A internet tem de tudo, até um site pornográfico que presta grande serviço público

Carlos Newton

O comentarista Mário Assis, que pode se orgulhar de ter sido um secretário de Administração que deixou saudades nos servidores do Estado do Rio de Janeiro, nos envia uma matéria de um site que ele classifica de “curioso”, no endereço oputaqueopariu.com.

Realmente, é um espaço anônimo e curioso, mas que presta grande serviço público. Basta citar a reportagem que segue abaixo, publicada dia 14 de maio, sobre a lavanderia dos irmãos Côrtes, que estão entre os principais integrantes da quadrilha que Sergio Cabral montou no Rio de Janeiro.

Detalhe; todas as denúncias são acompanhadas dos respectivos documentos, procurações etc., tornando a denúncia irrespondível. E ainda há fotos de todos os envolvidos, inclusive do “misterioso americano” que integra a equipe da “lavanderia”.

O site repete algumas denúncias do Garotinho, mas tem maior alcance no poder de fogo. Desconfio que não seja criação dele, por causa do palavrão no título. Não parece coisa de evangélico.

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Exclusivo! A “lavanderia” de
dinheiro sujo dos Irmãos Côrtes

Vocês vão ver abaixo a estranha história que envolve duas empresas dos irmãos Sérgio Côrtes (secretário estadual de Saúde) e Nelson José Côrtes da Silveira. As empresas, uma de consultoria e outra de projetos de energia renovável, constam que funcionam em um sobrado no Centro do Rio. O primeiro fato estranho é que o sobrado está abandonado.

Mais estranho ainda é que as duas empresas que atuariam em áreas diferentes (pelo menos no papel, porque na prática não existem) foram compradas de repente por duas empresas americanas, ambas representadas pelo advogado Bruce E. Wood.

E pasmem, depois que o advogado Bruce E. Wood efetuou a compra das empresas assinou procuração em Nova Iorque para que Nelson, o irmão de Sérgio Côrtes, tivesse amplos poderes sobre as empresas americanas que compraram as duas firmas dos irmãos Côrtes.

Resumindo, os irmãos Côrtes venderam duas empresas fantasmas que não produzem nem criam nada, para empresas americanas, que por sua vez generosamente cederam a Nelson Côrtes todos os poderes para fazer o que quiser. Não é preciso ser especialista para ver que é um típico caso de montagem de uma “lavanderia” de dinheiro sujo da corrupção.

Na sequência vocês poderão entender passo a passo como tudo aconteceu.

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Os irmãos Nelson e Sergio Côrtes, que comandam a lavanderia da corrupção

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O IRMÃO DO SECRETÁRIO

Nelson José Côrtes da Silveira, irmão do secretário de Saúde Sérgio Côrtes, figura como Sócio, Administrador, Procurador, Controlador ou Diretor de 17 (dezessete) empresas.

Vamos nos concentrar em duas delas, a RDS e a DFV. Sérgio Côrtes e seu irmão eram sócios na empresa RDS CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA, cuja sede é na Rua Luiz de Camões nº 71-Parte, Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

Já a empresa DFV SOLAIR ENERGIAS RENOVÁVEIS COMÉRCIO E INDÚSTRIA S/A é uma sociedade anônima que tem como objetivo social a captação e a distribuição de energia elétrica renovável. Seu endereço também fica na Rua Luiz de Camões nº 71-Parte, Centro da Cidade do Rio de Janeiro.

Causa estranheza os irmãos Sérgio e Nelson Côrtes manterem ao mesmo tempo, num antigo sobrado do Centro do Rio de Janeiro, uma companhia de ações (DFV Solair) e outra firma ltda (RDS). E o pior é que o sobrado está fechado há muito tempo, não funcionando nenhuma empresa no local, segundo informação fornecida por vizinhos próximos.

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O AMERICANO MISTERIOSO

Outro fato muito suspeito se refere a um homem que “coincidentemente” participou da compra dessas duas empresas. Trata-se de BRUCE E. HOOD, advogado norte-americano, com escritório em Nova York, especialista em tributação internacional, planejamento, reestruturação empresarial e na assessoria sobre isenção de impostos. O currículo ideal para trabalhar com os irmãos Côrtes.

Em outubro de 2008, Nelson e Sérgio Côrtes transferiram suas cotas da RDS Consultoria e Serviços Ltda (uma empresa que funciona no sobrado fantasma) para uma empresa americana chamada COLLETON OVERSEAS LLC, sediada em Delaware/EUA. Delaware, apesar da sua pequena extensão territorial, é um dos maiores centros financeiros dos Estados Unidos, conhecido pelo codinome The Land of Free-Tax Shopping (A Terra Sem Impostos Comerciais).

Mas o inusitado não para por aí. Em 1 de junho de 2010, Bruce E. Hood se dirigiu diretamente a um Tabelionato de Nova York/EUA e, por procuração, outorgou a Nelson Côrtes amplos e totais poderes para agir em nome da Colleton Overseas como se sócio fosse.

Em resumo, Nelson Côrtes saiu da empresa por uma porta e voltou por outra, pois o advogado americano o nomeou administrador da empresa que ele e Sérgio Côrtes haviam acabado de vender.

A outra empresa que funcionava no sobrado abandonado era a DFV SOLAIR de Nelson Cortes. Ela se chamava antes NDL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Coincidentemente, enquanto era uma sociedade Ltda, ele tinha como sócia uma outra empresa norte americana também sediada em Delaware, chamada SOUTH AMERICA LOGISTICS.

A NDL transformou-se em sociedade anônima no dia 28/09/2011, mudando sua razão social para DFV SOLAIR. Nesta ocasião, as sócias originais (South America e RDS) transferiram todas as suas cotas para outras pessoas. Mais uma vez, os beneficiados foram Nelson Côrtes da Silveira e outra empresa de Bruce E. Hood (a Carleton Towers).

Tal como aconteceu no caso da venda da outra empresa (a RDS), Bruce E. Hood, que também é gerente da CARLETON TOWERS LLC, nomeou mais uma vez Nelson Côrtes para ser seu procurador e continuar agindo em nome da empresa DFV SOLAIR que acabara de comprar. A procuração abaixo parece até cópia da anterior.

Dessa forma, Nelson Côrtes, com as ações ordinárias a ele distribuídas e somadas às ações da Carleton Towers, passou a representar 49,98% do Capital Social da recém-criada DFV SOLAIR.

As perguntas que não querem calar:

1) por que tanto interesse em duas empresas que aparentemente sequer funcionam?

2) Por que Bruce E. Hood, um advogado de Nova York, dono da Colleton Overseas LLC e da Carleton Tower LLC, sediadas em Delaware/EUA, nomeou Nelson Côrtes seu procurador, depois de haver comprado dos irmãos Côrtes as empresas RDS e da DFV SOLAIR?

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