A mistura de raças nos requebros da mulher brasileira, na visão do poeta Olavo Bilac

Resultado de imagem para olavo bilacPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta carioca Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918), no soneto “Música Brasileira”, faz uma homenagem poética aos diferentes gêneros musicais que à época eram os preferidos em nosso país. Bilac foi responsável pela criação da letra do Hino à Bandeira, inicialmente criado para circulação na capital federal da época (o Rio de Janeiro), e mais tarde sendo adotado em todo o Brasil. Também ficou famoso pelas fortes convicções políticas, sobressaindo-se a ferrenha oposição ao governo militar do marechal Floriano Peixoto.

MÚSICA BRASILEIRA
Olavo Bilac

Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.

3 thoughts on “A mistura de raças nos requebros da mulher brasileira, na visão do poeta Olavo Bilac

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Banzo

    Banzo (do quimbundo mbanza, “aldeia”) era como se chamava o sentimento de melancolia em relação à terra natal e de aversão à privação da liberdade praticada contra a população negra no Brasil na época da escravidão. Foi também uma prática comum de resistência aos maus tratos e ao trabalho forçado. Pode-se falar que banzo é um sinônimo de depressão.
    O primeiro registro escrito do uso da palavra banzo foi feito pelo trabalho intitulado “Memória a respeito dos escravos e tráfico da escravatura entre a Costa d’África e o Brazil” apresentado pelo advogado Luis Antonio de Oliveira Mendes à Real Academia das Ciências de Lisboa em 1793.
    “Das doenças crônicas… uma, e das principais moléstias crônicas, que sofrem os escravos, a qual pelo decurso do tempo os leva à sepultura, vem a ser o banzo. O banzo é um ressentimento entranhado por qualquer princípio, como por exemplo: a saudade dos seus, e da sua pátria; o amor devido a alguém; à ingratidão, e aleivosia, que outro lhe fizera; a cogitação profunda sobre a perda da liberdade; a meditação continuada da aspereza com que os tratam; o mesmo mau trato, que suportam; e tudo aquilo que pode melancolizar. É uma paixão da alma, a que se entregam, que só é extinta com a morte: por isso disse que os pretos africanos eram extremosos, fiéis, resolutos, constantíssimos, e susceptíveis no último extremo do amor e do ódio (…). Este mesmo banzo por vezes observei no Brasil, que matara a muitos escravos; porém sempre por efeitos do ressentimento do rigor, com que os tratavam os seus senhores.[1]”
    Dessa maneira banzo é uma palavra usada para categorizar a morte voluntária entre os escravos. “O desgosto pela vida e o desejo de morrer são atribuídos pelos narradores a reações nostálgicas decorrentes da perda da liberdade e dos vínculos com a terra e grupo social de origem, e ainda aos castigos excessivos impostos pelos senhores”.[2]
    Segundo o historiador Renato Pinto Venâncio, da Universidade Federal de Ouro Preto, o suicídio entre escravos era duas ou três vezes mais elevado do que entre homens livres e pode-se ser atribuído ao banzo. Apesar disso, o registro de suicídios pode encobrir assassinatos realizados pelos senhores de escravos.
    A prática do banzo, além de levar ao suicídio, através da greve de fome, também é relacionada à pratica do aborto, das fugas individuais e coletivas (que podem ser relacionadas à formação de quilombos) e à geofagia (suicídio por ingestão de terra).[3]

  2. https://seer.ufs.br/index.php/pontadelanca/article/view/10264/0 … As raízes africanas de uma doença brasileira – o banzo em Angola nos séculos XVII e XVIII … Kalle Kananoja … Universidade de Helsinki … Resumo … Este artigo examina a doença do banzo ou melancolia no mundo atlântico português. O banzo surgiu no fim do século XVII em Angola, de onde o conceito se espalhou para o Brasil e Portugal. Inicialmente, era visto como uma doença mental que poderia ser contraída por qualquer pessoa, mas na segunda metade do século XVIII ela se transformou em uma doença dos negros. Esta transformação foi mais evidente nos escritos do médico português Francisco Damião Cosme, cujo manuscrito sobre as doenças da África Central tratou do banzo em detalhe. As respostas dramáticas dos escravos a sua condição, como o suicídio e o infanticídio, foram tratadas frequentemente na historiografia como formas de resistência dos escravos, mas este artigo sugere que, no estudo da escravidão, os historiadores poderiam enfocar mais as questões de saúde mental do que a resistência.
    Palavras-chave: Banzo – Angola – Mundo atlântico – tráfico de escravos – história da medicina

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