A Índia é um inferno para as mulheres

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

A informação viaja logo, e o pesar é global. Quem não se comoveu com a tragédia da escola americana em que tantas crianças foram fuziladas por uma quase criança? O mesmo ocorre agora com a atrocidade cometida em Nova Deli, na Índia. Num ônibus em movimento, um grupo de homens estuprou selvagemente com uma barra de ferro uma estudante de medicina de 23 anos.

Os indianos exigem o fim da impunidade para estupradores Protestos emocionantes

Ela acabaria morrendo num hospital em Singapura, para onde fora levada porque os equipamentos eram melhores.

A indignação se iniciou na Índia, com manifestações de protesto contra o tratamento abjeto dispensado às mulheres. E depois a luta pela vida da jovem estuprada foi acompanhada com raiva e pesar em todo o mundo.

Soubemos todos, então, que a Índia é um horror para as mulheres. Meses atrás, um levantamento mostrou que a Índia é o pior lugar para uma mulher entre os países do chamado G20, um grupo que congrega as maiores economias. (O Brasil ficou numa posição intermediária.)

As indianas vivem um momento paradoxal: começam, com enorme atraso, a ter mais espaço numa sociedade patriarcal e ferozmente machista. Saem mais às ruas sozinhas, vestem roupas mais modernas – e consequentemente ficam mais expostas a homens primitivos.

Em 2011, foram registrados 24 mil estupros na Índia, um aumento de quase 10% em relação a 2010. O número real deve ser bem maior, porque muita gente não dá queixa para evitar novos problemas.

É aquela história que todos conhecemos. A reação mais frequente, sobretudo na polícia, é culpar a própria mulher. “Ela estava pedindo, vestida daquele jeito”.

Um repórter indiano se infiltrou entre policiais e filmou, com uma câmara escondida, conversas em que eles falavam de estupros como se fossem provocados pelas vítimas.

Li, num jornal local, um guru atribuir os problemas ao fast food, por exacerbar os hormônios masculinos. A solução, para o guru, era parar de comer fast food.

Mas o caso da estudante de medicina parece ter dado um choque em muita gente na Índia, sobretudo entre os jovens. Nos protestos, são demandadas punições severas para estupradores: castração, enforcamento, coisas assim.

É possível, melhor, é provável que o martírio da garota de Nova Deli não tenha sido em vão.

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