A política brasileira está no respirador artificial, enquanto Maia e Alcolumbre tramam a reeleição

Congresso retoma trabalhos nesta segunda com foco em reformas | VEJA

Maia e Alcolumbre: dois perdidos numa política suja

Percival Puggina

Tendo recebido aviso de que estava aberta no site e-Cidadania do Senado Federal enquete sobre a PEC 33, fui imediatamente dar meu voto contra. Essa proposta de emenda à Constituição tem por objetivo atender os anseios de uma banda não muito perfumada do nosso Congresso. Encaminhada por uma senadora, a medida pretende instituir a possibilidade de reeleição das mesas do Senado (Davi Alcolumbre) e da Câmara (Rodrigo Maia).

Ou seja, é uma emenda casuísta que só irá estimular, no comando dos poderes, o clientelismo que os constituintes quiseram evitar. A informação que recebi dava conta de a rejeição estar em 99%.

“EM MANUTENÇÃO” – Coincidentemente, no exato momento em que uma enquete que visa a informar sobre a adesão ou rejeição popular a proposições legislativas batia todos os recordes de reprovação, deparei-me com o aviso de que “A ferramenta de Consulta Pública está em manutenção para correção da exibição da ementa e autoria das proposições”. Existem coincidências que derrubam todas as probabilidades e mandam o desvio padrão para outra galáxia.

Não sei se, como, ou quando a enquete retornará. Tenho aí, porém, mais uma evidência dos inestimáveis serviços que a pandemia vem prestando aos abusados e aos abusadores da República. Com a falta de plenário, com sessões virtuais, com os canais da Câmara, do Senado e do STF dedicados a morféticos déjà vus, a política foi para o home office.

SEM CONTRADITÓRIO – Na falta do contraditório, do debate, do aparte, a atividade política sai das mãos de quem recebeu apoio popular nos entrechoques eleitorais e vai para os meios de comunicação, que fazem a “política” deles mesmos, organizando programas em conformidade com suas conveniências. Assim tem sido ao longo deste quase inteiro ano de 2020, ano em que a política foi para o respirador artificial.

O que mais se vê, nestes muitos meses, no Congresso e no STF, são irreais sessões virtuais transmitidas em quadrinhos. Nelas, os intervenientes falam desde o aconchego de seus lares em ambientes blindados à reação alheia.

Maia e Alcolumbre não contavam com ambiente tão propício! Em quase impotente contraposição, políticos, movimentos, cidadãos, organizam Lives para fornecer algum oxigênio aos pulmões da política, promovendo um mínimo de contraditório sem o qual tudo fica com jeito cubano.

NINGUÉM FALA – O silêncio tem sido o som da política nas ruas, nos plenários. Silêncio do povo e seus representantes.

Para sua reflexão, estimado leitor, encaminho uma inquietante pergunta:

Dentre os poderes constitucionais – legislativo, executivo e judiciário – quais os que se estão beneficiando desse silêncio de UTI para visíveis exercícios de autoritarismo e manipulação?

11 thoughts on “A política brasileira está no respirador artificial, enquanto Maia e Alcolumbre tramam a reeleição

  1. Com exceção das guerras mundiais e de países que sofreram invasões estrangeiras, o soldado convocado ou voluntário ia para a guerra com um objetivo determinado:
    Vencer o inimigo de qualquer forma.

    No entanto, a Guerra da Coréia, Vietnã, a invasão russa no Afeganistão, os americanos na Guerra do Golfo I e II … questionaram suas presenças na defesa de territórios que não lhes pertenciam.
    Pior:
    Matar quem não lhes agrediu ou tomou suas terras ou violentou esposas e filhas.

    O raciocínio lógico e humano contestava essa participação, faltando o verdadeiro motivo de os soldados oferecerem suas vidas em holocausto na defesa ou preservação de suas nações e entes queridos, que não tinham sido ofendidos ou sequer ameaçados.
    Tais revoltas ou motins redundaram em inúmeras deserções, invariavelmente omitidas pelos órgãos oficiais por questões de segurança e possíveis motivos de impulsos semelhantes.

    Dito isso, Bolsonaro foi soldado, e chegou a ser capitão, um posto intermediário, pois acima dessa hierarquia tem mais seis oficiais:
    Major, Tenente-Coronel, Coronel, General de Brigada, General de Divisão e General de Exército.
    Tais oficiais superiores e generais evidentemente são militares que mais estudam, se aprimoram, fazem cursos especiais e específicos; muitos são designados como adidos militares; outros são destinados a comandos de Unidades … enfim, seriam a nata das FFAA, somada à mesma hierarquia na Aeronáutica e Marinha.

    Mas, o ex-capitão teve um período curto no Exército. Não seguiu a carreira militar. Deu baixa na metade da trajetória antes de chegar ao comando supremo, um general de Exército.

    Digamos que, numa guerra, o capitão não seria vital para vencer o inimigo, a ponto que a história muito mais registra o desempenho de generais, almirantes, brigadeiros, coronéis e tenentes-coronéis com mais relevância e importância que os capitães.
    Até um simples Cabo tem mais vezes influência no desempenho da tropa, que um oficial subalterno ou intermediário, volta e meia.
    Não preciso ir muito longe:
    Hitler, que contribuiu decisivamente para deflagrar o maior conflito da História da Humanidade foi … cabo do Exército alemão na Primeira Guerra Mundial, e foi condecorado com duas Cruzes de Ferro, de primeira e segunda classe, a mais alta honraria para um combatente.
    Centenas de capitães sequer passaram perto dessas distinções no mesmo Exército e combates.

    Bolsonaro ao ser eleito presidente – uma pessoa de poucas luzes, pois como militar a sua carreira sofreu altos e baixos, e como deputado federal foi um ilustre desconhecido até dois anos antes da eleição presidencial -, deve ter pensado que deveria mesclar parte do seu espírito militar com a maior quantidade de suas intenções políticas.
    Mas – repito -, por não ser um exemplo de indivíduo inteligente, absorveu o que havia de ruim quando foi capitão, e misturou com o período como parlamentar, onde só havia incompetência, improdutividade, falta ao serviço, cumplicidade nos crimes de seus colegas porque nunca os denunciou, inútil porque jamais teve aprovado um projeto seu em favor do povo ou do país, e sentou-se na poltrona do presidente da República, situada no Palácio do Planalto, ali, ao lado do congresso, por onde volta e meia frequentava suas dependências.

    Resultado:
    Péssimo presidente!

    Os poucos resquícios militares de Bolsonaro o impulsionaram para ser inimigo do pobre, do miserável, do desempregado, do analfabeto absoluto e funcional, comprovado pelo estado que esse contingente de milhões de adversários se encontra, abandonados à própria sorte ou prisioneiro da sua condição lamentável de vida, que sobrevive com o vencedor da guerra entregando uma sacola de alimentos e uns trocados para milhões de pessoas literalmente derrotadas!

    Na condição de político, Bolsonaro seguiu o seu modelo de congressista na presidência, ou seja, aliado das castas, das elites, dos poderosos do sistema financeiro, e tratou de abocanhar mais tropas para o seu lado, convidando o Centrão, um grupelho acusado de mercenário, e do bando diabólico, travestido em grupo de Deus, porém adora e cultua o vil metal!

    Mais um pouco, e teremos um governo teocrático-militar-parlamentarista-absolutista-democrático-anárquico e segregacionista OFICIAL!

    Decidi fundar a minha religião, de modo a gozar dessas diferenças maravilhosas que são alcançadas legalmente.

    Ela se chamará, A Seita Cheque, e seus fiéis ou membros usarão uniformes, e deverão eleger como inimigos ferrenhos aqueles que não cultuarem os desígnios do profeta – EU, claro -, que serei o dono da verdade absoluta e incontestável.

    VALHA-ME, DEUS, mas onde foi que errei??!!

    A foto que estampa o artigo em tela, do gaúcho Puggina, é memorável.
    Os dois presidentes, senado e congresso e o da câmara, riem às bandeiras despregadas do povão.

    O diálogo, certamente seria:
    – Maia, ô Maia?
    – sim, Lulu?
    – que povo idiota esse brasileiro, né?
    – hahahahahahahahahahahahahahaha.

  2. Prezado Geraldo,

    Obrigado pelo comentário a mim dirigido.

    Sabe, falando sério, eu também acho que exagero de tanto comentar sobre o atual presidente.
    Acontece que não me faltam razões, motivos, circunstâncias, para eu postar os meus textos criticando a administração de Bolsonaro.

    Mas te dou plenas razões, Geraldo.
    Vou evitar essa obsessão.

    Abração.
    Saúde e paz.
    te cuida. meu!

  3. Caro Bendl, relaxa e goza, como já ensinava a Marta Suplicy.
    O Bolsonaro, a bordo das 13 etapas do bolsa família, e do auxilio emergencial, já esta reeleito, sem que se possa mais nada fazer.
    Já anda dando uns chega pra lá, no Paulo Guedes, que insiste em tomar dos pobres para dar aos miseráveis, comprometendo a índole “justicialista” do presidente.
    Imagino saber a decisão do amigo, se a disputa se der entre o atual presidente, e um indicado do lula.
    Saúde, paz e um forte abraço.

    • Prezado Luiz R.,

      Desta vez não preciso mais votar porque completei 70 anos!
      Encontro-me livre desta obrigação “democrática”.

      Agora, lamentavelmente tens razão.
      Mais uma vez a próxima eleição para o Planalto será entre alguém do Lula – sabe-se lá se não ele mesmo -, e Bolsonaro.

      Continuará a saga brasileira, que vem de décadas passadas.
      Não sei quando terminará esse carma ou castigo ou cruz, que carregamos há tanto tempo.

      Enfim …

      Abração.
      Saúde e paz.
      Te cuida, meu!

  4. Dois personagens que pretendem se reeleger, a mordomia é boa, deveria haver eleição, mas querem burlar o regimento interno da câmara e senado, este Rodrigo Maia está mostrando quem é, está sendo investigado por corrupção, é muita cara de pau.

  5. Se a Cidadã for emendada mais uma vez, (já são 106 emendas), só há uma conclusão racional “ela é uma droga, não serve para nada, vamos mudá-la”
    É duro, mas é realidade, “o livrinho” publicado pelo Dr Ulisses, mas escrito pela turma do Sarney, até agora só se mostrou efetiva na blindagem das más práticas governamentais e na adubação da linda jabuticabeira brasileira.
    “Ela não é perfeita” diz o Senhor Diretas, mas não precisava exagerar, já são 106 remendos.
    Parece mais, o manual de voo do A 340.
    Sei que o assunto é sério e árido, e minha ironia é só para provocar debates mais sérios.

  6. Se enganaram ao povo durante toda a vida porque caracterizariam de enganar se o momento favorece os salafrarios de sempre.
    Até os matutos metidos a malandros, dilma, luiz inacio e bolsonaro o fizeram, claro, assessorados por rufioes profissionais que cobram fortunas, mas não se comparam aos que os matutos depois lesarao o
    as finanças do estado.
    Quem não acredita em Deus pode jogar a toalha, mas quem acredita, como eu, espera que eles queimarão como ervas daninhas na fornalha da história.
    Roubar dinheiro público é a perdição desses matutos que pensam que são malandros mas não conhecem o Estácio, e nem sabem onde fica.
    Os matutos conhecem os esconderijos de Brasília.

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