A morte e a morte dos partidos que não tinham vida. O PMDB e o PT destroem, desorganizam e desarmonizam os governos. PSDB e DEM não existem, nunca fazem oposição ou exercem o governo. E os outros?

Helio Fernandes

O PMDB com todas com concessões feitas à ditadura de 64, é um partido histórico. O PT é um aborto, não se sabe bem se ele vive, como vive, de que vive. O PMDB, partido sempre majoritário, tinha o grupo dos “autênticos”, denominação corretíssima, por causa disso foram todos cassados. Mas a parte adesista era controlada por Chagas Freitas, que ocupou o “governo” da Guanabara, de 1970 a 74, e do Estado do Rio, de 78 a 82. Nos dois “mandatos”, na ante-sala, de avental branco, ficava o deputado Miro Teixeira (eleito em 1970), negociando os decretos que Chagas ainda não assinara.

Na mesma situação, dois mandatos sem votos, determinação da ditadura, ACM-Corleone na Bahia e Virgilio Távora no Ceará. Não havia reeeleição, de 1974 a 1978 ficavam esperando na certeza de que voltariam ao governo. Voltaram mesmo.

Nos 5 anos de Geisel e alguns meses do João Figueiredo, o Ministro Mário Simonsen e Chagas Freitas, ávidos por dinheiro, fizeram acordo escandaloso, vergonhoso, criminoso.

Chagas tinha dois jornais, “O Dia” e “A Notícia”, que pertenciam a Ademar de Barros. O ex-governador de São Paulo, agradecido a Chagas (promotor de carreira), por causa de um grande favor, deu 5 por cento das ações a Chagas Freitas.

Ademar, condenado por causa do roubo da urna marajoara, fugiu para o Paraguai, ficou lá um tempo enorme. Conhecendo todo o processo (era promotor), Chagas foi aumentando o capital, matematicamente. Quando Ademar voltou ao Brasil, Chagas tinha mais de 90 por cento das ações. Ademar perdeu em todas as instâncias, Chagas fez tudo, m-i-l-i-m-e-t-r-i-c-a-m-e-n-t-e.

O acordo era o seguinte. O “governo”, inicialmente da Guanabara e depois do Estado do Rio, por causa da fusão vingativa de Geisel, gastava muita publicidade, por interesse de Chagas e determinação da ditadura. Mas Chagas (remorso de bandido) não queria que a publicidade do governo estadual saísse nos seus jornais.

Então entrega toda a publicidade ao Ministro da Fazenda poderoso, que redistribuía para quem quisesse. E toda a publicidade federal, E-N-OR-M-E, era colocada por Simonsen no “Dia” e na “Notícia, que maravilha viver.

Mario Simonsen não era um principiante, não podia ser, deixando a fortuna colossal que deixou. Assessor importante da CNI (Confederação Nacional da Indústria), consumou uma das maiores imoralidades de todos os tempos. Estávamos em plena Era do “Open” e da inflação escandalosa, as garrafas de bebidas e os maços de cigarros vinham “lotados” de selos, colados nas drogas fumadas ou bebidas.

Simonsen então acabou com esse SELO COMPRADO ANTECIPADAMENTE, pelo qual se chamava de SELO POR VERBA, pago 60 dias depois na Receita Federal. Impossível imaginar quanto ganharam, de qualquer maneira fica para outra oportunidade.

O PMDB foi assim até as “Diretas, já”, em 1984, quando os dois grupos que dominavam o partido, se dividiram, mas não deslealmente. Uns queriam a eleição DIRETA, outros a INDIRETA, na melhor repetição da República.( Não apenas REPETIÇÃO, mas TRAIÇÃO dos marechais).

O PT, nessa época não possuía nem liderança, ideologia, rumo ou compromisso. Não tinham discurso nem compromisso a defender. Em 1982, Lula era candidato a governador de São Paulo, não teve voto. Em 1986 se elegeu deputado, sua única contribuição: “O Congresso tem 300 picaretas”. Já admitia e antecipava o mensalão.

Na votação indireta para presidente, estava “fechado’ com Maluf, mandou expulsar três deputados brilhantes que votaram em Tancredo. Surpreendentemente conseguiu chegar ao Poder depois de três derrotas. Não podendo se eleger a terceira vez, indicou uma sucessora, está na expectativa.

O PT e o PMDB não somam 200 votos. Como precisam (em algumas questões) da maioria de 257, ficarão 4 anos (no mínimo?) correndo atrás desses 157 votos. Não terão um minuto de tranquilidade, prisioneiros desses votos. FHC disse logo no início: “Sem medida provisória não há governabilidade”.

Arrebanhou toda a “governabilidade” necessária, usando dinheiro vivo, distribuído pelo grande amigo Sergio Motta, sócio de Golbery numa aventura de “extrair energia de madeira”. Precisavam de 200 milhões de dólares, o presidente da Comissão Nacional de Energia, Aureliano Chaves, professor universitário que não era da escola de Lobão, pediu desculpas, mas recusou totalmente o empréstimo.

*** 

PS – É impossível governar com esse quadro partidário (?). Dona Dilma acertou em não se render às exigências e intimidações dos dois malandraços do PMDB.

PS2 – Alguns jornalões dão a impressão: “Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, estão sendo criticados pela cúpula do PMDB”. Ha!Ha!Ha! Nessa legenda quem pode criticar os dois?

PS3 – A própria presidente, num lance de audácia, desprendimento e coragem, poderia mudar tudo. Não fará nada, não usará as três palavras que utilizei. É uma pena.

PS4 – Nada contra que ela fique 4 ou 8 anos, mas não dessa maneira, fingindo de presidente. Ou assume, ou não governa. Quem é que já viu alguém governar apavorado e sem assumir?

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