A liberdade da internet é incompatível com as ditaduras.

Ofélia Alvarenga: “Hélio, quando leio você escrever sobre o SNI, eu me pergunto como teria sido a ditadura brasileira se fosse em tempos de internet. Nos idos militares, se driblava a censura com simples troca de nomes – os pseudônimos. Um pseudônimo não tira do autor a sua personalidade. Mas hoje, o que a internet mostra não são pseudônimos, mas heterônimos, porque uma mesma pessoa se esconde sob personas diferentes, capazes até de brigar entre si. Como funcionaria a ditadura na internet? A internet sairia do ar?”

Comentário de Helio Fernandes:
Mesmo subdividida, Ofélia, a colocação é excelente. Primeiro, o fato de pouca gente se identificar, esse é o ponto positivo e ao mesmo tempo negativo, da internet. Com ela, qualquer um chega, escreve, dá sua opinião sem aparecer ou se comprometer.

Antes, teria que mandar cartas para os jornalões, e se submeter ao “crivo” que palavra, editorial. No mundo inteiro, muitas cartas são “editadas” e não se podem desagravar os interesses dos jornalões. Por que ninguém escreve para o jornalão sobre as DÍVIDAS, o empobrecimento, o poder fascinante dos bancos? Devem escrever, lógico, só que não é publicado.

Ofélia, nenhuma possibilidade de convivência entre um regime ditatorial e a internet. E o SNI, da forma como foi criado, mantido e elevado à condição de quinta potência, só numa ditadura. Fora de 1930 a 1945 e de 1964 a 1985, nada parecido com a internet, sobreviveria.

“Serviços de Inteligência”, nesses regimes ditos democráticos, não têm o Poder que acumulam numa ditadura declarada, aberta, necessariamente prepotente e destruidora. Ainda podemos ter a satisfação de discordar um dos outros, e até de todos.

*** 

PS – Num sistema declaradamente ditatorial, não existira internet, mesmo mudando de nome. Nas ditaduras, é simples; “crê ou morre”.  Como a internet não tem donos, chefes ou patrões, não tem o direito de CRER, morre antes de existir, alguns chefetes acabam com tudo. Se a internet é o apogeu da EXPRESSÃO sem INTERVENÇÃO, como existir contestando a ditadura?.

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