A meta: esfolar o cidado comum

Carlos Chagas

Num objetivo acoplam-se perfeitamente o interesse pblico e o interesse privado, melhor dizendo, a ao dos agentes pblicos e dos agentes privados: na voracidade de depenar o cidado comum. Para cada lado que se olhe acontece a mesma coisa. Ainda agora, em Braslia, o governo local vai distribuir os tales de pagamento do IPTU. A mdia dos reajustes deve ser de quase 100%. Quem pagou ano passado mil e poucos reais serᠠ taxado em mais de dois mil reais. E assim por diante.

A rapinagem no ser to grande quanto a praticada pelo ex-governador Jos Roberto Arruda, mas de qualquer forma os prognsticos parecem trgicos.Ser um exagero, porque a inflao, ano passado, no passou de 6%, mas se no estrilarmos, no se falar mais no assunto. Trata-se de falta de exerccio da cidadania, para a maior parte da populao.

Deveriam os brasilienses ir em frente e exigir do governo local uma explicao: quem determinar os abusivos reajustes? Uma iniciativa de amanuenses aloprados, de chefes abominveis, ou l de cima, mesmo, atravs de no mnimo, a concordncia do governador com esse ato explcito de esfolamento do semelhante? Claro que ningum vai investigar, muito menos o governo do Distrito Federal, ficando o dito pelo no dito, ou o esfolado pelo no esfolado.?
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Passando do plano estadual para o federal, nem ser preciso referir que enquanto as grandes empresas burlam o fisco, empenhando-se anos e at dcadas a fio em batalhas judiciais sem pagar impostos e tributos, milhares de contribuintes comuns, dos que vivem de salrio, so assoberbados com notificaes da Receita para comprovarem despesas mdicas e outras, nas declaraes anteriores do Imposto de Renda.Parece o caminho para o poder pblico vangloriar-se do aumento de arrecadao.
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Mas tem mais, l e c. Ainda esta semana os assinantes da famigerada NET esto sendo surpreendidos no apenas com o aumento das mensalidades, mas com a supresso de razovel nmero de canais antes acessados conforme os contratos. Para assisti-los, agora, ser necessrio pagar por fora, como no caso anterior de torneios de futebol e de filmes no to velhos quanto os apresentados normalmente. Isso sem falar em que, quando lanados os canais a cabo, a promessa era de que no conteriam publicidade ou propaganda de qualquer espcie.
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S isso? Nem pensar. Tambm no ltimo ano do presidente Lula o governo autorizou o aumento generalizado no preo dos remdios. A informao era de que tudo se limitaria a 4%. V o leitor reclamar na farmcia da esquina. Mesmo proibidos os reajustes, eles no pararam de acontecer nos ltimos doze meses. Agora, autorizados, passam de 30%.
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Reclamar para quem? No setor pblico, mesmo com o advento dos companheiros ao poder, primeiro municipal, depois estadual e agora federal, continuam a fluir as propinas e comisses pela realizao de qualquer tipo de obras ou contratao de servios. S que com um detalhe: antes, cobrava-se 10%. Hoje, a regra de 30%.?
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Essa simbiose entre o pblico e o privado parece no ter limites. Quem no dispor de um exemplo a mais, no seu dia-a-dia, para demonstrar como somos explorados?
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VERSO REAL OU FANTASIOSA?
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Corre nos meios diplomticos que durante a visita do presidente Hu Jintau, da China, aos Estados Unidos, houve tempo para que conversassem fora da agenda, olho no olho, assistidos apenas por intrpretes da maior confiana. Foi a hora de falarem duro. Barack Obama teria deixado claro que se os chineses colocassem os americanos na fogueira por conta da pujana econmica, de um lado, e a crise ainda latente, de outro, Washington teria condies de retaliar, at mesmo denunciando o regime chins como ditatorial. Melhor seria que acomodassem interesses.

O visitante teria aberto o jogo, dizendo no dispor a China de outra soluo a no ser seguir em frente em sua expanso, at atropelando parte do planeta. Explicou que do bilho e trezentos milhes de chineses, apesar de todo o progresso econmico l verificado, apenas 400 milhes estavam tendo acesso aos benefcios da modernidade. Sobravam 900 milhes ainda vivendo na pobreza, limitados no interior, sem permisso para aproximar-se do milagre a que tero acesso apenas com o tempo.

Provocar esse equilbrio instvel atravs de campanhas mundiais contra a China seria correr o risco de uma exploso que s o regime fechado consegue conter. Nessa hiptese, todos os interesses estrangeiros, em especial americanos, em seu territrio, seriam reduzidos a p. Valeria pena esse confronto?
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Se no verdadeira essa verso, pelo menos tem lgica…

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