dos maiores ladrões

Roberto Nascimento

O clamor da sociedade diante do aumento da violência no país é uma ação que se impõe, principalmente no tocante aos assaltos diários, no qual os meliantes munidos de facas pontiagudas ferem a vítima mortalmente, mesmo que elas não ofereçam resistência.

No que se refere aos jovens menores de 18 anos, o caso do médico assassinado no Rio de Janeiro é o exemplo fático do estado de abandono e insegurança das praças, dos monumentos, dos parques estaduais e municipais. Estamos literalmente a mercê do imponderável, seja indo para o trabalho ou nos momentos de lazer. O povo vai lentamente sendo condenado a viver enclausurado nas suas casas fortalezas.

Agora, é motivo para punir a juventude encarcerando os jovens infratores nas cadeias fétidas e imundas, junto com professores do crime? Creio que não. Então, qual a alternativa para tirar das ruas os adolescentes infratores. Vamos lá:

1 – A sociedade e o Estado devem prover escolas tipo CIEP, em tempo integral, para que os jovens possam estudar, se alimentar, praticar esportes e aprender um ofício.

2 – Os pais precisam de punição, por omissão quanto às ações dos menores. Na casa do menino preso, por supostamente ter esfaqueado o médico, tinha dezenas de bicicletas, uma delas na casa de 30 mil reais. Isso significa associação para o crime. Ou será que os pais não desconfiavam de nada?

3 – A inteligência policial devia agir para impedir o comércio ilegal de vendas de peças de bicicletas. Há o roubo e o furto porque existe demanda de consumidores, que não querem arcar com os altos custos das peças das bicicletas, motorizadas ou não, algumas importadas.

4 – Não entendo e jamais entenderei a lógica das sociedades organizadas. Exigem punição exemplar contra os menores infratores. No entanto, o diapasão é infinitamente menor quando se trata da punição dos ladrões de colarinho branco, que furtam bilhões de dólares dos cofres públicos, justamente os recursos que faltam para a construção de creches, de escolas em tempo integral e de abrigo para crianças abandonadas. Eles praticam a rapina dos cofres públicos, logo passam a curtir a pena em prisão domiciliar, para depois usufruir do enriquecimento ilícito.

Há muitos mais ações para reduzir o atual quadro de violência, claro, mais deixo para os demais comentaristas enumerá-los. Para finalizar: é dever do Estado cuidar das crianças, se realmente queremos um país mais justo, rico e tecnologicamente competitivo diante das nações do globo.

 

8 thoughts on “A impunidade dos menores assassinos e dos maiores ladrões

  1. Prezado Roberto
    O estado deve oferecer as condições mas não educar. O estado é laico. Como educará alguém? Educação é papel da família. triste da sociedade que entrega seus filhos aos estado. A cada governo uma proposta diferente. veja o que está acontecendo no nosso caso.
    A sociedade precisa, urgentemente, se organizar e dizer o que deseja de futuro para seus filhos.
    Se deixar nas mãos do estado…

  2. Caro Jornalista,

    Na escola se adquire CONHECIMENTO.
    Em casa se adquire EDUCAÇÃO.

    Isso já era dito 600 anos antes de Cristo pelos mestres gregos.

    Tanto é verdade que existem ANALFABETOS educados e incapazes de pegar em coisa alheia e DOUTORES arrogantes e ladrões…

  3. Prezado Roberto Nascimento,
    Desnecessário eu repetir a minha admiração pelos teus textos e artigos, sempre conscientes, determinados, abordando temas atuais e importantes com a propriedade que te caracteriza.
    O teu artigo poderia se somar ao meu, um pouco atrás, pois abrange o mesmo tema.
    Assim como tiveste o nosso excelente comentarista Fallavena comentando sobre este assunto polêmico e grave, ele também se manifestou a respeito da minha posição, honrando-me com a sua opinião sempre correta e sensata.
    A minha resposta em agradecimento à sua participação, eu a transcrevo porque atende o teu pedido de que enumeremos mais soluções à questão da violência, hoje em patamares insuportáveis.
    Foi assim que a registrei:

    maio 29, 2015 12:28 am

    Caro Fallavena,
    Grato pelo texto lúcido e que nos obriga a refletir sobre a violência não apenas como consequência disto ou daquilo, mas como causa!
    Explico:
    As reações da sociedade exigindo a mesma violência contra os violentos é a derrota da civilidade, da moralidade, do ser humano como tal.
    A violência, então, tem como princípio a si mesma. O célebre ditado, violência gera violência, atinge o seu ápice e consagra o autor da frase.
    Não nos interessamos mais evitar que nossos filhos, parentes e amigos sejam levados pelos crimes, pois queremos cometê-los através de uma vingança igualmente injusta, da mesma forma impiedosa, na mesma medida que as vítimas foram desconsideradas pelos seus assassinos.
    Assim, queremos ser regidos pela lei do mais forte, pelo punho de ferro, desde que, por óbvio, tal rigor não atinja alguém que nos seja próximo!
    Respeitosamente, DUVIDO que algum comentarista radical, que defenda a pena de morte, que deseja penas duríssimas contra os criminosos, independente de suas idades, teria este mesmo pensamento e posição com relação a seu filho ou pai ou irmão ou, até mesmo, a sua mãe.
    Neste caso, certamente ele viria de joelhos pedir por clemência, compaixão, apelar para sentimentos humanos que ele nega para quem não pertence à sua intimidade.
    Pois, vou me estender na solução que acho ser a definitiva:
    Afora a educação, que abrangeria o comportamento dos pais com relação aos seus filhos e destes para com a sociedade e dela para os que a compõem, qualquer autoridade flagrada em crime, PENA DE MORTE!
    Não podemos esquecer que esta violência tem também como origem a impunidade.
    Temos assistido incrédulos a quantidade de crimes praticados pelo Executivo e Legislativo, que se repetem, que aumentam, que elaboram cada vez mais planos sofisticados de ilicitudes.
    E, lhes acontece o quê?!
    Nada, absolutamente nada.
    Ora, então por que exigir do povo, do miserável, do analfabeto, da vítima de circunstâncias que o condenaram à delinquência, mas, às autoridades tão ou mais criminosas que os bandidos, nós as deixamos em paz?!
    Duvido que um assassino em série transitaria intocado nas ruas de uma cidade sem ser agredido ou linchado.
    E com Zé Dirceu, um criminoso, um indivíduo nefasto?
    E com deputados corruptos?
    Senadores ladrões?
    Presidentes da República que traíram a Pátria e o povo, deixamo-los livres, sem qualquer punição?
    E dos “empresários” sonegadores de impostos, cujo dinheiro faz falta ao País, nada contra porque oferecem emprego?!
    Agora contra o ladrão que mata, o traficante, o assassino, o menor criminosos, a estes a nossa ira, mas, contra os poderosos que matam pela falta de verbas na Saúde e Segurança porque desviadas para os bolsos desses canalhas, ainda temos quem se reúne para patrocinar-lhes o pagamento de multas que a Justiça lhes aplicou pelos roubos cometidos?!
    Bah, mas estamos nos saindo pior que a encomenda!!
    Na verdade queremos ser cínicos e hipócritas, pois contra o desgraçado nossos sentimentos de justiça/vingança porém, contra os poderosos muito mais cruéis que os marginais, a nossa condescendência??!!
    Por favor, expliquem-me porque não mataram nenhum dos ladrões da Petrobrás?
    Por que nenhum parlamentar foi vítima de atentado pela sua conduta notória de envolvimento com a corrupção e roubo ao erário público?
    Não, queremos é matar quem um dia foi vítima como temos sido cotidianamente, e depois mudou o seu curso, mas os que permanentemente sempre se posicionaram contra a população e dela roubaram dinheiro, qualidade de vida, promessas não cumpridas … estes nós os reelegemos, aplaudimos.
    Afinal das contas, eles não precisam de armas, eles possuem a caneta, a autoridade, a decisão sobre nossas vidas, basta que cortem as verbas necessárias à educação, saúde e segurança, e aniquilam milhares a cada ano!
    Olha, meu caro, não aguento mais ouvir a mesma ladainha de sempre, pois não vai resolver a violência no Brasil, mesmo que implementemos a guilhotina, o garrote vil, o esfolamento vivo, a fogueira, forca, a roda, o esquartejamento, todas as modalidades de pena de morte existentes na época medieval, que não resultaram em nada, pois a humanidade seguiu continuando a sua saga de crimes os mais diversos e hediondos.
    É para resolver mesmo, sem brincadeiras de meros e imbecis justiceiros?
    Então comecemos:
    Collor, culpado m,pelo maior prejuízo e violência cometido contra o povo quando confiscou o dinheiro e poupança somente da população …. pena de morte;
    FHC, culpado por danos ao Brasil … pena de morte;
    Lula, culpado pela corrupção avassaladora … pena de morte;
    Parlamentares envolvidos em maracutaias … pena de morte;
    Funcionários públicos cúmplices em atos danosos ao País … pena de morte;
    Juízes venais … pena de morte;
    Assassinos … pena de morte;
    Latrocínios … pena de morte;
    Traficantes de armas e drogas … pena de morte;
    Motoristas que dirigiam bêbados e mataram em acidentes com seus carros … pena de morte;
    Policiais desonestos … pena de morte, e por aí vai …
    Agora, pena de morte para a população somente e demais criminosos soltos, impunes, e tenho de ainda chamá-los de Excelências, mas não mesmo!
    Um abraço, Fallavena.
    E, se não me enviares outro abraço como retribuição … pena de morte (brincadeira, claro).

    Roberto, da mesma forma, um forte abraço, sem qualquer ameaça.

  4. Fica difícil educar um filho ou neto quando as Vossas Excelências que deveriam ser os exemplos, são as que mais Roubam do Cidadão e ficam Livres Leves e Soltos.

  5. Estado não tem que educar ninguém, não é o estado que vai dizer oque e melhor para o filho de cada um.
    Alias foi o próprio Estado desde FHC que assinou acordos com organizações internacionais relacionadas a educação que tornou nossa educação nesse lixo, A escola hoje é ideológica, objetivo não é ensinar ou dar Educação Cognitiva, é de doutrinar futuros revolucionários.
    Existe uma seria de fatores para chegarmos no ponto que chegamos, e outra, quem comete crime deve ser punido independe de idade.

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  7. Roberto Nascimento, leio e gosto dos seus artigos. Quanto aos menores
    é necessário separar os menores que vivem em comunidades pobres, sem assistência
    dos governos, tornando-se alvo fácil da criminalidade, esse sim precisa de escola
    de tempo integral, mas o criminosos menores existentes que já estão com a mente tomada pelo crime não adianta CIEPS., jogar esse menores criminosos nessa cadeias fétidas e imundas com outros marginais perigosos é um crime ainda maior, conclui-se que o problema é do sistema carcerário,
    que não faz uma triagem, separando o joio do trigo e oferendo uma oportunidade educativa para esse
    menores. A escola pode não educar, mas ajuda, sou do tempo em que a escola pública ensinava boas maneiras, como se alimentar, escovar os dentes etc. Nossos filhos são mais filhos do mundo do que dos pais: o pai trabalhador chega em casa tarde cansado, na maioria das vezes encontra o filho dormindo, a mãe com os afazeres de casa não encontra tempo, junte-se ainda a pouca educação dos pais, um cego não pode guiar outro cego. O problema é complexo, existem os menores criminosos que merecem um tipo de tratamento e os menores que vivem principalmente nesse bolsões de pobreza outro tipo de tratamento.
    Só para argumentar: o filho de um eletricista amigo levou um tiro na barriga por um menor assaltante porque não tinha dinheiro. Isso aconteceu a duas semanas atrás próximo a delegacia da Cândido Benício.

  8. Quando muitos são contrários aos evangélicos (ensino bíblico ) notamos que em sua maioria é formada pelos pseudos intelectuais , não é nada difícil observar que a família destroçada brasileira com leis que tiram dos pais a correição de rumos na vida de uma criança é contraria aos conselhos bíblicos …….
    Cito em provérbios as passagens onde diz : ….Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. Provérbios 22:6
    ….A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que o envergonha é como podridão nos seus ossos. Provérbios 12:4
    ….Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá.
    Provérbios 23:13
    Toda criança precisa de algum adulto (família) para colocar limites, para preservar sua integridade, se nós pegarmos uma criança colocarmos tudo que é necessário para sua sobrevivência essa criança morrerá não tendo ajuda de adulto

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