A política brasileira está apodrecida, e o melhor exemplo disso é o apoio do PSD a José Serra.

Carlos Newton

O apoio do PSD à candidatura de José Serra em São Paulo mostra o grau de surrealismo a que chegou a política brasileira, plenamente demonstrado  pela criação desse novo/velho partido, mais uma legenda sem ideologia e sem linha programática, que se adapta a qualquer situação, desde que lhe seja vantajosa.

Como pode um partido político pertencer à base aliada do governo federal e, ao mesmo tempo, apoiar o principal candidato da oposição na disputa pela prefeitura da maior cidade do país? O mais interessante é que ninguém fala nada, é como se fosse a coisa mais natural do mundo.

O surrealismo é tamanho que recentemente o presidente do PSD, Gilberto Kassab, chegou a participar do lançamento da candidatura do petista Fernando Haddad, tinha antes se encontrado com Lula, estava tudo certo entre eles. De repente, debandou para o ninho tucano, com a maior naturalidade.

Algum analista desavisado, ao tomar conhecimento do apoio do PSD a Serra, poderia até concluir que o novo partido estaria abandonando a base aliada do governo federal. Mas não é nada disso. Tudo continuará como antes. O PSD continua com seus interesses preservados junto ao governo federal e também mantém a parte que lhe cabe no latifúndio da prefeitura paulista. Já até se noticia que a meta do PSD é arranjar um ministério, vejam só quanta desfaçatez.

Traduzindo tudo isso: a política brasileira está cada vez mais podre. E essa situação se transmite à sociedade, como um todo. Justamente por isso, as novas gerações não se interessam por política. Vivem sob a chamada Lei de Muricy, em que cada um apenas cuida de si.

A gente até poderia perguntar, mais uma vez: Que país é esse, Francelino Pereira? Mas ele não responderá. O veterano prócer piauiense-mineiro está muito aborrecido, porque perdeu a pensão de governador, da qual desfrutou durante 21 longos anos.

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PSB TAMBÉM APOIA SERRA

Para demonstrar a esculhambação que vive hoje a política brasileira, o jogo continua virando em São Paulo, onde oPSB estadual e municipal também declararam apoio a Serra, apesar do partido integrar a base do governo Dilma Rousseff.

No desespero, o presidente do PSB, Eduardo Campos, desembarcou ontem na capital paulista com a tarefa de levar seu partido a apoiar o candidato do PT, Fernando Haddad.

O prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin intervieram diretamente para angariar o suporte do PSB local à candidatura tucana. Houve uma corrida contra o tempo para fechar com Serra antes da chegada de Campos a São Paulo.

O governador pernambucano, por intermédio da assessoria, garantiu que o partido vai acabar voltando a apoiar Haddad. Mas há controvérsias. O útimo recurso de Campos será usar a prerrogativa que a executiva tem para intervir no Diretório da capital de São Paulo.

E no embalo da candidatura, Serra subiu para 30 pontos na pesquisa Datafolha, enquanto em segundo fica Celso Russomanno (PRB), com 19%, e o petista Fernando Haddad obtém apenas 3%.

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