A lição da Espanha

Felipe Gonzalez, Adolfo Suárez e o rei Juan Carlos

Sebastião Nery

MADRID – Mino Carta, diretor da “Isto É”, me convidou em 1977 para ir à Espanha acompanhar a campanha eleitoral da Constituinte espanhola, que deveria ser convocada para breve. O general Franco morrera em 20 de novembro de 1975 e o franquismo estrebuchava seus 41 anos de ditadura. Logo no dia 22, o príncipe Juan Carlos (nasceu em Roma em 1938) foi proclamado Rei da Espanha (37 anos) e iniciou a brilhante operação política da abertura, anunciando uma Monarquia democrática.

E o Rei surpreende a Espanha e o mundo. Chama o jovem Adolfo Suarez, 44 anos, para presidente. Começava a grande lição da Espanha. E eu lá na aula. Cheguei a Madri com a Constituinte convocada e os partidos saindo da clandestinidade e começando a campanha eleitoral. Além da “Isto É”, escrevi para a “Tribuna da Imprensa” (Rio) e o “Correio Braziliense” (Brasília) e escreveria meu livro “A Lição da Espanha”.

ENCONTRAR OS LÍDERES

Vim para cá com um projeto na cabeça: conversar primeiro com os lideres dos principais partidos, ainda escondidos. Não conhecia ninguém. Levei o telefone do jovem e brilhante empresário Pedro Grossi, que tinha um escritório em Madri. Na sala pequena, só a mesa dele e outra, menor, de um jovem assessor sentado ao lado. Contei meu problema. Como fazer para falar com Santiago Carrillo, o velho líder do Partido Comunista?

O Grossi sorriu. E o rapaz me perguntou se iria com ele a Barcelona encontrar Carrillo. Claro que sim. Mas e a policia? Ele não esta escondido? Estava, mas, indo com ele, Carrillo me receberia sem problema.

– Como é que você pode me garantir que irei seguro?

– Porque ele é meu pai.

Ele me pegou cedo no hotel e lá fomos nós, no carro dele. Baixo, rechonchudo, 62 anos, testa larga, cabelos escuros, cara de padre sem batina, ar tranquilo e bonachão de quem estava em paz com a vida, Carrillo já tinha saído do exilio na França e vivia em uma casa discreta no subúrbio de Barcelona. Era um dirigente comunista simples e modesto. A longa entrevista dele fez sucesso no Brasil, na Europa e na Espanha.

Começava com sorte minha maratona espanhola.

OS TRÊS

O nome dele era Isidoro. Todo mundo sabia quem era, mas ninguém sabia como ele era. Secretário-geral do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), o mais antigo do pais, fundado por Pablo Iglesias em 1879, era o grande enigma da abertura que viria. Nascido em 5 de março de 1942, na Faculdade atua entre os grupos universitários católicos. Em 1962, conhece um grupo de colegas socialistas já organizados (são como irmãos até hoje), Afonso Guerra, Guilhermo Galeote e Luis Yanez. Tinham um projeto: assumir o comando do Partido Socialista em Sevilha, a partir daí o governo. Vinte anos depois, em 1982, conseguiram.

Em 72, vão ao congresso do PSOE na França, entram para a direção nacional. Em 74, Isidoro se elege secretário-geral, derrotando o velho Rodolpho Lopis, 79 anos, herói da guerra civil. Muda-se para Madri, sempre clandestino e sempre Isidoro. Foi aqui que o conheci, em 1977, os cabelos negros, cheios, caindo sobre o pescoço, a barba cerrada, um discurso forte e 35 anos. Em dezembro de 76, havia convocado a imprensa e anunciado que o PSOE voltava à legalidade depois de 40 anos proibido.

ERA FELIPE

Já não era mais Isidoro. Era Felipe, Felipe Gonzalez, “El caballo” (o cavalo). Nas eleições de 15 de junho de 77 para a Constituinte, seu partido fez 28,51%% dos votos. O Partido Comunista de Santiago Carrillo, 9,025%. A Aliança Popular, a direita ex-franquista, do galego Fraga Iribarne, 8,19%. O Partido Socialista Popular, do velho professor da Universidade de Salamanca, Tierno Galvan, 4,29%. Ganhou a UCD (União do Centro Democrático) de Adolfo Suarez, chefe do governo, com 34,34%.

Só em 82 Felipe e seu PSOE ganhariam as eleições. Mas aquela Constituinte era uma lição para o mundo. Depois de 41 anos de ditadura, a Espanha entregava o pais à competência, determinação e sabedoria de três jovens: o rei Juan Carlos, 39 anos; o chefe do governo Adolfo Suarez, 45 anos; e Felipe Gonzalez o líder da oposição, 35 anos.

Os três construíram a nova Espanha. Em 1992, em Madri, nos 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo às Américas, ouvi Felipe Gonzalez, presidente da Espanha, dizer a Fernando Collor, presidente do Brasil:

– Fernando, governar é resistir.

COMO JK

Uma noite de lua, na praça de velhas pedras gastas de Diamantina em Minas, um grupo de garotos conversava sobre o que iam fazer da vida:

– Eu vou ser presidente da República.

E Juscelino Kubitschek foi presidente da República.

Uma noite de verão, na praça de velhíssimas pedras gastas de Ávila, na Espanha, um grupo de jovens conversava sobre o que iam fazer da vida.

– Eu vou ser o presidente da Espanha depois de Franco.

E Suarez foi o primeiro presidente da Espanha depois de Franco.

3 thoughts on “A lição da Espanha

  1. Já que este artigo é de Sebastião Nery, quero perguntar a ele porque ele escreveu um texto maldoso contra um homem de bem, um político honrado, como o deputado Roberto Freire. Cheio de inverdades, como, por exemplo, Nery declara que Roberto Freire foi colocado no Incra por Médici, quando, na verdade Médici sequer tinha conhecimento sobre ele, pois sabendo que ele era do PCB iria dar um jeito de prejudicá-lo, como fez com os comunistas ou julgados comunistas da época. Roberto Freire entrou no INCRA por concurso público, no qual tirou o primeiro lugar. Não foi indicado por ninguem.

    Quero perguntar ainda ao Sebastião Nery se ele teria a coragem de escrever aquelas calúnias sobre Roberto Freire hoje, tais como “o adversário da esquerda”, quando disse que Serra era a melhor opção. A opção de “esquerda” que Nery se referia, à qual Roberto Freire, já na época era contra, era ninguém nada mais, nada menos do que Luiz inácio Lula da Silva ! O jornalista Sebastião Nery, ante o que sabemos hoje sobre Lula e o PT, não se sente envergonhado de ter escrito aquele texto ? Não vai escrever outro texto, nos meios de comunicação que ele dispõe, pedindo perdão ao deputado Roberto Freire ?

    Ao ler aquele texto de horrores que Nery escreveu pude constatar que com tal conteúdo Sebastião Nery manchou sua biografia como escritor para sempre. Abaixo a resposta que dei a um comentarista da TI quando este me apresentou a página desonrosa que Nery escreveu sobre o presidente do PPS. Espero que Nery tenha a coragem de me responder.

    Ednei José Dutra de Freitas, Rio de Janeiro.

    Sebastião Nery centra críticas em Roberto Freire por ele ter tomado posse, por concurso, do qual ele tirou o primeiro lugar no IBRA, depois INCRA. Se os generais Golbery e Nery não o expulsaram do INCRA foi porque não estiveram atentos à militância de Roberto Freire no PCB. Além do mais, ele não foi colocado lá por ninguém da ditadura e sim por concurso público. Esta ilação de Sebastião Nery de que Médici, o assassino, arrastou pelas ruas o líder camponês Francisco Julião, perseguiu Miguel Arraes e nada fez com Roberto Freire, querendo fazer notar que Roberto Freire era uma figura simpática à ditadura, é de uma maldade abjeta de Sebastião Nery. O vetusto jornalista inclusive faz um comentário idiota: diz ele que os generais de 1964 colocaram Roberto Freire para fazer a Reforma Agrária. Ora, os generais golpistas nunca quiseram implantar a Reforma Agrária. Se eles deixaram escapar, no SNI , que Roberto Freire é comunista, tanto melhor para o hoje presidente do PPS. O que Sebastião Nery queria que Roberto Freire fizesse ? Que fizesse um requerimento ao ditador de plantão solicitando demití-lo sumariamente de seu único emprego porque ele era comunista ? Ora, porque Sebastião Nery não vai plantar batatas, em vez de ficar escrevendo abobrinhas ?

    Depois, Sebastião Nery, igualmente sórdido, vem dizer que Roberto Freire é o “Elias Maluco” da política, por ter declarado que ” Serra presta um enorme serviço à democracia”, e que Roberto Freire trabalhou para eliminar, destruir, desconstruir o principal candidato da oposição e das esquerdas”: esta maldade de Sebastião Nery é fácil de rebater, até porque o vetusto jornalista não teria coragem hoje de escrever o que escreveu anos atrás – o “candidato das oposições e da esquerda” que Sebastião Nery se refere é precisamente Lula, Luiz Inácio Lula da Silva. Visionário, Roberto Freire já havia percebido muito cedo, antes dos seus pares e do povo, que Lula era um embusteiro, um aventureiro. Como a política é a arte do possível, Roberto Freire e o PPS apoiaram Serra contra Lula.

    Também é uma inverdade, que dispensa comprovação, o dito por Sebastião Nery de que o PPS foi sempre um partido governista. Estão aí para todo mundo ver os 13 anos de oposição ferrenha do PPS ao governo Lula. As eleições também são as eleições das coligações possíveis. Assim, para não dar acento ao PT e outros aventureiros na cadeira de Presidente da República, o PPS apoiou FHC, um mal muito menor do que Lula.

    Algumas vezes, como agora, na oposição, o PPS tem de se aliar à direita. No presente momento com o DEM. Mas por um objetivo maior e que é comum aos dois partidos: destruir o PT e servir à Pátria. Na época de FHC o DEM chamava-se PFL, e não há nada de estranho com a aliança provisória com Marco Maciel, quando o objetivo era derrotar o PT. Veja que mesmo nesta tentativa injusta de demonização de Roberto Freire, onde Sebastião Nery esquece até os escrúpulos de jornalista para fazer uma ofensa gratuita a Roberto Freire, em nenhum momento Sebastião Nery pôde dizer que Roberto Freire se corrompeu ou esteve envolvido em negociatas. Dito isso, transcrevo abaixo a biografia de Roberto Freire, para que você tome consciência de que ele é um homem de verdade:

    Perfil: Roberto Freire, a vida e a trajetória política do presidente nacional do PPS

    Roberto Freire é um dos mais respeitados e influentes políticos brasileiros.

    Presidente nacional do Partido Popular Socialista (PPS), nascido em Pernambuco, é atualmente deputado federal por São Paulo, de onde conduz o debate suprapartidário sobre os rumos da esquerda democrática e um novo projeto socioeconômico e político para o Brasil.

    Conhecedor profundo dos problemas brasileiros e observador crítico e atualizado dos fatos mundiais contemporâneos, Roberto Freire é reputado por toda a mídia como um político sério e competente. Não foi à toa que o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) o escolheu por 14 anos, sucessivamente, como um dos 100 “cabeças” do Congresso Nacional.

    Roberto Freire chegou a este patamar de reconhecimento público por suas idéias, convicções e atitudes. O seu nome sempre esteve no rol dos políticos sérios, sem uma só denúncia ou suspeita sobre a sua atuação – e este é o seu maior patrimônio político após 36 anos ininterruptos na política (um mandato como senador, seis mandatos como deputado federal e um como estadual).

    Família, infância e juventude

    Roberto João Pereira Freire nasceu no Recife (PE), em 20 de abril de 1942, em uma família de classe média. O pai, João Figueiredo Freire, era funcionário de pequenas empresas privadas, dos ramos de comércio e indústria na capital pernambucana, e a mãe, Maria de Lurdes Pereira Freire, cuidava dos trabalhos domésticos.

    É pai de cinco filhos: Marta, Cláudia, Luciana, Mariana e João.

    Durante a juventude, praticou várias atividades desportivas, principalmente no Sport Clube do Recife (seu time de coração), e chegou a integrar a seleção pernambucana de basquete.

    Começou a militar na política em 1962, quando era estudante da Faculdade de Direito da UFPE. Também atuou como advogado sindical no escritório de Rildo Souto Maior e Chico Maia, defendendo trabalhadores rurais sob a liderança de Gregório Bezerra (político, líder comunista, ex-sargento do Exército e dirigente da Aliança Nacional Libertadora), quando estreita suas relações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) – o velho “Partidão” de 1922.

    A trajetória do homem público

    Freire ingressou no serviço público no ano de 1967, após ser aprovado em primeiro lugar no concurso para gerente de Cooperativa Integral de Reforma Agrária realizado pelo IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária). Posteriormente, foi aprovado em concurso interno de ascensão funcional para o cargo de procurador autárquico do IBRA. Hoje é procurador aposentado do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

    Freire disputou pela primeira vez uma eleição em 1972. Candidato a prefeito de Olinda (pelo MDB), foi o mais votado, mas perdeu para a soma dos votos das duas sublegendas da ARENA.

    O primeiro mandato, de deputado estadual, foi conquistado em 1974 pelo então MDB.

    Freire protagonizou vários embates na luta pela democracia, como em 1º de setembro de 1978, quando foi o único parlamentar a subir à tribuna para contestar energicamente a eleição de governadores e senadores biônicos. Por sua conduta combativa e homem de princípios, foi considerado pelos jornalistas do comitê da Assembléia pernambucana um dos mais destacados políticos daquela legislatura.

    A partir da experiência em Pernambuco, e considerado um dos expoentes da esquerda nordestina, Freire começa a sua carreira em âmbito nacional (na foto, abraça D. Hélder Câmara).

    Foi eleito para quatro mandatos sucessivos de deputado federal, de 1979 a 1994. Em seguida elege-se senador (mandato de 8 anos). De 2003 a 2006, volta à Câmara para o seu quinto mandato como deputado federal, por Pernambuco. Em 2010 muda seu domicílio eleitoral para São Paulo e se elege novamente deputado federal, para a legislatura 2011/2014.

    Movimento Democrático Brasileiro

    Na Câmara dos Deputados, Freire foi vice-líder do MDB de Freitas Nobre e Ulysses Guimarães e participou ativamente dos trabalhos das comissões, sobressaindo-se dentre elas a que tratou da Lei de Anistia.

    Também participou na linha de frente da campanha das “Diretas Já” e, com a derrota da emenda Dante de Oliveira, enfrentou setores da esquerda equivocados (liderados pelo PT) que eram contra a participação no Colégio Eleitoral que elegeria Tancredo Neves e José Sarney, sepultando definitivamente o regime militar.

    Freire apoiou e participou do processo de reconstrução das entidades estudantis livres e da UNE. Esteve em todos os congressos que discutiram a criação de uma central de trabalhadores. Também frequentou intensamente os movimentos grevistas e sindicais dos trabalhadores, em Pernambuco, no ABC, em São Paulo e em quase todos os estados brasileiros.

    Assembléia Constituinte

    Como líder do PCB, teve papel destacado na Assembléia Constituinte. Está entre os dez parlamentares que mais frequentaram o debate em Plenário, é autor de mais de 500 propostas inseridas no texto constitucional e ajudou a resolver impasses quando conceituou o princípio da emenda aglutinativa, incorporada posteriormente pelos regimentos das Casas no Congresso Nacional e em outros legislativos brasileiros.

    Na Constituinte, Freire marcou posição em temas como a definição da função social da propriedade privada; a liberdade religiosa, de pensamento e de informação; a ampliação dos direitos individuais, incluindo o de greve para trabalhadores da iniciativa privada e para os servidores; o acesso à saúde pública por meio da criação do SUS; o fortalecimento das universidades públicas e o maior apoio à ciência e à tecnologia.

    Partido Popular Socialista

    Em 1992, tornou-se líder do governo Itamar Franco após a cassação do presidente Fernando Collor.

    No Senado (de 1995 a 2002), como líder do PPS, tornou-se referência na luta pela afirmação dos princípios republicanos, pela celebração de um novo pacto federativo e na defesa de políticas sólidas, garantidoras do desenvolvimento regional, com destaque para as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

    Socialista, humanista e libertário por convicção, ao longo de seus 32 anos de carreira pública ininterrupta, Freire se transformou em um dos símbolos na luta pelo fim da ditadura e pela retomada da democracia. E nessa caminhada sempre defendeu amplas alianças e combateu posturas de esquerda excludentes, irresponsáveis e rancorosas.

    Roberto Freire acredita que a construção de um novo Brasil passa, obrigatoriamente, pelo exercício pleno da cidadania, a consolidação e a ampliação da democracia.

    Ele sempre preconizou, nesta perspectiva, também a adoção de práticas de democracia direta – o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular de lei, princípios consignados na Constituição e que tiveram de Freire uma defesa entusiasmada e eficaz.

    No Congresso Nacional, destacou-se pela regularização da situação dos estrangeiros, empenhou-se na ampliação dos arcabouços legais para ampliar a reforma agrária, apresentou projeto para garantir as eleições diretas para os cargos de reitor e vice-reitor de universidades federais.

    Paralelamente às atividades parlamentares e institucionais, Freire escreveu o seu nome na história como um homem aberto a novas idéias. Compreendeu criticamente os erros praticados sob a esfera do chamado socialismo real e, com coragem, liderou com outros antigos comunistas a travessia da velha tradição democrática do PCB à tradição renovada do PPS, criado em 1992.

    Em um cenário (nacional e internacional) onde as forças conservadoras insistem em proclamar o óbito do pensamento socialista, Freire sempre defendeu publicamente a possibilidade histórica de construção de novos paradigmas a partir dos princípios do socialismo, como a igualdade, a liberdade, a democracia e a justiça social.

    Foi esta visão de mundo que Roberto Freire expôs em sua impactante campanha à presidência da República, em 1989, juntamente com o saudoso sanitarista Sérgio Arouca (candidato a vice).

    Freire superou a visão tradicional da esquerda marxista – os comunistas aí incluídos – ao vislumbrar o socialismo democrático e ao mostrar a inevitabilidade da globalização, ao mesmo tempo em que defendia a afirmação, dentro dela, dos valores democráticos e humanistas (e não os interesses do mercado, como sempre quis o neoliberalismo).

    Aberto ao diálogo e avesso a posições sectárias – embora sem vacilar em relação a princípios -, Freire nunca vergou à direita nem fez concessões ao esquerdismo infantil, que tem por hábito se apresentar sempre com roupagens novas. Nesse sentido, acredita na construção de uma nova formação política no Brasil, capaz de conceber e executar novas estratégias de desenvolvimento e justiça social, tendo o PPS como um desses instrumentos.

    Colocou-se em oposição ao governo Lula antes mesmo da revelação de sucessivos escândalos como mensalão, propinoduto, sanguessugas etc. Freire e o PPS foram os primeiros a afirmar publicamente que o novo governo não tinha projeto de Brasil e que dificilmente esse objetivo seria alcançado durante o exercício de poder. Por vários meses, denunciou a aliança de Lula com as velhas idéias econômicas e com grupos políticos fisiológicos e corruptos no Congresso, e sugeriu ao governo correções de rumos – que jamais foram ouvidas por Lula.

    Leia também:

    * Entrevista com Roberto Freire

    * Conferência da Esquerda Democrática

    * “Para entender o PPS: Um partido decente, uma opção consciente”

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