A mesma atmosfera sinistra de 1964 desce em forma de nuvem sobre o Planalto em 2021

TRIBUNA DA INTERNET | Decisão histórica do STF permite prisão de Lula e  afasta risco de golpe militar

Charge di Duke (O Tempo)

Pedro do Coutto

Há exatos 57 anos, uma atmosfera tão densa quanto extremamente perigosa para as instituições democráticas tomou conta do país e teve seu desfecho dramático a 31 de março. O Correio da Manhã publicou seguidos editoriais na primeira página desestabilizando ainda mais o governo João Goulart. O presidente foi deposto e uma ditadura militar instalou-se no país para prolongar-se por 21 anos.

O governo atual demonstra que não consegue sequer apresentar um projeto de desenvolvimento para a Nação. Sem projeto. a constelação dos interesses de sempre predomina e a esperança para a população se evapora.

ERROS EM SÉRIE – Agora, em 2021, surge uma nuvem e o clima se repete, marcado pela incerteza, os erros em série do presidente Bolsonaro acumulam-se e comprimem a realidade brasileira.

São fatos em todos os sentidos culminando com sua fala de quinta-feira, quando absurdamente chamou de frescura os prantos dos brasileiros em consequência das centenas de milhares de mortes pelo coronavirus.

Penso que o chefe do executivo atingiu o ponto máximo, inconcebível para um presidente da República assumir tal posição e dirigir-se à nação da forma como se expressou.

NAU SEM RUMO – O governo transformou-se em uma autêntica nau sem rumo, deslocando-se para o redemoinho que coloca em risco a Democracia brasileira.

No meio da tormenta e do desatino, alguém aproveitou-se da crise na Petrobrás para em meia hora adquirir 4 milhões de certificados de ações preferenciais, numa jogada de alguém especializado a lucrar 18 milhões de reais. Mas esta é outra questão.

Reportagem de Mariana Durão, no O Estado de S. Paulo de sábado, revela detalhes da operação escandalosa. A CVM abriu investigação para descobrir o autor ou autores da informação privilegiada. Não será difícil. Todas as ações atualmente são nominativas sejam elas preferenciais ou ordinárias.

21 thoughts on “A mesma atmosfera sinistra de 1964 desce em forma de nuvem sobre o Planalto em 2021

  1. Bom dia , leitores (as):

    Senhores Pedro do Coutto , J.Béja , Carlos Newton e Marcelo Copelli aonde esta a ” AUTORIDADE MORAL ” dos membros do ” Congresso Nacional ” , para darem um basta nessa ” SANHA CRIMINOSA ” do Presidente Jair Messias Bolsonaro ?

  2. Nada parecido com 64.
    Naquela época havia um articulação meticulosa. Golberi e alguns poucos militares intimamente articulados com a embaixada americana. Planejaram cada passo.
    O que temos hoje? Um bando de militares aliados a um bando de milicianos. Todos batendo cabeça. Sem rumo sem articulação e com objetivos indefinidos.
    A melhor definição: uma zona.

    • Tudo planejado. O mote era o comunismo! E a religião católica apoiou em peso. A primeira tentativa em 61 serviu para melhorar o planejamento p 64.

      • Exatamente (!!) Estampam jornais da época. Já fui em várias exposições e pude lê-los. Mas parte de grupos e liderança católica eram contra. Como sempre, uma minoria esclarecida, mas que numa instituição com tantas ramificações e estruturas de poder não tinham decisão alguma.

  3. Não vejo nenhuma possibilidade de repetição de 64. Hoje não paira em nossa atmosfera a contaminação ideológica de Fidel e do Ché, a USSR já desapareceu e do outro lado do oceano (como dizia Lula) temos os USA que não permitiriam tal conturbação no continente americano. Sem dar um só tiro os americanos do norte colocariam os possiveis ditadores generais no penico.
    O nosso mal maior é o empobrecimento, a corrupção, a má educação e o crime banal que crescem silenciosos como um tumor canceroso. Esses sim devem ser os motivos de nossa principal preocupação.

    • Uma sugestão à vista: brasileiros importam centenas de bugigangas do Paraguai, para se livrarem dos altos preços dos produtos nacionais.
      Atualmente, lá o povo está em guerra pela retirada do presidente. Mais uma vez poderíamos importar esse exemplo dos nuestros hermanos, para nós livramos também da veriante Bolsonavírus que nos atormenta.

  4. No Brasil, já se experimentou quase tudo. E, pela enésima vez, tem sido provado que democracia aqui significa tentar ancorar um barco sobre um mar revolto.
    Se a corrupção é exclusividade daqueles que orbitam as camadas mais altas, tanto da esfera pública quanto a privada; aí nenhum Mandrake ousa apontar uma solução.
    Se a miséria também for um dos ingredientes que incomoda os mais sentimentalistas, quem sabe, a médio prazo, o método de Alberto Fujimori não seria um atenuante, qual seja: mandar castrar a população mais despossuída.

    • Ao invés de niilismo, prefiro acreditar que, na minha Pasárgada Jabuticaba, ainda surja um ditador sensato, capaz de aglutinar em torno si, brasileiros comprometidos com uma assepsia geral da nossa pátria. Mesmo que os fins justifiquem os meios.

  5. Pedro do Coutto é um dos ícones neste blog incomparável, e tem uma certa razão ao postar a sua preocupação com o momento atual, e analisando-o mediante algumas semelhanças com 64.

    A meu ver, no entanto, as identidades com aquele ano são pequenas, e não seriam capazes de motivar a queda do governo eleito pela maioria dos eleitores.
    Em princípio, os militares estão no poder, logo, impossível derrubarem a si mesmos.
    E, por incrível que pareça, por mais desastrado que seja Bolsonaro as FFAA o deixarão incólume, pois qualquer aprovação na sua saída do Planalto será um atestado, delas para consigo mesmas, do quanto são incapazes e incapacitadas para governar o país, mesmo na condição de auxiliares ou coadjuvantes.

    Mas, essa visão particular e menos abrangente, em consequência, tem o seu aspecto altamente negativo:
    Bolsonaro jamais irá mudar o que é ou corrigir seus erros graves na presidência até aquela data.
    Se os militares pensam que, em 22, poderão resolver a destruição deixado pelo ex-oficial subalterno através de uma candidatura própria, o fiasco poderá ser imensurável, pois o povo não mais acreditará em quem quer que esteja fardado reivindicar a chance de conduzir os destinos do país e da população.

    A omissão dos militares mais uma vez cobrará um preço elevado de suas instituições, que será o descrédito, a falta de confiança, e a consciência absoluta que os vestidos de verde-oliva, azuis e brancos, deixam a desejar quando a questão é administrar, ser justo, e pensar no país para que alcance o desenvolvimento e diminua as injustiças sociais.

    Não existe no conceito militar “cortar a própria carne”, então submete-se à derrota que render-se ao inimigo.
    Durante uma guerra é até válido tal procedimento mas, em tempos de paz, significa permanecer com o tumor, mesmo que este o leve à morte!
    Em outras palavras:
    Manter Bolsonaro ou impedir que o congresso vote em uma das solicitações de impeachment do presidente, quer dizer aceitar a infecção, mesmo havendo tratamento para curar o mal instalado no organismo.

    Conclusão:
    Falta ao militar brasileiro capacidade para se defender, pois aprendeu somente atacar.
    Em síntese, a minha frase de tempos atrás consolida-se com o tempo:
    Jamais um militar será político, assim como nunca um político poderá ser militar.

    O resultado dessa mistura heterogênea está para todos perceberem quando existe essa tentativa de adulterar a realidade nacional:
    O Brasil desandou, e não há mais como esse sistema consiga reerguê-lo novamente.

    • Bendl, bom dia! Como vai? Espero que tudo bem.
      Sobre uma questão pontual que comentou, gostaria de fazer uma intervenção – não é militar, não se preocupe!
      O caro amigo citou que Bolsonaro foi eleito pela maioria dos eleitores:
      “governo eleito pela maioria dos eleitores.”
      Ora. Essa maioria foi dia votos. E maioria de votos dados em comparação com os recebidos pelo outro candidato.
      Se fosse levar em conta brancos e nulos e, ainda, os eleitores que não votaram, os votos das urnas em Bolsonaro não chega a 1/3 de todos os eleitores.

      • Prezado Leão,

        Tudo bem contigo?
        Comigo é na base do “vai ou racha”.

        Maioria dos eleitores que compareceu às urnas, pois os demais que não votaram ou não puderam ou não quiseram, devem ser deixados de lado quanto à questão eleitoral.

        Fosse assim, há muito tempo que não elegeríamos um presidente.
        Nulos, brancos e ausentes não contam como passíveis de cálculo válido à eleição.

        Aliás, esse é um dos erros clamorosos e antidemocráticos do voto obrigatório, além de caríssimo aos cofres do país.

        Fôssemos livres para votar, e somente valeriam os depositados nas urnas, diminuindo em muito os nulos e brancos, pois haveria muito mais interessados em votar que desse jeito, obrigados.

        Digo mais:
        Certamente nas próximas eleições haverá mais votos brancos, nulos e ausentes, onde a democracia passará a ser contestada porque, de fato, a maioria DO POVO não votou, mas apenas e tão somente aqueles que compareceram e votaram em algum candidato.

        Se democracia é a maioria … o sistema eleitoral brasileiro é uma fraude, um embuste, uma pantomima.

        Abração, parceiro.
        Saúde e paz.

    • Concordo com sua frase : “Jamais um militar será político, assim como nunca um político poderá ser militar.”
      Mas no Brasil é difícil falar isso para um militar.
      Já nos EUA vimos um exemplo do alto comando na última eleição presidencial.

      • Nunca antes Maquiavel teve tanta razão quanto ao conteúdo do seu célebre livro, O Príncipe, há 500 anos, aproximadamente, de sua publicação.

        Dê poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é.

        Se até os santos sucumbem às tentações, o que dirá pessoas comuns, seres humanos com problemas variados e exóticos, dificuldades, caráter, personalidade, honra e decência, apenas como retórica.

        Outro abraço.

    • Não vejo nada que possamos chamar de Forças Armadas no Brasil. O Brasil tem um monte de gente fardada que nunca se deparou com um inimigo desde os tempos de Adão e Eva.
      Com a paz secular e recursos sempre obtidos em nome da defesa da democracia e do torrão natal, os militares se acomodaram ás regalias e ao sossego do quartel.
      Dada essas circunstâncias e a falta de projeção nacional da entidade militar, oficiais superiores e generais passaram a trocar a subordinação bovina ao poderoso da vez em troca de benesses e realização pessoal.

  6. Bom dia, nobre Pedro Couto!

    As instituições no Brasil – que se torna cada vez mais inflamável – não têm a mesma rigidez que vimos nos EUA.
    Minha impressão é que o país se afundará no caos.

    Avança a militarização nos órgãos e se emprega o controle das pautas, monitorização e exonerações de quem deveria diverge do pensamento oficial….

    Mas os ocupantes de cargos de chefia institucional dos órgãos responsáveis pela fiscalização e o controle jurisdicional (Ministérios Públicos e Judiciário) não têm interesse de impor limite algum, com raras excessões partindo de grupos temáticos de Promotorias e Procuradorias de Tutela Coletiva – historicamente integrados por progressistas.

    Essas instituições criaram nas últimas décadas cargos comissionados em proporção muito superior a de efetivos. E distribuem para quem querem. Logo, a maioria mais alinhada à direita. Muitos reacionários que saíram do armário. E mesmo efetivos… Quem tem condições de ser aprovado e ingressar
    em determinados órgãos no serviço público como Judiciário, Ministério Público, Polícias (nas PMs, o oficialato) senão a classe média e media-alta que responde por grande parte do eleitorado antipáticos aos movimentos sociais (???)

    Temos, portanto, que há uma tolerância no meio público entre as forças da direita.

    Fecham os olhos para a realidade da maioria da população sob profundas desigualdades sociais, econômicas e deixam cada um à própria sorte e aos interesses do mercado vai gerar muito.

    Tenho é que eles querem mesmo que seja mergulhado no caos social para servir de desculpa para endurecer através das Leis e meios de opressão com as forças de segurança*

    (*) aliás, as únicas que tiveram branda Reforma da Previdência seja da União ou dos Estados. As únicas que o teto e controle de gastos e recuperação fiscal a que estados foram submetidos não atinge, continuando aumentando as remunerações.

    Enfim. E comprando os militares com cargos em órgãos civis não é coisa exclusiva do Governo Federal não. Vemos nos Estados e Municípios. Centenas de Policiais e Bombeiros militares cedidos as Casas Legislativas, ao Judiciário, ao Ministério Público, até às Guardas Municipais, e mais recentemente, na Educação com escolas sob diretrizes militares.

    Está tudo sendo arrumado para tornar o Brasil um modelo de Venezuela ao contrário.

  7. Lembrando um pouco da história do nosso país.

    Em 1822 e 1898 o Brasil passou por duas revoluções cometidas por militares, com isto o Brasil tornou-se estado laico democrático…

    Mais recentemente, durante as décadas de 60,70 os militares fizeram mais algumas maravilhas. Geisel, lotou as universidades federais com professores esquerdistas doutrinadores. Golbery do Couto e Silva, fabricou o Lula e o PT. e para fechar com chave de ouro a década de 70, João Figueiredo deu anistia a todos os bandidos que eles tinham prendido….

    Agora colocam no poder um militar Fabiano que se auto proclama conservador.

    Por fim, os militares conseguiram implantar o comunismo no país começado lá em 1822.

    “Democracia é a estrada para o socialismo”.

    – Karl Marx

  8. Concordo com Pedro do Couto no conteúdo e na forma. Há sim, nuvens terríveis no horizonte.
    Já estão postando que a Democracia é a ante- sala do Comunismo. Alguns líderes religiosos pentecostais, repetem que o Humanismo não é referendado pelo Senhor.
    Aonde nós vamos parar com tantas fakenews, produzidas pelo Gabinete do ódio?
    A marcha para o cadafalso está em plena elaboração.
    Trata-se do processo capitalista tramado pela Escola de Chicago, de destruir para depois construir sobre novas bases liberais. Não importa para esse grupo de economistas, que seguem o guru Milton Friedman, que utilizou como cobaia, o Chile. O general golpista Augusto Pinochet seguiu a risca a cartilha. Milhares de chilenos foram assassinados sem dó nem piedade. A maldade dos generais chilenos com seus cidadãos, do não foi pior do que a dos generais argentinos, cujo general Presidente Galtieri ainda declarou guerra a Inglaterra pelo controle das Ilhas Malvinas e perdeu lógico. Centenas de soldados argentinos morreram congelados sem preparo para enfrentar temperaturas abaixo de zero. Uma carnificina.
    Paulo Guedes trabalhou para o regime militar chileno. Lógica conclusão: Tem experiência suficiente para tocar a Economia em Ditaduras, já em regime democrático é uma completa nulidade. Não tem o traquejo, na Democracia, pois deve explicações ao Parlamento, que ele despreza. Queria acabar com o INSS e criar a execrável Capitalização, modelo chileno, que está gerando lá no Chile, uma pobreza insana nos aposentados.
    Que destino cruel, legaram para os Latino Americanos.

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