A mediação do Brasil no caso do Irã nuclear

Edson Khair

A recente mediação do Brasil entre as potências ocidentais e o Irã a cerca de seu direito de ter ou não armas nucleares é tema para rica discussão.

As tecnologias do ciclo nuclear do século XX não são segredo para nenhum país que pretenda ter a bomba como elemento de dissuasão. A história recente mostra que é fator de equilíbrio entre potências nucleares. Os próprios estrategistas militares israelenses mais sensatos concordam com esta tese e estes fatos.

Não  é outra a opinião do historiador israelense Martin Van Creveld, da Universidade de Jerusalém. Defende o especialista militar de Israel que um Irã dotado de arma nuclear não seria necessariamente perigoso. Sustenta ainda que as tecnologias do ciclo nuclear não são segredo. Quase 65 anos após Hiroshima e Nagasaki, qualquer Estado importante pode adquirir armas nucleares, diz o especialista israelense da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Ele é bem mais polêmico ao defender que um Irã dotado de arma nuclar não seria necessariamente perigoso. Ele sustenta que todos os países importantes que se dotaram desse armamento não entraram mais em guerra convencional entre eles – nem houve a 3ª Guerra mundial entre EUA e URSS, nem Índia e Paquistão, que guerrearam em 1946, 1947 e 1965, entraram em grandes conflitos desde então. Mesmo a dissimulada bomba israelense teria impedido conflitos convencionais com vizinhos após a guerra de 1973.

Assim, como aconteceu quando a Índia estava confrontando o programa nuclear do Paquistão e os EUA confrontavam o da Coréia do Norte, o momento mais perigoso é o chamado período de risco antes de um país adquirir aramas nucleares. Supondo que (Mahmoud) Ahmaddinejad tenha sucesso em navegar por este período, há uma chance de igual para igual que ele se torne menos aventuroso, não mais, diz Van Creveld.

Assim, o Brasil como país soberano que é, ou deveria ser, tem o direito de promover ações diplomáticas, no concernente ao explosivo tema. Até Antoine Braussant, assessor do presidente francês Nicolas Sarkozy para assuntos nucleares, em recente declaração à imprensa concorda com tal iniciativa brasileira. Não aceitar tal ponto de vista é fazer o jogo incondicional das potências colonialistas do século XIX e imperialistas do século XX.  Estamos no final da primeira década do século XXI. As coisas não são mais iguais aos séculos anteriores, vide Iraque e Afeganistão.

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