A noite carioca, na visão do mineiro Murilo Mendes

O notário e poeta mineiro Murilo Monteiro Mendes (1901-1975) descreve os componentes existentes na “Noite Carioca, mormente, nas duas primeiras décadas do século passado.

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NOITE CARIOCA

Murilo Mendes

Noite da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
tão gostosa
que os estadistas europeus lamentam ter conhecido tão tarde.

Casais grudados nos portões de jasmineiros…
A baía de Guanabara, diferente das outras baías, é camarada,
recebe na sala de visita todos os navios do mundo
e não fecha a cara.

Tudo perde o equilíbrio nesta noite,
as estrelas não são mais constelações célebres,
são lamparinas com ares domingueiros,
as sonatas de Beethoven realejadas nos pianos dos bairros distintos
não são mais obras importantes do gênio imortal,
são valsas arrebentadas…

Perfume vira cheiro,
as mulatas de brutas ancas dançam o maxixe nos criouléus suarentos
O Pão de Açúcar é um cão de fila todo especial
que nunca se lembra de latir pros inimigos que transpõem a barra
e às 10 horas apaga os olhos pra dormir.

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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