“A Lava Jato foi muito importante, colocou pessoas na cadeia. Mas destruiu empresas”, diz Dias Toffoli

Ministro diz que MP deveria ser mais transparente

Luiz Maklouf Carvalho
Estado

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justia (CNJ), ministro Jos Antnio Dias Toffoli, disse ao Estado em entrevista na sexta, dia 13, que o governo do presidente Jair Bolsonaro tem pessoas e reas de excelncia funcionando muito bem. No quis dizer quais so, mas reiterou: So reas de excelncia, tm feito belssimos trabalhos, tm tido dilogos com as instituies o tempo todo.

Com 52 anos, h 10 na Corte e h 15 meses na Presidncia, o paulista de Marlia, ex-advogado e integrante do governo do presidente Luiz Incio Lula da Silva, que o indicou ao posto, com referendo do Senado, recebeu o Estado na enorme sala de audincias contgua ao seu gabinete no terceiro andar do STF, com ampla vista para o Palcio do Planalto.

INFORMAL – Aproveitando a costumeira informalidade da sexta-feira, estava sem gravata e sem meias. Uma tosse chata o incomodava de vez em quando esse ar condicionado acaba matando a gente, disse, a tantas, mandando desligar. Tinha um leve ar de cansao que explicou como resultado de 18 horas de trabalho por dia. Estou doido pra descansar, afirmou.

Em quase duas horas de entrevista, numa histrica mesa de madeira, oval, de 12 lugares, Dias Toffoli falou do presidente e do governo Bolsonaro; disse que o Ministrio Pblico deveria ser uma instituio mais transparente como entende que o Judicirio o seja -, e que a Lava Jato destruiu empresas o que jamais aconteceria nos Estados Unidos, por exemplo.

Comentou, tambm, os momentosos e recentes julgamentos que agitaram o Supremo, como aquele em que deu o voto decisivo para proibir a priso depois da sentena em segunda instncia. A deciso possibilitou a sada do ex-presidente Lula da priso em que estava h quase dois anos, condenado na operao Lava Jato.

“JAVANS “- Sobre o julgamento do Coaf (rebatizado de Unidade de Inteligncia Financeira), no qual seu voto foi criticado como difcil de entender precisa de um professor de javans, disse o ministro Lus Roberto Barroso Dias Toffoli afirmou que foi um voto elogiadssimo. Comentou, tambm, o repto que deu em Barroso, durante sesso do plenrio, dizendo respeite seus colegas.

Hoje sexta, 13. O senhor supersticioso?
No.

o dia, tambm, em que o AI-5, de triste memria, faz 51 anos. Ontem (quinta-feira, 12), em mais uma lembrana dos piores momentos da ditadura, o presidente Jair Bolsonaro disse que mandaria ao pau-de-arara, um mtodo brbaro de tortura, um ministro que descobrisse ser corrupto. O que o senhor acha desse tipo de declarao do presidente, de resto recorrente?
evidente que a responsabilidade de um cargo impe uma ritualstica mais rigorosa para o uso de determinadas expresses, que s vezes pode ser o uso do ponto de vista de uma alegoria, mas que vindo de determinadas autoridades passa a ter um outro peso. So manifestaes que devem ser mais comedidas e mais pensadas. Mas, do ponto de vista da relao entre os poderes, o que eu posso dizer que ao longo deste ano as relaes foram cordiais e de fcil dilogo entre o Poder Judicirio e o Poder Executivo como um todo.

Foi um ano tenso, no?
O Brasil vinha de governos de centro e centro-esquerda. E mudou para um governo de direita. Ento houve, depois da redemocratizao, uma primeira vitria da direita com o apoio da extrema-direita.

Como o senhor entendeu essa mudana?
Como um cansao da populao seja com corrupo, seja com pessoas que a populao j no queria mais ver como seus representantes. E com a ideia de uma vontade de destravar o Estado, superar a burocracia estatal. Essa foi a mensagem que foi levada e aceita pelas urnas. Ento, em primeiro lugar, tem que se respeitar a vontade popular. Democracia assim. alternncia de posies, seja poltica, seja econmica, seja ideolgica, dos representantes do povo.

O julgamento mais importante do ano foi o que acabou, por apertada maioria, com a priso depois de deciso da segunda instncia. O senhor esteve no centro da roda, levando tiro de todo lado, virou at boneco nas manifestaes. A questo poderia no ter sido votada at hoje ou at o senhor sair da Presidncia. Por que o senhor a colocou na pauta?
Era um tema que j estava liberado para a pauta pelo relator, ministro Marco Aurlio, h muito tempo. E tanto o ministro Marco Aurlio quanto o ministro Celso de Mello esto j prximos da aposentadoria e pediam para mim que isso fosse a julgamento para terem a possibilidade de votar. A outra questo a pacificao social. Grande parcela da sociedade gostaria de ver isso julgado, embora outra parcela no quisesse. E a nossa funo julgar. Ento foi julgado.

Como o senhor administrou a tenso e os ataques?
Se dizia, de um lado, que viria um grade caos, uma tenso na sociedade, que as ruas iam ser tomadas, que as cadeias iam ser abertas. E a se verificou e se verifica que nada disso aconteceu. Ou seja: era muito mais espuma do que qualquer outra coisa. E, pelo contrrio, parece que se deu uma serenidade, inclusive com o parlamento assumindo as suas competncias do ponto de vista de eventual soluo normativa para o tema.

Alguns dias depois do julgamento da segunda instncia o Estado fez um editorial dizendo exatamente isso que o senhor acabou de dizer: o mundo no se acabou. O senhor foi ameaado nas redes sociais, virou recordista em pedidos de impeachment, foi atacado pelos partidrios da Lava Toga, foi chamado de colaboracionista. Como viu esse bombardeio?
Um juiz tem que ter todas as garantias para tomar com liberdade as suas decises. E o juiz est vinculado lei e Constituio. Eu sempre disse: juiz no pode ter desejo. O juiz que quer ter desejo tem que largar a magistratura e ir para a poltica. Eu elogio aqueles que fazem isso. Recentemente tivemos dois casos emblemticos: o governador Witzel, e o ministro Moro. O juiz, tendo a vitaliciedade, uma boa remunerao e a estabilidade, ele tem as garantias de enfrentar presses. E em relao a isso eu sou muito tranquilo, no perco o sono. A nica coisa inaceitvel so as crticas contra a instituio e contra a democracia.

Por isso o senhor determinou aquele inqurito (contra ataques a ministros do STF nas redes sociais), no comeo do ano, que tanta polmica causou?
Esse inqurito mostrou que existiam aes orquestradas com rob para difundir mensagens, dar a impresso de que eram muito mais pessoas contrrias Corte do que realmente eram. Na verdade eram produes feitas por pequenos grupos que depois se espalharam atravs de mquinas.

Foi uma das grandes polmicas do ano.
Abri o inqurito para defender a instituio, como est no prprio regimento interno do Supremo, que tem fora de lei, no ponto. E ao mesmo passo para defender a prpria democracia. Porque havia uma guerra dentro das redes sociais, querendo criar um falso tensionamento entre os poderes, e um ataque s instituies.

Deu resultados?
Um relatrio feito a pedido do ministro relator Alexandre de Moraes demonstrou que de imediato, em uma semana, 80% daquilo que seria esse movimento orquestrado de ataque democracia, sumiu do ar. Isso tambm teve reflexos no Congresso, que abriu uma Comisso Parlamentar de Inqurito das Fake News.

No seu voto sobre a segunda instncia, ao dizer que no era papel do Supremo ficar legislando, o sr. sugeriu que o Congresso tratasse da questo. As duas Casas esto se movimentando nesse sentido, com muitas divergncias o Senado com um projeto de lei, a Cmara com uma Proposta de Emenda Constitucional. O que o sr. est achando?
No tenho acompanhado isso de perto. O Parlamento tem autonomia para decidir. O que h de interessante, na discusso que est na Cmara, que aquilo se amplie para alm da rea criminal, para efeitos relativos em decises que vo atingir direito privado, administrao pblica, matria tributria.

A deciso proibindo a priso depois da sentena de segunda instncia vai continuar gerando polmica. Recentemente o ministro da Justia, Srgio Moro, disse que a deciso do Supremo diminuiu a percepo da populao de que o combate corrupo diminuiu. O senhor concorda?
De maneira nenhuma. Isso no tem o menor sentido. O STF julgou o ‘mensalo’, condenou vrias autoridades, vrios empresrios, inclusive banqueiro. Foi dali que comeou todo esse trabalho de combate corrupo, e (tiveram incio) os projetos de lei que levaram a esse arcabouo jurdico, s normas de lei de combate ao crime organizado. Ento, o Supremo est firme no combate corrupo. No uma deciso que faz cumprir a Constituio que vai surtir efeito numa percepo quanto corrupo.

Em 10 anos de casa e quinze meses na presidncia o sr. pregou a conciliao entre os ministros. Chamou at o ministro Lus Roberto Barroso para fazer a sua saudao na posse da presidncia. O senhor tentou mas o fato que o tribunal est dividido. A tal ponto que outro dia, o sr. mesmo, que no de brigas ou adjetivos, deu um repto pblico no ministro Barroso, respeite seus colegas, pelo mpeto com que o ministro ficava se diferenciando dos demais ministros, como melhor do que todos na preocupao com a corrupo.
Eu tenho uma boa relao com todos os ministros, admirao mesmo. Porque as pessoas que conseguiram chegar nesta Corte, seja no passado, seja no presente, so pessoas que mostraram ao longo de suas vidas ter toda a qualificao para vir pra c. A importncia de uma corte constitucional ter a pluralidade de ideias. essa pluralidade que faz a riqueza e a deciso ser mais legtima, mais reconhecida. Episdios como esse, ao longo da nossa gesto, diminuram muito, cessaram mesmo. Uma ou outra vez que eu percebi que poderia haver algo eu j interferia, como presidente.

Mas nesse caso o repto foi seu. Por que o senhor o fez? O ministro Barroso j estava extrapolando?
que s vezes o prprio membro da Corte, o prprio juiz, comea a absorver sensos comuns.

O que que o senhor chama de senso comum na posio do ministro Lus Roberto Barroso?
A ideia de que existem pessoas que combatem mais a corrupo do que outras.

O senhor leu O Homem que sabia javans, o conto do Lima Barreto?
No li.

Nem depois que o ministro Barroso disse que precisava de um professor de javans para traduzir o seu voto no caso do Coaf?
No li. O meu voto foi elogiadssimo pelos membros da UIF (Unidade de Inteligncia Financeira, antigo Coaf), que o consideraram tecnicamente perfeito. Ento, os membros da UIF entendem muito bem de javans.

Foi um comentrio do qual o ministro Barroso pediu constrangidas desculpas, que o senhor aceitou, como do jogo. Mas o fato que o senhor fracassou nessa misso de conseguir um clima cordial no Tribunal. O que se v uma Corte dividida, em dois grupos bastante radicalizados, embora com alguma mobilidade aqui e ali.
Eu discordo. No houve fracasso nenhum, houve sucesso nessa pacificao. Os votos que esto sendo proferidos tm poucos apartes, no h mais adjetivos concretos de um contra o outro…

Este ano mesmo houve discusses pesadas…
Aqui nesta mesa, pelo menos uma vez por ms, eu fao um almoo, convido os ministros, senta o Barroso, senta o Marco Aurlio…

Os ministros vivem s mil maravilhas, no h lutas internas?
Aqui todos respeitam todos, a capacidade intelectual de todos. Disso no h dvida. Em relao aos pontos de vista diferentes, no so posies fechadas entre um lado e outro.

Com relao Lava Jato, especificamente, que divide os coraes, temos dois grupos consolidados um, dos digamos lavajatistas por excelncia, comandado pelo ministro Barroso…
No Supremo Tribunal Federal ningum comanda ningum. Somos todos iguais. Se algum colega acompanha o outro porque realmente adere quela posio.

O senhor no v o tribunal dividido?
No vejo. O Tribunal nico. Na sua unidade que est a sua fora. Existe para ter pluralidade.

O senhor mudou a forma de votar especialmente no julgamento da segunda instncia. No tem preocupao como tempo. Vai, volta, explica, para, quer convencer cada um de cada palavra, frase, afirmao. No do Coaf, a mesma coisa.
Eu sempre tive o comportamento de dar votos mais curtos e resumidos. Mas no momento em que se est na presidncia e com a relatoria do caso tem que proferir um voto mais aprofundado. E ali [no caso do Coaf] havia uma questo preliminar da abrangncia da tese. Se ia ficar s em relao Receita ou se iria tratar do UIF, o antigo Coaf. O meu voto foi no sentido de ampliar. Era necessrio convencer os colegas da necessidade de abrangncia da tese. At por eficincia e celeridade.

Mas o fato que o senhor no conseguiu esse convencimento.
Consegui. O Coaf entrou na tese. S quatro colegas que votaram no sentido de no abordar esse tema. E a tese, por ampla maioria, foi de compartilhamento, com sistemas de controle de quem acessa e de quem pede. So balizas importantes.

Ao longo da sua vida aqui no Supremo o senhor foi injustamente marcado por um estigma quanto a ser lulista, ou petista, porque o presidente Luiz Incio Lula da Silva que o indicou. O senhor sempre repeliu essas insinuaes, como outros ministros que as sofreram, e at j disse, ao Estado, que o Supremo o transformou em um liberal…
Cada vez mais…

Agora aparece um outro carimbo: que o senhor tomou a deciso de suspender as investigaes para beneficiar o senador Flvio Bolsonaro… Como v esses carimbos? O senhor facilitou a vida do filho do presidente Jair Bolsonaro?
Antes de chegar a petio, em julho, a respeito desse caso especfico, alguns colegas j comentavam: esto chegando aqui processos pedindo a reviso daquela deciso sobre compartilhamento, necessrio, est tendo extrapolao. E realmente comeou a haver, com compartilhamentos indevidos.

Por que em parte da opinio pblica ficou essa ideia de que o senhor tomou uma deciso para favorecer o senador Flvio Bolsonaro?
No foi. porque j estava chegando para ns, seja do ponto de vista da Receita, ou do Ministrio Pblico, que eles estavam se utilizando de instrumentos no judiciais para obter informaes, para investigar. Se querem fazer isso, faam pelo Judicirio. Simples assim. No pode haver investigao sem superviso, investigao de gaveta.

E por que se criou essa lenda urbana de que o senhor quis beneficiar o senador filho do presidente da Repblica, ou a outra, sobre a segunda instncia, para beneficiar Lula, para usar uma expresso, lenda urbana, que o senhor tem usado?
Usei essa expresso para mostrar que isso no tem a mnima veracidade. No passa de uma lenda, que querem colocar atravs de algo que no verdadeiro.

Por que elas aparecem e o Brasil virou um pas de muitas lendas urbanas?
A [filsofa] Hannah Arendt dizia o seguinte: se todo mundo mentir o tempo todo, pra todo mundo, no que as pessoas acreditaro na mentira; que elas no acreditaro em mais nada. Ento esses ataques que so feitos e no foi s ao Supremo, mas ao Congresso, e tambm ao governo, numa dimenso menor alguns direcionados diretamente a mim, no so na verdade para me desacreditar. para fazer com que as pessoas no acreditem em mais nenhuma instituio. Isso a a ruptura da democracia. Ento ns temos que combater.

O Lula foi solto. E segue defendendo a inocncia dele. Como o senhor est vendo o discurso que ele tem feito?
Primeiro, aquilo que se dizia que haveria uma convulso nas ruas, no aconteceu.

O senhor chegou a temer isso em algum momento?
Jamais. Mas o tempo de pautar o julgamento foi importante. No incio do ano, em que havia aqueles embates mais fortes, momento de acomodao, novo Congresso, novo Palcio do Planalto, nova Esplanada dos Ministrios, se julgasse aquilo naquele momento, por abril, talvez tivesse um tipo de reao diferente. Com o passar do ano, as questes vo se acomodando, ficou um momento mais adequado. Tanto que aqui na frente no havia manifestaes. Eram cinco pessoas de um lado e cinco pessoas do outro. No houve nenhum tipo de reunio que fosse de algum modo expressivo. Foi zero. A escolha do momento foi correta. uma sintonia muito fina.

O que o senhor tem achado das declaraes do ex-presidente Lula em liberdade?
Eu no estou acompanhando. Mas quando houve uma das primeiras, muito agressiva, eu disse ao ‘Estado de S. Paulo’ que o Poder Judicirio no ia aceitar agresses ordem pblica.

E as ltimas declaraes?
No acompanho. Pelo que tenho lido, no so mais naquele tom de agressividade. O que talvez seja compreensvel para algum que se sente injustiado.

O que o senhor diz sobre esse clima de radicalismo, dio, polarizao?
algo bastante complexo, no envolve s o Brasil. A volta dos nacionalismos, uma reao globalizao, a volta de posio de identidades de gueto, eu s converso com pessoas que pensam igual a mim, quem no igual a mim meu inimigo. Essa ideia no estilo fascista, realmente autoritrio, de que existem seres melhores do que os outros, vai contra tudo aquilo que foi o desenvolvimento da teoria jurdica, poltica e tica do ps-Segunda Guerra com os direitos humanos, a fraternidade, a solidariedade.

Qual tem sido o papel das redes sociais?
Infelizmente as redes sociais, que ns pensvamos iam trazer uma globalizao maior para o mundo, conseguiu compartimentar pessoas em guetos. Infelizmente as redes sociais esto servindo hoje muto mais para uma segmentao da sociedade.

O senhor v algum caminho, alguma luz no fim do tnel?
Falando especificamente do Brasil: o que facilita esse polarizao ns no termos em nenhum lugar um projeto nacional. No temos nas universidades. As elites endinheiradas no tem um projeto nacional. A classe mdia no tem, via partidos de sua preferncia, e a classe popular tambm no tem mais. At porque grande parte da esquerda se focou na questo criminal e no na formulao de projeto de polticas pblicas ou de soluo dos problemas da nao. Nessa falta de quais so os problemas nacionais a serem discutidos, a pessoa acaba indo para o seu voluntarismo prprio. Eu acho que. Ele vai para o achismo. Por falta de baliza, o Brasil trabalha com o achismo. A soluo do pas realmente matar bandido. Estou citando o senso comum que grande parte da populao pensa isso: tem que matar mesmo.

Parte da populao, e tambm o presidente da Repblica…
Porque isso tem repercusso numa base social que pensa assim. Eu tive a oportunidade, naquele caf da manha com os chefes de poderes, estavam presentes o presidente Bolsonaro, o Paulo Guedes, o general Heleno, o Jorge Almeida, hoje ministro, e eu tive a curiosidade de perguntar: E o dia seguinte da reforma da Previdncia?”, A com o Paulo Guedes, disse o presidente. A o Paulo Guedes comea a falar. Mas voc que no h uma ao coordenada. Tanto que s em julho que eles foram preparar essas novas projetos, novas aes. Eu me lembro quando o presidente [Bolsonaro] visitou-me, em outubro, depois do segundo turno, em que ele disse olha, ainda tenho que formar todo o meu governo porque a minha equipe de campanha cabia numa kombi. No uma inconfidncia, porque depois ele falou isso publicamente.

O que o senhor acha do presidente Bolsonaro?
Ele tem um discurso permanente para a base que o elegeu, mas ele tem uma capacidade de dilogo tambm. uma pessoa que muitas vezes julgado pelo que ele fala, mas ele tem, no governo, pessoas e reas de excelncia funcionando muito bem. No vou dizer quais so, porque a vou estar dizendo quais no esto indo bem. Mas so reas de excelncia, tem feito belssimos trabalhos, tem tido dilogos com as instituies o tempo todo. A impresso, curiosamente, que um governo com aquela mensagem mais isolada, mais sectria para determinado segmento da sociedade, e no um governo de todos. Mas, no dia a dia, polticas pblicas esto sendo desenvolvidas, como na rea de infra-estrutura. Na rea da economia tem sido sempre feito um amplo dilogo com o parlamento. E aqui mesmo no Supremo.

Por exemplo…
Agora mesmo fizemos uma reunio extremamente importante a respeito do acordo de lenincia [com as empresas processadas na operao Lava Jato]. Porque a Advocacia Geral da Unio entende de um jeito, o TCU de outro, o Cade de outro, o CVM, de outro, o MP de outro. Cada um acha que os acordos realizados tem que ter mais algum coisa. Quem que pode arbitrar? Eu chamei uma reunio aqui. J criamos um grupo de trabalho, um comit executivo, para criar e ter uma soluo efetiva at o final de maro, para dar segurana jurdica.

Explique melhor…
A Lava Jato foi muito importante, desvendou casos de corrupo, colocou pessoas na cadeia, colocou o Brasil numa outra dimenso do ponto de vista do combate corrupo, no h dvida. Mas destruiu empresas. Isso jamais aconteceria nos Estados Unidos. Jamais aconteceu na Alemanha. Nos Estados Unidos tem empresrio com priso perptua, porque l possvel, mas a empresa dele sobreviveu. A nossa legislao funcionou bem para a colaborao premiada da pessoa fsica. Mas a da pessoa jurdica no ficou clara. Ento ns criamos um comit interinstitucional para dar uma soluo para esse problema. Muitas vezes o Judicirio pode ter essa funo extrajudicial. Pela respeitabilidade, pode ser um rbitro para proposies e soluo de problemas.

Por ideias como essas, e como a do chamado Pacto Republicano, o senhor j foi chamado de colaboracionista. papel do presidente do Supremo fazer isso?
o cumprimento de um dever histrico como j disseram Emlia Viotti e Raymundo Faoro. Na falta de outros poderes, o Judicirio que chamado para agir de maneira extrajudicial, prevenindo o conflito que voc sabe que vai acontecer, trabalhando com a conciliao, a mediao, e a moderao.

O que o senhor considera ter feito de mais importante nesses quinze meses da Presidncia?

Ns mudamos toda a maneira do procedimento administrativo. Trouxemos as melhores prticas de gesto pblica e gesto privada do mundo. Passei a soltar a pauta com seis meses de antecedncia. Esta semana j sai a do primeiro semestre do ano que vem. Ampliamos significativamente o plenrio virtual. O nmero de decises colegiadas aumentou muito, na casa de 20%. Enfrentamos as principais repercusses gerais, algumas envolvendo milhes de pessoas.

O senhor tem o ar cansado. pesado ser presidente do Supremo Tribunal Federal?

Eu no tenho preguia, eu trabalho muito. Em torno de 18 horas por dia. um momento de dedicao. So dois anos. A vantagem essa. Passa. Eu j passei quinze meses. Faltam nove, exatamente no dia de hoje.

Qual a marca que o senhor quer deixar?

Os trs eixos que eu coloquei so eficincia, transparncia e a responsabilidade. Os nmeros mostram que um judicirio mais eficiente. O nosso relatrio Justia em Nmeros em relao a 2018 mostrou que pela primeira vez na histria diminuiu o nmero de processos na Justia. Caiu de 80 milhes e pouco para 78 milhes. S em 2018 se encerraram no Judicirio 32 milhes de processos. No existe outro pas do mundo que tenha esse nmeros. A vem o senso comum: um judicirio que no funciona, custa caro, no eficiente. Ento desfazer esse senso comum.

E sobre a transparncia e a responsabilidade…

O Poder Judicirio o poder mais transparente que tem. Quanto responsabilidade, quantos a gente j no ps para fora no Conselho Nacional de Justia. Veja agora a priso dos desembargadores [do Tribunal de Justia da Bahia]. Porque o trabalho na Bahia feito pelo Superior Tribunal de Justia e pelo Conselho Nacional de Justia. Veja se o Conselho Nacional do Ministrio Pblico fazia isso, at pouco tempo. O Judicirio trabalha com muita transparncia. O Ministrio Pblico deveria ser uma instituio mais transparente.

O senhor est doido para acabar o mandato de presidente?
Eu estou doido para descansar. Mas ainda tem nove meses. Estou no pique, a equipe animada.

At quando o senhor fica no Supremo?
Vou ficar at o final. Tenho 25 anos de Braslia. Por que no ficar nos prximos 23? Defendo a vitaliciedade, e sou a favor do modelo norte-americano, que vai at o caixo. Quando falam em aumentar o prazo, eu digo que sou a favor da PEC do Caixo. J sairia daqui para Avenida da Saudade, em Marlia (risos).

20 thoughts on ““A Lava Jato foi muito importante, colocou pessoas na cadeia. Mas destruiu empresas”, diz Dias Toffoli

  1. - um xxxx mesmo, esse advogado filho da CUT!
    -Quer dizer que se um bandido abrir uma empresa para roubar, sera ruim se o bandido-empresrio for preso?
    -Quer dizer que a empresa precisar ficar roubando o dinheiro do contribuinte e cumprir a lei ruim para o desenvolvimento do pas?
    - isso mesmo?
    -Prender bandido ruim?
    -Quer dizer que o Presidente do Supremo Tribunal Federal da Repblica Federativa do Brasil lamenta colocar bandido na cadeia?
    -Deve ser por isso que a Corte que ele preside at agora s colocou um ou dois, no mximo uns trs!

    o que eu j disse:
    -Os eleitores removeram quase todo o lixo que havia nos Poderes Executivo e Legislativo, ali na Praa dos Trs Poderes. Mas permaneceu uma lixeira totalmente intocada por estar fora do alcance do eleitor e ser regida por leis prprias: O Supremo Tribunal Federal. Enquanto aquilo no foi limpo e o entulho moral removido, ser difcil para este pas sair do atoleiro da corrupo e do Terceiro Mundo.
    Felizmente o tempo tambm passa para eles.

    • H um ditado em ingls que diz: we need to walk a mile in someone else’s shoes to understand his problems.
      Portanto, tenha pacincia com o pobre coitado. Imagine-se no lugar dele: foi reprovado num concurso para juiz de primeira instncia e s conseguiu realizar o seu sonha puxando o saco do Dirceu. J imaginou ter esse curriculum? vergonhoso, no? Pois , esse o problema do ministro. Que lamento.
      Precisamos compreender que alguns so medocres por natureza, como deve ser o caso dele. Lembre-se do conselho: ame o prximo como a si mesmo!

  2. Dias Toffoli bem que poderia pensar antes de falar asneiras.

    No sendo um juiz de carreira, e no tendo obtido xitos em concursos pblicos que participou tentando ingressar no Judicirio, o ministro presidente do STF sai a proferir seus pensamentos e concluses to simplrias, to absurdamente sem qualquer conotao com a realidade nacional, que preocupa o seu estado mental!

    Quer dizer que a Lava Jato a culpada pela “destruio de empresas”, menos o empresrio ladro e cmplice de parlamentares corruptos e traidores do povo e pas?

    Ler uma entrevista de um magistrado pertencente a Alta Corte nesses termos, a situao brasileira se encontra catica tambm pela ignorncia de nossas autoridades, e de quererem manipular o pensamento do povo com relao verdade!

    Toffoli comprova que no possui a menor condio de desfrutar do posto que ocupa, muito menos da funo que exerce, de magistrado.

    O clebre ministro petista, de carteirinha, tenta transferir para a mais importante operao j posta em funcionamento no pas para combater a corrupo, a responsabilidade dos petistas, de Lula, Dilma e do partido, dos roubos praticados contra estatais, fundos de penso, propinas durante a construo de estdios Copa do Mundo, de prdios para a Olimpadas, de metrs, obras nas cidades, de dinheiro desviado para gastos em publicidade favorvel ao governo jamais realizadas, que Srgio Moro foi o responsvel pelas empresas envolvidas nos crimes mais variados e exticos, a destruio das mesmas!

    Mas que discursinho mais irresponsvel e mal intencionado do ministro petista!

    No entendimento de Toffoli, quem deveria estar na cadeia era Moro e Dallagnol, menos os ladres do PT e os empresrios criminosos.

    Bom, Lula e a sua quadrilha o Supremo j os soltou, logo, elabora planos para prender Moro e tir-lo de circulao pela sua audcia em ir de encontro ao sistema, que vinha to bem durante anos a fio sem qualquer admoestao!

    Alis, irmana-se a esta ideia subversiva de Toffoli, outro colega to ou mais esdrxulo que o petista:
    Gilmar Mendes, que no perde ocasio para insultar e desmerecer o ex-juiz e procurador do MPF.

    Maaaaazzzzaaaaa Brasilso!

  3. Vindo de um petista no poderamos esperar algo nobre. Talvez a fonte dos R$100.000,00 que eram depositados em sua conta secou. Talvez este seja o motivo de sua concluso.

  4. Como sempre acontece com qualquer coisa boa que acontecer durante o atual governo:

    A Lava Jato foi muito importante, colocou pessoas na cadeia. Mas destruiu empresas, diz Dias Toffoli.

    Para tudo, sempre existir um “MAS…”

    • “No acumulado de 2019, saldo positivo em US$ 43,32 bilhes, MAS 20% menor que o registrado em igual perodo do ano passado, segundo o Ministrio da Economia.”
      (G-!)

    • Risco-pas recua para menos de 100 pontos e atinge patamar mais baixo em quase 10 anos. Por ora, o patamar do risco-pas o mais baixo desde 8 de novembro de 2010 (97,408 pontos). Em dezembro, o dlar acumula queda de 4,21%. No ano, porm, h alta de 4,83%.
      (o G1 trocou o MAS pelo PORM…rs).

      “Conjunes Coordenativas Adversativas: ligam duas oraes ou palavras, expressando ideia de contraste ou compensao. So elas: mas, porm, contudo, todavia, entretanto, no entanto, no obstante.”

      -Parece que ouviremos muito delas durante o atual governo.

  5. Hoje sexta, 13. O senhor supersticioso?
    No.

    o dia, tambm, em que o AI-5, de triste memria, faz 51 anos. Ontem (quinta-feira, 12), em mais uma lembrana dos piores momentos da ditadura, o presidente Jair Bolsonaro disse que mandaria ao pau-de-arara, um mtodo brbaro de tortura, um ministro que descobrisse ser corrupto. O que o senhor acha desse tipo de declarao do presidente, de resto recorrente?

    essa pena uma besta, todos nos sabemos o que ele quis dizer, o jornalista to imbecil que no entendeu ou que fazer intriga?

    • Prezado Al…

      No ano passado, o nico candidato capaz de derrotar o POSTE DO LULA era o Bolsonaro e todos ns sabemos disso.
      oi por um triz.
      Se no fosse pelo desequilibrado, hoje o PT e os seus intelectuais do nvel da Dilma estariam de posse do Brasil, instalados em ministrios e estatais, inclusive a Petrobrs, e o Lula, perdoado. No devemos nos esquecer disso ao criticarmos o atual governo.

      Votei nele por excluso e toro pelo seu governo d certo da mesma forma que torci pelo governo do Lula (no deu certo, troca), pois, ao contrrio de alguns membros do Supremo, no tenho dinheiro para investir em imveis em Portugal (back-up de cidadania portuguesa, caso o Brasil naufrague) ou sair daqui at l s para tomar um vinho caro em Lisboa.
      Estou nesta canoa para ficar e, se ela virar, afundarei eu e a minha famlia.

      -S isso.
      -Essa a minha IDEOLOGIA.

      O Doido e desinformado no era o candidato ideal e quem votou nele, votou sabendo. Mas talvez faa, em um impeto de loucura, o que os ajuizados e entendidos de economia no tiveram a coragem para fazer.

      -At agora ele est indo bem.
      -Ou o senhor acha que no?

      Abraos.

      • Sou bastante transparente em meus comentrios, e como vc votei sim no bozo, eleitor de primeira hora antes mesmo dele si levar a srio, e me sinto muito feliz e satisfeito com sua eleio, j cumpriu 100% de minhas expectativas, os celerados canhotos largaram o timo mas continuam a remar contra, e no vo largar o osso to facilmente, infelizmente esse cabo de guerra s t comeando, vamos ter de ficar vigilantes.
        Quanto a ele estar indo bem ou mau, eu acredito que bem, afinal, conseguiu fazer o congresso trabalhar e sem pixuleco, conseguiu fazer a mdia falar bobagens em tempo integral e perder mais ainda credibilidade, para um bozo imbecil, ele t dando ol, existem problemas com toda certeza qual dos governos anteriores no os tiveram, devemos dar o devido tempo para o amadurecimento das medidas.

        • -Isso.
          -No tenho iluses. Mas o meu voto apenas um e eleio no se ganha pela qualidade.

          -Vejo hoje que pior do que votar em um candidato que, posteriormente, se revela um LADRO, continuar votando nele.

          Dizem que foram roubados do Brasil, durante o governo petista um trilho de reais. Mas vamos considerar apenas o bilho roubado da Petrobras, que est melhor documentado.

          Portanto, devemos procurar saber se at o final desse ano o atual governo roubou menos ou mais que R$ 76.923.076, 92 reais, o que seria o equivalente ao roubado em um ano de governo petista.
          Se roubou menos, o pas est no lucro, apesar do Supremo.

          Abraos.

          https://istoe.com.br/quadrilha-dos-malfeitores-do-pt/

  6. KKK para o mariliense a corrupo no to importante quanto as empreiteiras picaretas que foram para o buraco. Pena que o ministro no disse o que seria certo fazer, deixar a corrupo como estava, a as empresas no iriam para o buraco. Ou combater a corrupo e levar as empresas patrocinadoras da corrupo irem parar no buraco.

  7. Nesse aspecto de que se punam os corruptos, mas se preservem as empresas e os empregos, concordo plenamente com o ministro. J fiz tal comentrio aqui, sem saber a opinio dele. algo pragmtico.

    Usar a racionalidade hoje em dia alguma coisa rara. O clima de confronto. Se algum emite uma opinio racional, raramente a crtica vem respeitosa, mas eivada pela paixo.

    Certamente discordo de muitas coisas do Toffoli, mas nem por isso vou considerar todas as suas ideias como lixo.

    Este espao serve para colocarmos nossas impresses e elas devem refletir o que pensamos, mesmo que desagradem muitos. E colocadas nossas opinies, quem desejar que as critique. Acho muito salutar o exerccio de criticar, absorver quando se criticado. No meu caso, aprendo muito.

    Quanto ao governo, o que me interessa mais a economia. Me parece que no estamos no caminho certo. Estamos nos tornando cada vez mais exportadores de produtos primrios e, para mim, isso nunca nos tornar um pas desenvolvido.

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