A Polícia de Nova York é um fracasso. Blog daTribuna descobriu muito antes que Strauss-Khan era inocente.

Carlos Newton

No dia 21 de maio, a Tribuna já publicava que o executivo e político francês Dominique Strauss-Kahn, então diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), era inocente na acusação de crimes sexuais contra uma camareira do hotel de luxo em que se hospedara.

Desde o início do rumoroso episódio, surgiram versões de que Strauss-Kahn poderia estar sendo vítima de um ardiloso golpe político, que teria sido perpetrado para alijá-lo da disputa presidencial na França. Onde aparecia como pré-candidato do Partido Socialista, liderando as pesquisas e bem à frente do atual presidente Nicolas Sarkozy.

As matérias enviadas de Nova York pelos correspondentes e pelas agências, infelizmente, não traziam o principal sobre esse tipo de episódio – os detalhes. O que se sabia efetivamente era pouco. Mas suficiente para inocentar o político francês, como a Tribuna adiantou.

Strauss-Kahn estava hospedado, deixou o hotel e foi para o aeroporto. A camareira o denunciou à gerência, que chamou a Polícia. A camareira então foi levada a exame de corpo de delito (colher fluidos, sêmen e DNA do criminoso), enquanto um detetive invadia o avião, prestes a decolar, prendia e algemava Strauss-Khan em plena primeira classe. Um enredo verdadeiramente hollywoodiano.

E aí vinham as dúvidas, que o confuso noticiário não explicara. E fizemos aqui na Tribuna as seguintes indagações: 1) A camareira o denunciou logo após o ato, ou esperou ele se vestir, arrumar as malas, pagar a conta e deixar o hotel? Houve mesmo o exame de corpo de delito, com a minúcia necessária, tipo prospecção nas partes supostamente penetradas, para colher sêmen, fluidos, DNA? A equipe da perícia compareceu ao quarto do Hotel Sofitel, para periciá-lo com aquela eficiência de sempre? O quarto estava todo revirado? Havia sinais de luta entre a estuprada e seu algoz?

Na reportagem, lembramos que quem estudou Medicina Legal sabe que existem certas circunstâncias que caracterizam o estupro, um crime de difícil comprovação. Assinalamos que só há estupro mediante violência ou grave ameaça, com o criminoso agredindo a vítima ou empunhando uma arma. Como os músculos da coxa são fortíssimos, a mulher tem de relaxá-los para que ocorra penetração. Se o faz sem violência ou grave ameaça, definitivamente não é estupro.

Destacamos, então, que, como a camareira não foi espancada e Strauss-Khan estava desarmado, sem empunhar nem mesmo uma lixa de unha, não poderia ter forçado o estupro. É um velho, de 67 anos. Como dominaria uma jovem cheia de vida e atlética, que vive se exercitando ao limpar e arrumar dezenas de quartos por dia? Teria de lutar muito, espancá-la de verdade, o quarto estaria todo arrebentado com os sinais de luta, haveria muitas lesões e marcas no corpo dela e no corpo dele, especialmente nas mãos.

E o pior é que ela alegou ter sido forçada a fazer sexo oral e anal. Esse detalhe seria fundamental para caracterizar que não houve crime, mas apenas sexo consensual.

Estupro anal e oral, sem violência? Isso não existe, lembramos a 21 de maio. “Qual é o estuprador que se arriscaria a colocar a arma do crime entre os dentes da vítima, sob ameaça de sofrer amputação de sua parte mais sensível”, perguntamos na época.

Somente agora a Polícia de Nova York descobriu que Strauss-Khan é inocente. Quanta incompetência. Será que foi proposital?

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