A morte (assassinato?) de Juscelino. O tiro no pé de Lacerda, total ignomínia. Brizola e a prorrogação do mandato de Figueiredo. Meu primeiro encontro com ele, em 1979.

Muitos questionam e pedem esclarecimento sobre o acidente do ex-presidente. Não há esclarecimento, da mesma forma como nos casos de João Goulart e Lacerda. São todas mortes estranhas, ou melhor, estranhíssimas. E que serviram sempre aos que estavam no Poder total e ditatorial, e não queriam perdê-lo.

Alguns até “justificam” com o fato de JK estar numa estrada movimentada, à noite, quando todos estão com faróis acesos. Tudo isso muito bem colocado.

Mas o que se discute e se contesta é a razão de Juscelino estar naquela estrada, tendo no bolso uma passagem de avião. E sendo mais do que conhecida a sua resistência ao carro e sua predileção por avião.

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PS – Mas depois de mais de 30 anos, como descobrir algum fato verdadeiro? Idem, idem para João Goulart, que estava querendo voltar ao Brasil, não suportava mais ficar longe do país.

PS2 – O próprio Jango cuidava da volta, “que apressaria, CORRENDO TODOS OS RISCOS”. (Textual). Pode ser que não estivesse se referindo a assassinato. Mas pela vida pública, era informadíssimo.

PS3 – Ministro do Trabalho de Vargas em 1952, com 33 anos, vice-presidente pela primeira vez em 1955, com 36 anos, logo depois de ultrapassada a fase limite de 35 anos.

PS4 – Outra vez vice e com 7 meses do segundo cargo, assumindo a Presidência, era muito bem informado. Queria vir para o Brasil, “correndo todos os riscos”. Mas jamais sairemos da DÚVIDA, SUSPEITA, INDECISÃO, “COINCIDÊNCIA”.

Lacerda – Brizola

O mesmo com os dois candidatíssimos à sucessão presidencial. Quaisquer que sejam as posições de todos, CONTRA ou a FAVOR dos ex-governadores, a verdade é que cumpriram uma carreira que deveria levá-los à Presidência.

Íntimo dos dois, em épocas diferentes mas não divergentes, defendi em inúmeras oportunidades que GOSTARIA DE VER LACERDA E BRIZOLA COMO PRESIDENTES. Um depois do outro, FHC ainda não havia inventado a pólvora, perdão, a REEELEIÇÃO.

Em 1946, mocíssimo na Constituinte, quando conheci Lacerda, tive muito mais contatos e em determinada fase, mais assiduidade com ele. Morávamos na mesma capital, (depois transformada em estado), escrevia aqui, era natural a proximidade.

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PS – E se volto ao assunto, porque alguns leitores também voltam a uma “acusação” da época, investigada e sempre distante da realidade: que Lacerda teria dado um tiro no próprio pé.

PS2 – Isso foi tão discutido na época, (1954) que se fosse verdadeiro, ou tivesse “resquícios” de verdade, teria sido apurado. Não seria agora, 56 anos decorridos, que alguma coisa se provaria.

PS3 – Não cuidarei mais do assunto, haja o que houver. No entanto, não impedirei ninguém de especular, (nada passará de especulação) cada um faz o que bem entender.

Brizola – João Figueiredo

Também volto aos dois personagens, em episódios, citados por “seguidores”. O primeiro, que “João Figueiredo teria salvo a vida de Brizola, ainda no exílio”. Isso foi divulgado antes, na época, agora negado aqui mesmo. Nessa época, eu jamais havia falado com Brizola, o episódio é contestado, com a mesma convicção. E não conheci o episódio, nem mesmo como repórter.

O segundo, prorrogação do mandato de Figueiredo até o final de 1987 e não 1985. Mas as razões, muito distantes das que são apregoadas. Governador, o mandato de Brizola terminava na eleição de 1986. A INDIRETA, combinada num acordo entre civis e militares, seria em 1985.

Esse entendimento tinha como OBJETIVO o próprio Brizola. Sabiam que se a eleição fosse DIRETA, Brizola seria invencível. Lacerda, Jango e Juscelino estavam mortos, sobrou apenas ele. Brizola pretendia que a eleição fosse direta, a intenção era essa. Podem dizer que se tudo acontecesse como foi acertado entre DITADORES e os que NÃO COMBATERAM A DITADURA, Brizola não poderia ser candidato.

Nessa oportunidade, falo de corpo presente. Nunca havia estado com Brizola até 1979. Principalmente por causa da distância. Ele fez toda a carreira no Rio Grande do Sul até 1963, embora com LAMPEJOS de liderança nacional.

Deixou o governo do Rio Grande do Sul em 1963, no mesmo ano, em outubro, foi candidato a deputado federal na ainda Guanabara, governada por Lacerda. Foi ELEITÍSSIMO. De cada 10 eleitores, 4 votaram em Brizola. Foi para Brasília, cuja fundação eu repudiava. Não nos vimos, 1 anos e meio depois teve que sair do Brasil para não ser assassinado, o repórter decidiu lutar aqui mesmo. Na verdade, o golpe era mais contra Brizola do que contra Jango.

Este sempre admitiu conversar, até mesmo em 1952, quando foi tirado do Ministério do Trabalho pelo chamado Manifesto dos Coronéis.

(Eram 69, a primeira assinatura de Amaury Kruel, depois protegido, promovido, favorecido pelo próprio Jango. A quem trairia no golpe de 64, negando apoio a ele, quando comandante do II Exército, São Paulo).

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PS – Brizola chegou a Brasília em 31 de janeiro de 1963, deputado. Eu cheguei preso em 23 de julho, do mesmo 1963, enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Pediram 15 anos de prisão para mim. Num julgamento com recorde de público, até hoje não ultrapassado, o resultado ficou em 4 a 4.

PS2 – Os quatro ministros nomeados por Jango, (políticos) votaram pela CONDENAÇÃO, aberração completa. Os outros 4, apenas juristas (não políticos), decidiram pela ABSOLVIÇÃO. Com o empate, o presidente Ribeiro da Costa desempatou, 5 a 4, fui libertado.

PS3 – O repórter contrariava os generais GOLPISTAS, os CIVIS GOLPISTAS, os governadores GOLPISTAS, os governistas GOLPISTAS. 1961 (com a “renúncia”), 1962, 1963 e até final em 1º de abril de 1964, anos tumultuadíssimos.

PS4 – Esses 16 anos, de 1963 a 1979, um tempo que merece verdadeiramente a identificação de HISTÓRICO, devia ser contado em livro. Muitos editores me pediam e insistiam. Aliás, deveria ter publicado vários livros, a partir do GOLPE contra a posse de Juscelino em 11 de novembro de 1955.

PS5 – Termino aqui, contando meu primeiro encontro com Brizola. Estava na minha sala no jornal, e a secretária, quase pedindo desculpas, abre a porta para Brizola. E ele, me abraçando, cordialíssimo: “Helio, estou chegando ao país, minha primeira visita tinha que ser para você, ninguém merece mais, que assombro”.

PS6 – Tudo textual e também a minha pergunta a ele, habitual no repórter, distante do combatente: “Como é que eu o trato? De engenheiro, governador, apenas Brizola?”

PS7 – E ele, cordial: “Você pode me chamar como quiser, conquistou o direito de ser chamado de COMBATENTE”. E ficamos assim durante anos, num diálogo tão bom quanto foi o diálogo com Lacerda. Sem interrupção, mas com divergências. Nenhuma pessoal, todas rigorosamente de interpretação.

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