A pedra de Minas e a posição dos militares

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Sebastião Nery

No restaurante do aeroporto Santos Dumont, no Rio, almoçaram, em 1942, cinco amigos, mineiros ilustres: Virgílio de Mell

o Franco, Luís Camilo de Oliveira Neto, Pedro Aleixo, Afonso Arinos de Melo Franco e José de Magalhães Pinto. Conversavam sobre o livro do padre José Antonio Marinho, “História do Movimento Político de 1842”, a histórica batalha de Santa Luzia, perto de Belo Horizonte, em que três mil mineiros em armas, completamente equipados, inclusive com artilharia, haviam enfrentado as forças imperiais.

Os cinco mineiros buscavam uma maneira de comemorar o centenário da rebelião mineira. Eles queriam fazer alguma coisa que sinalizasse a reação à ditadura. Não conseguiram. Quem comemorou foi a ditadura de Getúlio Vargas, numa cerimônia, no local da batalha perdida, em Santa Luzia, em homenagem a Caxias, o general que esmagou os mineiros rebeldes.

PROTESTO NO IAB – Em agosto de 1943, a delegação de Minas ao congresso jurídico nacional, organizado pelo Instituto de Advogados do Brasil, retirou-se, em companhia da delegação do Rio, em protesto porque o governo proibiu o congresso de tomar deliberações sobre pontos da maior importância.

Um almoço de desagravo, no Rio, reuniu 150 pessoas em solidariedade a Pedro Aleixo, presidente da delegação da Ordem dos Advogados Mineiros ao congresso.

Uma tarde, no Banco do Brasil, onde ambos eram advogados, Afonso Arinos e Odilon Braga discutiam a necessidade de ser preparado e divulgado um documento, um manifesto aos mineiros sobre a situação nacional. Odilon Braga escreveu logo um esboço. Virgílio de Mello Franco, sabendo do assunto, preparou também um anteprojeto.

NO AEROPORTO – Um terceiro texto foi escrito por Dario de Almeida Magalhães. Fizeram uma reunião na casa de Virgílio e juntaram os três em um só. E em um almoço no restaurante do aeroporto, a que compareceram os três redatores e mais Luís Camilo, Afonso Arinos, Pedro Aleixo e Magalhães Pinto, foi aprovado. E ainda mandaram para Belo Horizonte, para Milton Campos dar seus palpites.

Luís Camilo e Virgílio de Mello Franco encarregados de pegaram as assinaturas, no maior sigilo, porque, se a polícia de Vargas tomasse conhecimento, iria abortar. Na última hora, como acontece no Congresso, alguns que já haviam assinado retiraram as assinaturas.

Mas saiu. Assinado por 88 líderes mineiros, impresso às escondidas em uma tipografia de Barbacena, com a data de 24 de outubro de 1943, aniversário da revolução de 30), o “Manifesto dos Mineiros”, sob o título de “Ao Povo Mineiro”, começou a ser mandado aos pacotes e distribuído, também sigilosamente, em todo o país.

PEDRA DA MONTANHA – Numa manhã, em que ia para o centro do Rio com o cunhado José Tomás Nabuco, Virgílio de Mello Franco cruzou na praia de Botafogo com o chefe de Polícia do Rio, João Alberto, que lhe disse: “quela pedra que vocês lançaram da montanha ninguém mais pode parar”.

Getúlio sabia o peso que aquela pedra tinha.

Setenta e cinco anos depois o Brasil esta precisando de quem jogue uma nova pedra. Os partidos não sabem para onde vão. A universidade está sem caminho. A imprensa. perdida em interesses miúdos. Chegou a hora de se construir uma bandeira que comande as esperanças nacionais. As eleições de 2018 estão ai, na porta. Os idiotas da direita e da esquerda imaginam uma solução fora da Constituição. Ilusão. Pela primeira vez, 75 anos depois, as Forças Armadas estão ensinando que fora da Constituição não há salvação.

8 thoughts on “A pedra de Minas e a posição dos militares

  1. O único problema vai ser achar um grupo de pessoas como esses mineiros que lançaram a pedra… Parece que não se fabricam mais políticos desses.

    • Linhagem mineira em extinção: Benedito Valadares, Magalhães Pinto, Milton Campos, José Maria Alkmim, Tancredo Neves e Hélio Garcia, uma raposa

    • Armandinho do Paletó, quem imagina uma solução fora da constituição são os políticos e os ministros do STF. Se, eles seguissem a constituição então um militar, que dissesse o que disse o General, deveria ir para a cadeia. Mas num país de mafiosos, cada um pode falar o que quer e o General disse aquilo que o pagador de impostos queria ouvir. Foi um belo aviso.

  2. Sem noção e sem nação corresponde à parcela majoritária da sociedade atual.
    É chegada a hora de ressuscitar o SNI, DOI-CODI, CIEX, DOPS’s, MÃO BRANCA, CCC etc.

  3. “As Forças Armadas estão ensinando que fora da Constituição não há salvação”.
    Really? Não sou muito fã dessas afirmações que soam como fantasiosas. Essa atribuída ás Forças Armadas é tão tola como o verso “Tudo vale a pena quando a mente não é pequena” – seu vazio é disfarçado pela rima sonora.
    Ocorre que muitos não obedecem a Constiuição. O Lewandowsky, ministro do STF, estuprou a Constituição sem nenhum constrangimento; o presidente do TSE absolveu a chapa Dilma-Temer num outro flagrante estupro.
    Essa conselho de que basta seguir a Constituição para a nossa salvação, pode ser expandido a todos os nossos males: por exemplo, se todos seguirem a lei não haverá crime.
    Não se trata simplesmente de não se ter uma mente pequena para tudo valer a pena – as vezes a mente é fenomenal, mas as paixões subjugam o racional. Do mesmo modo, a Lei Maior pode ser grandiosa, mas a obsessão pelo dinheiro fácil e pelo poder levam ao estado de calamidade em que o país se encontra, e que o exército se recusa a enxergar.

  4. Reza a lenda que todo pai do interior mineiro dizia o seguinte para o filho, antes dele ir estudar na capital: “Meu filho, quando te chamarem de bobo na capital, faz cara de bobo e não desminta nunca, viu? Cê sabe que a gente sabe que cê né bobo e ôce também sabe disso, uai. Deixa então os bocós pensarem que cê é bobo sô! Depois que cê for dotô, cê põe eles no bolso!”

  5. Estava lendo o que escreveu Gen Clovis Purper Bandeira sobre dois aplicativos de smartfone: o Fogo Cruzado e o OTT (Onde Tem Tiroteio?):

    … “O emprego esporádico de tropas federais em apoio às polícias estaduais não resolve o problema, implica grandes despesas e contribui para o desencanto dos moradores quanto à eficácia dessa solução.

    Tais tropas somente deveriam ser empregadas em situações muito específicas, com a adoção de medidas especiais e excepcionais previstas na Constituição, diferentes das vigentes nas condições normais de temperatura e pressão da vida urbana comum.

    Situações anormais exigem soluções de exceção.”

    http://clubemilitar.com.br/aplicativos-do-terror-gen-bandeira/
    …..
    Na exceção, as FFAA devem suprimir os excessos.
    Calcula-se, de lá pra cá mais de UM TRILHÃO ROUBADO; isso já não é excesso o bastante?

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