A misteriosa origem de muitos votos para Dilma

Percival Puggina 

 Tenho pensado muito, nestes dias, sobre os motivos que levam grande número de pessoas a votar na candidata do PT. Como método de análise, tratei de classificar esses eleitores em grupos ordenados segundo as prováveis motivações.

O primeiro, e certamente o que abriga maior número de cidadãos, é composto por aqueles que recebem do governo algum benefício de natureza social compensatória. Ainda que os principais programas assistenciais em vigor venham de governos anteriores, parece fácil iludir tais pessoas com a ameaça de que uma mudança no comando do país implica o risco de extinção de tais auxílios.

O segundo grupo é formado pelo numeroso e privilegiado contingente de membros da nomenklatura petista, investidos em posições de mando ou ocupando postos de indicação partidária no governo, em empresas estatais, no próprio Estado e na administração pública. Para esses eleitores não existe qualquer dúvida: uma derrota petista significa o fim do contracheque. Frequentemente, esses contracheques guardam nenhuma simetria com a qualificação e os serviços prestados pelos recebedores.

O terceiro grupo inclui o vasto contingente de pessoas cujos postos de trabalho e fontes de renda provêm dessa miríade de organizações não governamentais (ONGs) cujos recursos, paradoxalmente, procedem do erário nacional. Para franquear acesso aos fundos públicos, o governo e seu partido levam em altíssima conta a posição política daqueles que as dirigem. Vale o mesmo para o recrutamento de recursos humanos às atividades fins.

O quarto grupo é formado pelos aficionados ideológicos. São eleitores que colocam a ideologia acima de tudo. São cegos a toda evidência.

O quinto grupo agasalha (o verbo agasalhar cabe bem para estes) todos os que, graças ao PT, vivem à vida regalada sem serem do governo. Atuam no restrito universo das grandes empresas, no mundo da cultura, da publicidade, fazendo negócios multimilionários com o governo. E com os governantes.

O sexto grupo, sem fixações ideológicas e interesses individuais, está a par dos fatos, acompanha as notícias, reprova os malfeitos, conhece os dados econômicos e se preocupa com a situação nacional. E, ainda assim, vota no PT. Entre as mentiras que lhe são contadas e o que os próprios olhos e ouvidos lhe revelam, esse grupo prefere crer nas mentiras. É mais difícil entendê-los do que compreender o Bóson de Higgs (aquela partícula que representa a chave para explicar a origem da massa das partículas elementares). Esse grupo e suas misteriosas razões têm votos que podem decidir, contra toda a lógica, a eleição presidencial.

13 thoughts on “A misteriosa origem de muitos votos para Dilma

  1. O eleitor carioca pode não entender nada do citado Bóson (inclusive eu), mas entende muito bem de “Busão”, como os jovens cariocas apelidaram os “ônibois”… Caros, lotados, amassados, espremidos… vivemos… a Democracia ainda não chegou aos transportes coletivos…

  2. CUIDADO com a urna eletrônica BRASILEIRA ! ! ! Sem aferição, sem conferência.

    Números são apresentados por ‘empresas’ VENAIS para dissimulação do que pode vir.

    Trocar voto nulo, branco e de um determinado número por um outro número NÃO É inexequível.

    CUIDADO com os que dizem: Também Somos Enganadores !!!

  3. Sei não…

    Quanto ao artigo, na minha modesta opinião, mandou muito bem o jornalista Percival Puggina na classificação da militância e dos eleitores do Partido dos Trabalhadores, cada vez mais, transformado no braço bolivariano do Foro de São Paulo, em face adiantada de aparelhamento do estado e que, se porventura o PT ganhar essa eleição, à semelhança da Venezuela, poderá ser pivô de futura luta de classes entre brasileiros e, Deus nos livre e guarde, de uma determinada categoria que não pode ser descartada, terrível, que é a possibilidade de secessão.
    Além de muito juízo, o cidadão deve atentar que o seu voto poderá mudar essa trajetória criminosa do Partido dos Trabalhadores… ainda há tempo.

  4. O artigo, é de uma análise perfeita. Uma grande parte dos votos do PT,
    tem origem em interesse estritamente pessoais, o restante são de eleitores,
    totalmente alheio a política, não têm a mínima ideia da situação política e
    econômica do país.

  5. Percival preste atenção,não caia no ridículo,esse PSDB foi a pior coisa que aconteceu no país,não vamos falar de novo nas privatizações que eu sei que foram necessárias, mais jamais pelos preços vil que foram feitas.O Aécio disse que fez uma grande governo nos oito anos que governou Minas Gerais,porém o povo não deu a ele o primeiro lugar no primeiro turno,portanto alguma coisa esta errada. Nos democratas precisamos respeitar as urnas,pois elas representam a vontade popular independente de que partido seja a vitória.

    • Ele nunca foi do PSDB. Até janeiro do atual, ele mesmo já confessou aqui que estava afiliado ao PP do Paulo Maluf. Já cansou de manifestar aqui simpatia pelos golpistas de 1964 e sempre meteu o pau nos resistentes à ditadura. Como pode se dizer simpático ao Aécio e ao seu vice que participou da resistência armada à ditadura? Sua agenda é sonhar acordado que uma eventual derrota do PT nos atrele CEGAMENTE aos interesses políticos e estratégicos dos EUA, porque no plano econômico o Brasil é capitalista e pouca ou nenhuma diferença há em essência entre os governos do PSDB e PT nos últimos 20 anos.

  6. Não tem mistério nenhum os votos na Dilma, é muito simples, enquanto ela tiver como oposição algum discípulo do FHC, a maioria dos votos será dela ou de quem vier a se candidatar contra aquilo que foi o que de pior aconteceu no Brasil, que foi o governo do FHC, aquele que depois de tentar vender o país, comprar uma reeleição pagando em dinheiro vivo, chamou os aposentados de vagabundos, quando ele mesmo se aposentou com 37 anos.

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