A inflação já dá sinais de que pode romper os 6% este ano.

Wagner Pires

Espera-se um reajuste de, pelo menos, 15% nos combustíveis, mantidos sem aumento pelo governo na tentativa se segurar a inflação em 2012. Não dá mais para sustentar tal política; a uma, porque compromete a sustentabilidade da Petrobrás; a outra, porque o governo já percebeu que mantidos os esforços para conter a inflação, um dos tripés da política de estabilização econômica, o país se estagnará ou terá de se contentar com sucessivos “pibinhos”.

Afrouxadas as rédeas do tripé – câmbio, inflação e superávit primário – teria o governo maior margem de atuação para promover o desenvolvimento econômico do Brasil, num ano em que se indica a priorização da política de investimentos em infraestrutura e logística.

Espera-se, enfim, despertar o “espírito animal” dos nossos empresários com a construção de dez mil quilômetros de ferrovias, construção e duplicação de mais de sete mil quilômetros de rodovias, reestruturação e construção de oitocentos aeroportos, reestruturação e dinamização de portos existentes.

Tudo isso para promover melhor integração nacional e diminuição dos custos com o transporte, armazenagem, e movimentação de mercadorias – que representam em torno de 30% dos gastos de industrialização e comercialização. É o esforço para derrubar o custo-Brasil e tornar o país mais competitivo.

INVESTIMENTOS

Os gastos com investimento (público e privado) injetarão quase um trilhão de reais na economia, promovendo a aceleração de circulação da moeda e empurrando a alta de preços.

Se o governo, dentro dessa nova política de desenvolvimento promover maior desvalorização cambial, deixando o dólar esbarrar, talvez, nos R$3,00 , irá fortalecer a indústria nacional defendendo-a, ainda mais, da concorrência externa, além de ampliar a margem de lucro na exportação das commodities; porém, também irá estimular a alta de preços pelo aumento do custo de nossas importações.

Nessa encruzilhada de 2013, a inflação será a maior dor de cabeça para o governo. Afrouxar o tripé de estabilização econômica é a única alternativa que resta diante da estagnação. O que a Dilma e sua equipe farão?

A inflação que já desponta e a sinalização do reajuste dos combustíveis parece responder a esta pergunta.

ALIMENTOS, EDUCAÇÃO E HABITAÇÃO

Marli Moreira (Agência Brasil)

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu de 0,77% para 0,89% na segunda prévia de janeiro. Quatro dos oito grupos pesquisados apresentaram acréscimos, entre eles despesas diversas (que passou de 2,20% para 3,24%) sob o efeito dos cigarros (de 5,09% para 7,22%).

No grupo alimentação, a taxa atingiu 1,78% ante 1,57%, com a elevação das hortaliças e legumes (que subiu de 5,35% para 11,20%). E, como sempre ocorre nesta época do ano, o grupo educação, leitura e recreação teve forte avanço, passando de 1,26% para 2,09% em consequência das correções de preços dos cursos formais (que passaram de 1,81% para 4,07%).

Em habitação, o índice aumentou de 0,26% para 0,32%, puxado pela alta no segmento de móveis (de -0,32% para 0,43%). Nos demais grupos, as elevações ocorreram com taxas menores do que na pesquisa anterior – vestuário (de 0,64% para 0,13%), com destaque para a queda na média de preços das roupas ( de 0,59% para -0,32%) e dos transportes (de 0,34% para 0,30%). Entre os motivos, está a tarifa de táxi (5,11% para 0,41%).

Em saúde e cuidados pessoais houve ligeiro decréscimo (de 0,58% para 0,56%), com influência dos serviços de salão de beleza (de 1,33% para 0,99%), e comunicação (de 0,04% para 0,02%), provocada pela estabilidade na cobrança da mensalidade para a TV por assinatura (de 0,09% para 0,00%).

Os cinco itens que mais contribuíram para o aumento da inflação foram: cigarros (de 5,09% para 7,22%); refeições em bares e restaurantes (de 1,10% para 0,80%); tomate (de 8,77% para 16,31%); curso de ensino fundamental (de 2,19% para 5,21%) e curso de ensino superior (de 1,44% para 2,99%)

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