A mediocridade impera no Congresso Nacional

José Carlos Werneck 

Quando iniciei minha carreira jornalística, em 1969, como repórter da sucursal de Brasília de O  Globo, estranhei quando um veterano jornalista, responsável pela cobertura do Congresso Nacional, dizia a todos os novatos que “a política era uma das atividades mais sujas do mundo.”

Eu particularmente ficava indignado, pois desde o tempo que a Capital era no Rio de Janeiro, gostava de assistir, tanto no Monroe quanto no Palácio Tiradentes e depois em Brasília, os discursos feitos pelos grandes oradores, não importando sua ideologia e sua filiação partidária.

Ficava empolgado com a inteligência de Carlos Lacerda e de Santiago Dantas, com seus discursos repletos de cultura e erudição, verdadeiras aulas magnas sobre os mais variados assuntos, que dominavam plenamente e com total segurança. Isso sem falar no destemor de Adauto Lúcio Cardoso, na fina ironia de Aliomar Baleeiro, na serenidade de Milton Campos e na elegância de Afonso Arinos.

Hoje, quando vejo as entrevistas e declarações feitas pelos senadores e deputados do Congresso recém-instalado, fico assustado e totalmente descrente de que seus membros, com raríssimas e honrosas exceções, possam fazer alguma coisa de útil em benefício do País.

Sei perfeitamente que o funcionamento de um Poder Legislativo pleno não depende tão-somente de um Congresso Nacional composto de grandes oradores e de homens e mulheres possuidores de rara inteligência e vasta cultura.

O Legislativo é o mais democrático dos Poderes, por reunir representantes das mais variadas origens e profissões. É o retrato mais perfeito de uma nação. É um verdadeiro cadinho onde se misturam as mais variadas tendências e opiniões. Os que lá estão conquistaram seus mandatos pelo mais poderoso instrumento da Democracia: o voto popular, que tem o mesmo valor, seja ele do mais rico banqueiro ou do mais humilde operário.

Pobre do País que tiver um Legislativo composto só de jurisconsultos, de sábios e de refinados intelectuais. Mas daí irmos de um extremo a outro, também, é uma aberração. Nunca o Congresso Nacional esteve tão carente de homens de talento e preparados para exercerem suas tão nobres e importantes atribuições.

Tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal sempre tiveram, em sua História, figuras exóticas, homens de pouco saber e até mesmo semianalfabetos. Mas, sem dúvida, eram uma minoria, que se perdia entre tantos representantes à altura de suas funções.

Mas a atual Legislatura parece primar pela indigência intelectual, pelo despreparo e pela primariedade. Parece que a mediocridade fez questão de imperar triunfante no Legislativo brasileiro.

Isto tudo sem falar nas alianças espúrias, em que não só antigos adversários, mas até inimigos ferrenhos, sorriem e se aliam em conchavos que, ao que tudo indica, nem de longe visam o bem público.

Nunca em toda a minha vida pensei, um dia, que iria concordar com aquele velho companheiro, que teimava em afirmar que “a política era uma das atividades mais sujas do mundo”.

Pobre Brasil!

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