A moda precisa pegar

Carlos Chagas

Agora que o  Complexo do Alemão foi tomado em  operação relâmpago pelas polícias do Rio  e tropas federais, ficou claro que o poder público, quando quer, pode. Não  que os  futuros entreveros  com o narcotráfico venham a apresentar  resultados tão   fáceis assim, mas ficou clara a prevalência da lei sobre o crime. Seria bom se a moda pegasse, não apenas diante de outros focos do narcotráfico, mas também frente a outros tipos de bandidagem, como o contrabando. A maior lição dos acontecimentos da semana passada, porém, flui em dois caudais: a integração  dos serviços de inteligência e o  novo   posicionamento  das Forças Armadas diante da realidade nacional.

Ficou claro que a troca de informações entre as diversas instituições da segurança pública,   estaduais e federais, possibilita o enfrentamento com sucesso de quaisquer obstáculos e adversários, a começar pelas forças irregulares   internas, em seus diversos níveis de capacitação militar.

Em paralelo, tornou-se óbvio que Exército, Marinha e Aeronáutica saíram da casca e não  poderão mais refluir para uma permanência voltada exclusivamente para conflitos externos. A defesa da segurança pública sempre foi necessidade absoluta. Evidência maior registrou-se no apoio da população à operação conjunta dos últimos dias, no Rio.

VAI  DEMORAR

Surpresas sempre acontecem, mas tudo indica que não será esta semana que a presidente Dilma Rousseff anunciará a totalidade do novo  ministério. Falta conter a ânsia dos partidos da base governista em obter cargos, atropelando-se numa disputa que seria cômica se não  fosse trágica.  PT, PMDB, PSB, PP e  PC do B precisariam de um ministério de pelo menos 50 pastas e, mesmo assim, não se satisfariam.  Do que menos cuidam é de selecionar indicados com competência específica para os ministérios. Fixam-se nos orçamentos e nas verbas de cada setor, o que faz até pensar em  intenções  pouco claras.

Dilma Rousseff  já  enfrenta problemas com as sucessivas indicações do presidente Lula para a continuação de uma série de ministros, ainda que o critério do primeiro-companheiro venha sendo o da competência. Somando essa evidência à sofreguidão dos partidos, o resultado  poderá ser um meio-ministério, ou um ministério insosso, amorfo e inodoro. Utilizando o tempo em seu favor, selecionando, reagindo e até rejeitando indicações, a presidente eleita dá provas de pretender resistir aos pratos-feitos. Tomara que consiga.

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