A lição de Juscelino continua valendo: ‘Deus me poupou o sentimento do medo’

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Sebastião Nery

Candidato a presidente, Juscelino saiu pelo País visitando o PSD. Desceu na Bahia. Antonio Balbino, governador do PSD, ainda estava em cima do muro:

– Qual é a verdadeira posição do Café?

– Qual deles, Balbino? O vegetal ou o animal?

Foi para Pernambuco. Etelvino insistia:

– Juscelino, vamos rever o assunto de fazer a união nacional.

– Etelvino, já sei que você está contra mim, Quando você fala em união nacional, na verdade está pensando em União Democrática Nacional.

– Então você não quer a união?

– Ora, Etelvino, candidato não faz união. Candidato disputa. Quem faz união é governo, depois de empossado.

NÃO TINHA MEDO – E JK voltou para Minas. Em 31 de dezembro, o chefe da Casa Militar da Presidência da República, Juarez Távora (depois candidato da UDN, derrotado por Juscelino), entregou a Café Filho um documento em que “as altas autoridades militares apelavam para uma colaboração interpartidária, um candidato único e civil”.

O documento só foi divulgado no dia 27 de janeiro, em “A Voz do Brasil”. Juscelino respondeu com um discurso duro, escrito por Augusto Frederico Schmidt, que terminava com a frase magistral: “Deus me poupou o sentimento do medo”

A QUEDA DE LÚCIO – Lúcio Bittencourt, querido professor da Faculdade de Direito de Minas, fundador do PTB, deputado federal, era um bravo nacionalista. Quando os estudantes começaram em Minas a campanha de “O petróleo é nosso”, em 1953, convocamos um comício para a praça da estação e convidamos os parlamentares.

A polícia proibiu, alegando que era comício dos comunistas. Nenhum deputado federal apareceu. Apenas alguns estaduais e dirigentes estudantis na praça cheia, cercada pela polícia. E lá na frente, servindo de palanque, vazio, só o microfone, um caminhão sem as laterais.

De repente, chega o deputado e já candidato a senador Lúcio Bittencourt, alto, magro, terno claro, bigodinho preto, e vai direto para o caminhão. Fomos juntos, A polícia não teve coragem de barrá-los. Alguns de nós falamos. Ele pegou o microfone e começou:

– Ontem, chegando a Minas, li nos jornais que a polícia havia proibido este comício. Liguei para o governador Juscelino, ele me disse que eram ordens do Rio. Confesso que tive dúvidas de vir. Mas à noite, dormindo, ouvi o povo me dizendo: Vai, Lúcio, vai! Vai!

E Lúcio foi. Deu um passo à frente e caiu embaixo do caminhão. Ainda tentei segurá-lo pela ponta do paletó, não adiantou. Desabou. Acabou o comício. No dia seguinte, no Palácio, Juscelino dava gargalhadas:

– Eu bem que disse a ele. Não vai, Lúcio, não vai! Não vai!

ANISTIA – Mal JK tomou posse na Presidência da República, em 31 de janeiro de 1956, começaram os levantes militares para derrubá-lo. Juscelino sufocou e mandou para o Congresso um projeto de anistia. A bancada do PTB ficou contra. Oswaldo Lima Filho, líder da bancada, liga para Jurema e comunica que o partido está contra a anistia aos militares sequestradores de avião. Jurema informou a Juscelino, que, do outro lado do telefone, justificou:

– Jurema, diga aos petebistas que não quero governar com mártires.

A anistia foi aprovada.

PROMOÇÃO – Pena Botto, almirante psicopata, entrou na lista de promoções. Juscelino promoveu. Os amigos protestaram. Juscelino explicou:

– Pode ser um mau político, mas é um ótimo marinheiro.

E Juscelino convidou Aberlado Jurema para líder do governo na Câmara.

Abelardo lembrou que havia outros em melhores condições, como Ulysses Guimarães. Juscelino reagiu:

– Você está doido, Jurema. Ulysses na liderança, já no outro dia está pensando em ser candidato à Presidência. E aí, adeus Juscelino.

RASTEIRA DE DILMA – Lula entregou o governo a Dilma e levou uma rasteira. Quando quis substitui-la, era tarde.

Michel entregou a Procuradoria-Geral da República à doutora Raquel Dodge, que está gostando muito do poder, e agora Temer foi atropelado por ela e pelo melífluo Barrosinho, herança de Dilma.

5 thoughts on “A lição de Juscelino continua valendo: ‘Deus me poupou o sentimento do medo’

  1. Daí JK fez Brasília, à moda “Ilha da Fantasia” do $istema político apodrecido há muito tempo, que, aliás, já nasceu apodrecido, repudiado até mesmo pelos seus próprios autores. E assim, juntou-se num mesmo espaço a maior quantidade de aproveitadores, corruptos e vampiros por metro quadrado não só do país mas tb do mundo, um enorme desperdício de dinheiro público, uma sangria financeira desatada, que, aliás, levou a república dos me$mo$ à morte.

  2. Brasília é uma cidade feia. O Palácio do Planalto parece um barracão de concreto aparente; os penicos do Legislativo com um tijolo entre eles não ficam para trás.
    Além de ser um desastre arquitetònico fica localizada onde o judas perdeu as botas.
    Juscelino fez muito mal ao Brasil ao mudar a capital para o interior.

  3. O Democrata, presidente bossa nova, quando criou Brasília, simplesmente tirou o povo de perto do poder central. Em Brasília no plano piloto, só moram políticos, funcionários públicos e militares. Não tem povo ou base trabalhadora, esses moram nas cidades satélites. Essa foi a grande contribuição de Juscelino. E tem gente que acha que ele foi um grande presidente.

  4. Impressiona-me como um local deste imenso Brasil pode ser culpado pelo que o homem faz de mal para si e semelhantes!

    Culpar Brasilia pela corrupção atual – lembro que foi inaugurada em 1.960, portanto, há 58 anos -, simplesmente me faz usar o exemplo gasto e roto do sofá, retirado da sala porque a mulher do dono da casa o traía em cima daquele móvel!

    E como que as pessoas que residem no Plano Piloto ou nas cidades satélites não são povo, e que este está distante do poder central?!

    Nesta época da comunicação instantânea?
    De aviões a cada meia hora para a capital?
    Nesta fase onde a TV cobre o mundo na hora dos acontecimentos?

    Quer dizer que os funcionários públicos são seres diferentes porque residem no Plano Piloto, e povo somente os que moram nas cidades satélites?!

    Na verdade há muita má vontade com Brasília!

    Juscelino foi um grande presidente, sim, e somente quem desconhece a história para julgá-lo dessa maneira, por favor!

    O Brasil desconhecia a si mesmo.
    A construção de Brasília fez com que o Sul conhecesse o Norte, o Leste ao Oeste, o Oeste ao Sul, o Leste ao Norte, além de rasgar o país em estradas e fomentar a indústria automobilística.

    Não bastasse esses desenvolvimentos, Brasília foi o último El Dorado do planeta!

    Pessoas de quase todos os países do mundo foram atraídas para construir a cidade e capital.

    O país passou a ser um corredor de gente que se dirigia para o Planalto Central em busca de progresso, uma vida melhor, um futuro!!!

    Se houve dinheiro bem empregado foi em Brasília, retirando do Rio de Janeiro e São Paulo os poderes que estas ambas cidades majestosas tinham sobre o povo brasileiro e sobre o próprio Brasil.

    O resto era interior, desconhecido, atrasado, abandonado, sem importância no contexto nacional!

    A centralização do poder em uma cidade, e no meio do país, permitiu que o cerrado albergasse o asfalto, os edifícios, casas, comércio e indústria, e possibilitando que os demais Estados passassem a ser parte efetiva da Federação, antes, em 67, chamada República dos Estados Unidos do Brasil, que perdurava desde 1.891.

    Juscelino fez um grande bem para o povo e país com Brasília.

    Eu fui candango, pois para lá saí do Sul em 1.959!!!

    Vi o ritmo frenético das construções;
    dos trabalhadores que viravam dia e noite no erguimento de prédios;
    nos tratores que rasgavam as estradas que levariam as pessoas em busca de seus sonhos e aspirações.

    E assisti o crescimento das cidades satélites:
    Taguatinga, Gama, Sobradinho, Núcleo Bandeirante (Cidade Livre), Setor de indústria e bastecimento.
    E eu olhava admirado quando os caminhões denominados de pau-de-arara, descarregavam pessoas depois de uma semana viajando em suas carrocerias, sem o menor conforto!

    Mas eu ficava ofuscado pelo brilho nos olhos dessa gente, pois pisavam em solo que não só era deles também, mas porque ali encontrariam trabalho, sustento e crescimento!

    Critiquem o ladrão, o corrupto, os parlamentares traidores do povo e país, menos a cidade, o local, aqueles que moram e nasceram em Brasília, que foi decisiva para que o país fosse alancado do seu estado onde no exterior Buenos Aires era conhecida como a sua capital, para mostrar as linhas de uma cidade moderna, sem cruzamentos, arrojada, e que beneficiou milhões de pessoas!

    Não gosto quando leio que certos locais do Brasil são desprezado ou desconsiderados por causa dos maus homens, de pessoas sem caráter ou, por acaso, não havia no Rio, antiga capital, corrupção, roubos, intrigas palacianas?!

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