A indústria do petróleo e o fim do Jornalismo, como ideal

José Valadares de Campos

Há algum tempo, dentro do metrô de São Paulo, tive a confirmação – já vinha suspeitando disso há algum tempo – de que o jornalismo realmente havia acabado. Isto ocorreu quando, numa daquelas telinhas que existem dentro dos vagões, li a seguinte manchete: “BP assume responsabilidade e diz que vai ajudar na limpeza do golfo”.

A notícia se referia ao desastre de vazamento de petróleo que ocorrera na América do Norte naqueles dias – o maior acidente ecológico com petróleo de todos os tempos; tão grave que causou a morte de pelos menos 16 pessoas (não é comum a ocorrência de vítimas humanas nestes casos; normalmente morrem aves, peixes, plantas marinhas etc.).

Como tenho uma razoável capacidade de associação, desvendei na hora o enigma BP – British Petroleum -; a Shell, você deve conhecer. Eu já sabia há muito tempo que Shell = BP, mas vamos inserir provas disso, afinal, seres civilizados que acreditam na justiça não podem divulgar algo apenas baseados em indícios ou em denúncias anônimas…

Eis o que lemos na Wikipédia: “O grupo Royal Dutch Shell foi fundado em 1907, quando a companhia Real Neerlandesa de Petróleos (em neerlandês: N.V. Koninklijke Nederlandsche Petroleum Maatschappij) e a companhia Shell Transport and Trading Company Ltd fundiram suas operações a fim de competir mundialmente com a gigantesca empresa estadunidense Standard Oil. Antes da fusão, o grupo operava com uma série de acordos accionários e operatórios.

A Royal Dutch Petroleum Company era uma companhia neerlandesa fundada em 1890 por Jean Kessler, junto a Henri Deterding e Hugo Loudon, quando um estatuto real foi concedido pela rainha Guilhermina dos Países Baixos a uma pequena companhia de exploração petrolífera conhecida como Royal Dutch.

La Shell Transport and Trading Company era uma companhia britânica fundada em 1897 por Marcus Samuel e seu irmão Samuel Samuel. Em 1919, a Shell tomou controle da Mexican Eagle Petroleum Company e, em 1921, formou Shell-Mex Limited, que comerciava produtos com as marcas Shell e Eagle no Reino Unido.

Em 1931, parcialmente em resposta às difíceis condições econômicas daqueles tempos, Shell-Mex fundiu suas operações de mercado no Reino Unido com as da British Petroleum e criou a Shell-Mex and BP Ltd., uma companhia que funcionou até as marcas se separarem em 1975.”

Bem, para resumir, o que eu queria dizer é que quando temos o maior desastre ecológico provocado pela exploração de petróleo, do mundo, e a imprensa, local e a internacional, através das diversas mídias, não identifica corretamente o responsável, para o público (devem ter feito isto por causa dos belos olhos de algum diretor da empresa…), então podemos ter certeza de que, realmente, o jornalismo como um ideal, que é o que você tenta defender aqui, acabou.

Hoje – estou começando a imaginar que sempre foi assim –, empresas do ramo de notícias vendem seus produtos da mesma forma que comerciantes vendem tripas nas feiras: ao gritos e atendendo a quem pagar mais. E neste caso, certamente, não foi o público.

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