A incógnita, a indefinição e até a indecisão, no que Lula diz que não aceita, o terceiro mandato

Durante algum tempo, o presidente Lula deixava incompleta a pergunta e a pregação sobre o terceiro mandato. Queria? Não queria? Aceitava? Precisava a interpretação, embora a “decodificação” aumentasse a dúvida. Ou pelo menos os objetivos eram transferidos para outro local.

Em dezembro de 2007 (portanto, já se passaram 18 meses), o doutor Montenegro do Ibope, encontrando com o repórter, afirmou sem nenhuma dúvida: “O presidente Lula não aceita o terceiro mandato”. Como não era entrevista e sim conversa, perguntei como sempre: “Posso publicar dito por você?”

Autorizado, saiu na Tribuna ainda impressa (e cada vez mais perto de voltar a ser). O questionamento era repudiado ou desautorizado por causa da autoria do pesquisador-mór do Ibope, conhecido e reconhecido especialista em Luiz Inácio Lula  da Silva.

Antes e depois dele ser empossado a primeira e a segunda vez na presidência. O que Montenegro questionava era o TERCEIRO MANDATO.

Montenegro era tão radical e veemente que dava a impressão não de uma pesquisa conclusiva, mas de uma afirmação elucidativa. E nesse caso, o único tratadista na matéria, que poderia ser explicativo, era o próprio Lula. Teria Montenegro ouvido (ou recebido?) a informação diretamente da única fonte indiscutível?

Jamais vou saber. Achei que esse esclarecimento seria sensacional e definitivo, mas não podia nem tinha o direito de perguntar. Apesar de nos mais de 75 anos de jornalismo, eu ter utilizado e exercido a informação e a opinião, esse era um terreno que só poderia ser percorrido com o consentimento do informante. Naturalmente, desde que autorizado por ele mesmo, sem qualquer participação do repórter.

Mas nos 18 meses decorridos, sempre que esse tema, TERCEIRO MANDATO, é discutido, lembro da conversa com o superintendente do Ibope. E como o presidente Lula não se define nem se desengana, fica a expectativa do que vai acontecer em matéria de sucessão.

A chave para a elucidação seguramente está no título destas notas. Mas como avaliar, ou melhor, decifrar, pois o próprio Lula trata a questão como uma charada?

Lula é tão empolgado com ele mesmo, com seu governo, com suas realizações (“fiz mais do que todos os presidentes juntos”), com suas afirmações, com sua arrogância, que acredito seguramente que não queira deixar o Poder. Mas ainda não se decidiu pela forma ou pela fórmula de ficar.

Quando afirma, “não quero o TERCEIRO MANDATO”, é possível que Lula esteja tentando se desvendar, se desnudar ou se definir para os companheiros. Seja do seu próprio partido, seja os da base, dos quais, hoje, Lula está mais dependente até do que do PT-PT. Só que este, desprezado e diminuído como está, pode criar problemas.

Lula tem vários caminhos para a permanência como tantos fizeram em tanto tempo. Podem chamar de TERCEIRO MANDATO. Mas pode vir pelo caminho do REFERENDO, da PRORROGAÇÃO geral, pode vir de qualquer fonte, até mesmo a Fontana di Trevi.

*   *   *

PS- Lula não tem candidato, não terá entre 30 de setembro (prazo da partidarização) e 31 de março (desincompatibilização) logicamente não terá ninguém defendendo o que julga, pensa ou acredita que fez durante tanto tempo.

PS2- Para que não digam ou insinuem que estou contra o presidente Lula, vou definir a conclusão da minha análise. O Presidente Lula não está com a OBSESSÃO de ficar no Poder. Ele está com a OBSESSÃO de não sair. A ordem dos fatores altera o produto?

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