“A palavra dita e escrita, antes domínio, hoje quase inexiste”, reclama o poeta Jorge Ventura

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O publicitário, ator, jornalista e poeta carioca Jorge Ventura lamenta o silêncio que não cala sua voz, mas consegue calar o poema.

O SILÊNCIO
Jorge Ventura

A palavra
dita e escrita,
antes domínio,
hoje quase inexiste.

E no declínio da voz,
pássaro triste,
nada exalta o fonema.

A pena chora a sós
quando vos confesso meu silêncio.
Não o silêncio que me cala a fala,
mas o que me cala o poema.

7 thoughts on ““A palavra dita e escrita, antes domínio, hoje quase inexiste”, reclama o poeta Jorge Ventura

  1. Dia 2 de abril – Dia Mundial do autismo.
    Pena que a gente não pode colocar aqui as mensagens de da Turma da Mônica de Mauricio de Souza
    ,
    “Transtorno do Espectro Autista retratado nas páginas dos gibis da Turma da Mônica. E mais: em vídeos divulgados pelo Instituto Mauricio de Sousa. A ação, que ocorre nesta terça-feira, 2, é para lembrar da importância do diagnóstico precoce da doença no Dia Mundial do Transtorno do Espectro Autista.”

  2. Desabafo de um Doente Mental P/HelderOliveira
    Cântico Negro
    “Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
    Estendendo-me os braços, e seguros
    De que seria bom que eu os ouvisse
    Quando me dizem: “vem por aqui!”
    Eu olho-os com olhos lassos,
    (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
    E cruzo os braços,
    E nunca vou por ali…

    A minha glória é esta:
    Criar desumanidade!
    Não acompanhar ninguém.
    – Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
    Com que rasguei o ventre à minha mãe

    Não, não vou por aí! Só vou por onde
    Me levam meus próprios passos…

    Se ao que busco saber nenhum de vós responde
    Por que me repetis: “vem por aqui!”?

    Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
    Redemoinhar aos ventos,
    Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
    A ir por aí…

    Se vim ao mundo, foi
    Só para desflorar florestas virgens,
    E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
    O mais que faço não vale nada.

    Como, pois sereis vós
    Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
    Para eu derrubar os meus obstáculos?…
    Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
    E vós amais o que é fácil!
    Eu amo o Longe e a Miragem,
    Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

    Ide! Tendes estradas,
    Tendes jardins, tendes canteiros,
    Tendes pátria, tendes tectos,
    E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
    Eu tenho a minha Loucura !
    Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
    E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

    Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
    Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
    Mas eu, que nunca principio nem acabo,
    Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

    Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
    Ninguém me peça definições!
    Ninguém me diga: “vem por aqui”!
    A minha vida é um vendaval que se soltou.
    É uma onda que se alevantou.
    É um átomo a mais que se animou…
    Não sei por onde vou,
    Não sei para onde vou
    – Sei que não vou por aí!

    José Régio

  3. Se você foi presenteado com um filho autista, significa que Deus enxergou muito potencial em você. Seja grato e aceite o desafio. Você evoluirá significativamente!

  4. O silêncio impedindo de poetizar é de enlouquecer para quem conhece bem as rimas. Dá vontade de gritar!
    “Não o silêncio que me cala a fala,
    mas o que me cala o poema.”

  5. A Casa – Jorge Ventura

    Quando adentrei pela primeira vez naquela casa,

    as paredes nuas (re)vestiram-se de longa lembrança

    no regresso ao passado insólito. Voltei a ser criança

    pelo corredor do tempo, diante da saudade que embasa

    inda hoje o meu sofrer. Ah! Quantos lêmures percebi:

    senhores dos sótãos e porões, imêmores ancestrais!

    Ao circunvagar o olho por mobílias, louças e castiçais,

    sonhei amores, crimes e conquistas. Quantas vidas vivi?

    Se lá morei, não sei.

    Se lá morri, pode ser.

    Onde minha saga perpetuarei?

    Bem habitada ou mal assombrada,

    reconheci, ao padecer,

    aquela casa tão somente abandonada.

  6. Os poemas que retratam a volta ao lar me atraem. Lá ficaram as lembranças, a infância tão querida com suas brincadeiras.

    Amo este poema:

    Luiz Guimarães

    L

    Como a ave que volta ao ninho antigo
    Depois de um longo e tenebroso inverno,
    Eu quis também rever o lar paterno,
    O meu primeiro e virginal abrigo.

    Entrei. Um gênio carinhoso e amigo,
    O fantasma talvez do amor materno,
    Tomou-me as mãos, olhou-me grave terno,
    E, passo a passo, caminhou comigo.

    Era esta a sala… (Oh! se me lembro! e quanto!)
    Em que da luz noturna à claridade
    Minhas irmãs e minha mãe… O pranto

    jorrou-me em ondas… Resistir quem há-de?
    Uma ilusão gemia em cada canto,
    Chorava em cada canto uma saudade.

    (Luiz Caetano Pereira Guimarães Júnior)

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