“A Paixão Segundo Callado” é mais um excelente documentário de José Joffily

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Callado, um dos maiores intelectuais do século passado

José Carlos Werneck

O Canal Curta exibiu recentemente o excelente documentário “A paixão segundo Callado”, de José Joffily, que retrata a trajetória de vida do jornalista Antonio Callado. A narrativa, repleta de aventuras na Europa em guerra, no Xingu dos índios Uialapiti e Kamaiurá, no Vietnã do Norte em luta contra os Estados Unidos, no Nordeste das Ligas Camponesas, mostra a obra deste notável jornalista, toda dedicada à descoberta do Brasil e a denunciar as injustiças contra índios, negros, camponeses e mulheres.

DEPOIMENTOS – Para falar da obra de Callado, o filme traz depoimentos de amigos e conhecedores do universo literário do escritor, com poéticas sequências de imagens que transportam o espectador ao pujante imaginário de sua obra. A locução é de Tessy Callado, atriz e profunda conhecedora da obra do pai.

Antônio Carlos Callado, jornalista, romancista, biógrafo e teatrólogo, ingressou na Faculdade de Direito em 1936 e, no ano seguinte, começou a trabalhar, como repórter e cronista, em O Correio da Manhã.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941, foi contratado pela BBC de Londres como redator, lá permanecendo até maio de 1947. Num período intermediário, de novembro de 1944 a outubro de 1945, trabalhou no serviço brasileiro da Radio-Diffusion Française, em Paris, cuja sede ficava nos Champs-Elysées e seu chefe era o escritor Roger Breuil.

REDATOR-CHEFE – Ao retornar ao Brasil voltou a trabalhar no Correio da Manhã e também passou a colaborar em O Globo. Foi redator-chefe do Correio da Manhã de 1954 a 1960, quando foi contratado pela Enciclopédia Britânica para chefiar a seção de uma nova enciclopédia, a Barsa, publicada em 1963.

Foi, também, redator do Jornal do Brasil, que o enviou, em 1968, ao Vietnã em plena guerra. Em 1974 esteve como Visiting Scholar em Corpus Christi College, Universidade de Cambridge, Inglaterra. E Passou o segundo semestre de 1981 lecionando, como Professor Visitante na Columbia University, em Nova York.

LITERATURA – Além das atividades jornalísticas, dedicou-se sempre à literatura. Seus primeiros romances, Assunção de Salviano, de 1954, e A Madona de Cedro, de 1957, mostram uma nítida preocupação religiosa.

O jornalismo o levou, além dos anos passados na Europa, a lugares como Bogotá, Washington, Xingu e Havana, que enriqueceram sua bibliografia com livros de reportagem e obras literárias engajadas com as grandes questões de seu tempo.

Entre os mais importantes, estão Quarup, de1967, Bar Don Juan, de 1971, Reflexos do Baile, de 1976, Sempreviva, de 1981, que apresentam um retrato do Brasil durante o regime militar, sob o ponto de vista de seus opositores.

DUAS PRISÕES – O engajamento político de Callado, um intelectual de esquerda, custou-lhe duas prisões: a primeira em 1964, logo após o golpe militar, e a outra em 1968, depois do fechamento do Congresso Nacional decretado pelo AI-5.

Teatrólogo, reuniu quatro de suas peças no volume A Revolta da Cachaça, em 1983. Uma delas, Pedro Mico, encenada em muitas ocasiões, foi transformada em filme que teve como ator principal o ex- jogador Pelé.

Quarto ocupante da cadeira 8 da Academias Brasileira de Letras, foi eleito em 17 de março de 1994, na sucessão de Austregésilo de Ataíde. Três anos depois, em 1997, Callado morreu no Rio de Janeiro.

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