A moda da perseguio ao funcionalismo est na ante-sala de Dilma Rousseff

Carlos Chagas
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Nos tempos modernos, a moda comeou com Jnio Quadros. Depois, contagiou Ernesto Geisel, Fernando Collor, Fernando Henrique e agora aguarda na ante-sala de Dilma Rousseff, sem saber se ser convidada a entrar ou a escafeder-se. Fala-se da perseguio aos funcionrios pblicos, h muito injustamente considerados exploradores, sanguessugas, inoperantes e suprfluos.
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Jnio, alm de proibir brigas de galo e desfiles de biquni, inventou a dupla jornada para o funcionalismo, obrigado a trabalhar pela manh, ir para casa almoar e voltar tarde. A produtividade comeou a cair e ele cedeu parcialmente: no Rio, trabalhariam em dois expedientes os funcionrios que morassem at Cascadura, Madureira e subrbios afins. Do outro lado da rua, mantinham o horrio corrido…
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Geisel era tido como ministro de todas as pastas, diretor de todos os departamentos e chefe de todas as sees do servio pblico. Assim, vigiava at o horrio dos garons que serviam cafezinho no Planalto. Apesar da inflao, negou reajustes aos servidores e inaugurou a deletria prtica da terceirizao.
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Fernando Collor chegou vestindo o terno da modernidade, para ele a transformao dos funcionrios pblicos em empregados de empresas privadas, isto , sem regalias de espcie alguma. Suprimiu os nibus que os conduziam s reparties aqui em Braslia, cidade das longas distncias e da ausncia de transportes pblicos. Tambm extinguiu uma srie de estabelecimentos pblicos, da Embrapa Portobrs.
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Fernando Henrique sublimou, chamando os servidores do estado de vagabundos, em meio febre privatizante responsvel pela demisso de montes de funcionrios. Imps reformas na Constituio para retirar direitos adquiridos da categoria e colaborou para a queda do nvel e da performance do servio pblico, precisamente o que desejava.
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Acaba de assumir Dilma Rousseff, depois do interregno de oito anos do Lula, onde as maldades, pelo menos, foram interrompidas. Em seus primeiros atos, no bojo do anncio do corte de gastos, a presidente da Repblica congelou no apenas os concursos para o servio pblico, mas at a posse dos concursados j aprovados. Tambm mandou seu ministro da Fazenda divulgar que este ano no haver reajuste de espcie alguma para os servidores. cedo para saber se seguir o curso dos antecessores acima referidos, mas as primeiras iniciativas levaram a moda da perseguio ao funcionalismo a acampar na porta de seu gabinete. Ser que vai entrar?
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DIA DECISIVO PARA PAIM
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Entre os quinze senadores do PT, Paulo Paim o nico cuja deciso ainda parece desconhecida, na votao de hoje do projeto de reajuste do salrio mnimo. Apesar de pressionado pelos companheiros e pelos lderes de seu partido para selar a unanimidade em favor dos 545 reais, o representante do Rio Grande do Sul ainda hesitava, ontem.

Pode ser sintoma de que ceder aos apelos em nome da unidade partidria, mas bom aguardar as prximas horas. Afinal, o senador tem sido o grande defensor dos interesses do trabalhador, no Congresso.
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TOLERNCIA DESMEDIDA
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De repente, os Estados Unidos resolveram fazer exame de conscincia e reconhecer terem sido tolerantes durante dcadas com os ditadores do Oriente Mdio e adjacncias. Indagam-se, contritos, como foi possvel tanta complacncia? Por dcadas aceitaram Mubarak, Kadafi e quantos outros sheiks de nomes impronunciveis, sem esquecer no passado o X da Prsia e Saddam Hussein, enquanto aliado.
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Trata-se de puro farisasmo, porque esses montes de ditadores fizeram o jogo econmico e poltico dos americanos, sendo no apenas tolerados, mas cortejados e estimulados. Mais ou menos como aconteceu na Amrica do Sul e na Amrica Central no tempo dos generais-presidentes.
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Se para valer esse arrependimento, ento torna-se preciso que sigam adiante, se tiverem coragem, que no tem sempre que esto em jogo seus interesses. O que a China, seno uma ditadura, em certos aspectos at mais dura do que nas areias do deserto? A prpria Rssia, onde Wladimir Putin age como csar, ora presidente, ora primeiro-ministro. O Paquisto aliado? Ento o seu general deve permanecer em Karachi.
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Convenhamos, no h meio arrependimento, como no h meia gravidez.?
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POR QUE NO FORAM?
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Na celebrao dos 90 anos da Folha de S. Paulo, alm da presidente Dilma Rousseff, compareceram os ex-presidentes Jos Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Faltaram dois: Itamar Franco e o Lula. Teriam sido convidados? Nesse caso, por que no foram?

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