A posse de Chávez, com ele ausente e quase inexistente, será a morte do chavismo. A Venezuela não merece essa desgraça. A surpreendente popularidade interna de Dona Dilma, a impopularidade externa compreensível e aceitável. Neymar ficou no Brasil, a Europa se vinga dele, mostra desprezo pelo país, colocando-o como 13º. Há!Há!Há!

Helio Fernandes

O desenlace da sucessão na Venezuela, em vez de terminar, como parece, apenas estará começando. Apesar do que está claríssimo na Constituição, que determina rigorosamente como as coisas devem acontecer, querem fazer de forma totalmente imprevisível, incompreensível, inconstitucional.

Já que usei a palavra incompreensível, continuemos com ela. Desde a primeira cirurgia de Chávez, escrevi: “Não consigo entender a razão do presidente da Venezuela ir se operar em Cuba, totalmente despreparada para o fato”. E dei as razões, inclusive esclarecendo que não precisava gostar ou desgostar de Chávez, para lamentar a decisão de ir para Cuba, em vez de se operar na própria Venezuela ou no Brasil.

Motivos irrefutáveis, informações e não informes:

1 – Cuba, hoje, não tem um só hospital decente, em condições de operar um presidente da República, principalmente de um país dividido, enclausurado no silêncio, praticamente ditatorial.

2 – Mais de 12 mil médicos de Cuba, tidos e havidos como do “primeiro time”, estão na Venezuela. Por que não operar lá?

3 – Os que ficaram, não saíram porque não havia mercado, alguém precisava cuidar do povo cubano.

4 – Os que foram para a Venezuela vivem (?) revoltados, recebem miseravelmente, moram em barracos, uns por cima dos outros. Na certa, Chávez não teve confiança de se entregar a eles.

5 – Por que isso acontece? Muito simples. Chávez não paga aos médicos, pessoalmente, com salários.

6 – É a Venezuela que paga a Cuba, uma parte importante em petróleo, uma das maiores necessidades dos irmãos Castro.

7 –A Venezuela substituiu a União Soviética, que acabou em 1991 (no dia de Natal), por excesso de i ncompetência.

8 – Na primeira cirurgia, Chávez teve um rasgo de compreensão, telefonou para Lula, confessou: “Preciso fazer uma cirurgia contra o câncer no rim, quero me internar naquele hospital onde você se operou, não lembro o nome”. Lula, rápido: “Sírio Libanês, vou tratar de tudo, logo telefono para você”.

9 – Lula cuidou de tudo, no dia seguinte falou com Chávez, este já havia mudado totalmente de posição e de intenção. Textual para um Lula perplexo: “Meus conselheiros e assessores querem impedir que eu me opere no Brasil, dizem que aí eu só conheço você e mais ninguém”.

10 – Lula insistiu muito, então Chávez colocou suas exigências: “Preciso de um andar inteiro, locais para meus seguranças (deu a entender que seria quase um exército), refeições feitas pela minha equipe”, e foi em frente.

11 – Lula estava tão preocupado com a operação, respondeu que falaria com a direção do Sírio ibanês, “mas eles não vão concordar”, que foi o que aconteceu.

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DONA DILMA APOIA O GOLPE

DOS CHAVISTAS SEM CHÁVEZ

Em total desaceleração de prestígio no mundo, Dona Dilma, sem examinar a questão em profundidade, mandou um assessor a Cuba. E estando de férias na Bahia, conversou com ele pelo telefone e, espantosamente, a-u-t-o-r-i-z-o-u-o a apoiar o golpe da permanência sem a presença. É evidente que se trata de um golpe de estado, pior do que aconteceu no Paraguai.

O Paraguai foi suspenso do Mercosul, a principal força para essa decisão partiu do Brasil. Logicamente, de Dona Dilma. Agora, a presidente do Brasil, inesperada e levianamente, se coloca impensadamente a favor da “posse de Chávez”, mesmo sem saber como ele está, qual é verdadeiramente seu estado de saúde.

Inicialmente, Dona Dilma deveria ter enviado a Cuba o chanceler e não um assessor. Sua repercussão externa vem caindo violentamente por causa de decisões como essa. E agora, apoiando o golpe que já começou, mas se concretiza (e se consolida) hoje, Dona Dilma nem pensou no problema que criou para o Brasil e para ela mesma.

A Venezuela já criou polêmica e perturbação, quando entrou para o Mercosul, praticamente por exigência de Lula. As condições que fazem parte do Mercosul de hoje, para impedir a implantação de novas ditaduras, estão sendo dinamitadas de dentro para fora. E com a garantia do Brasil, um dos que mais sofreu com a ditadura, longuíssima.

Outra coisa que não consigo entender é o medo que os chavistas têm de eleição. Chávez não está partindo para a quarta posse? É lógico que será vencedor novamente, se houver eleição em 30 dias. Será que consideram que só quem ganha é Chávez, os outros são sempre e apenas coadjuvantes? Coadjuvantes e estraçalhados. Chávez é que segurava a todos pela força.

É evidente que o declínio de Dona Dilma nas relações externas deveria influir (e influi mesmo) no relacionamento interno. Mas acontece que aqui essa repercussão é medida por pesquisas sempre sujeitas a enganos, equívocos ou descaminhos da estrada principal. Insistem que Dona Dilma seria reeleita, se a decisão fosse hoje. A desculpa esfarrapada é que não é.

O que Dona Dilma realizou ou pelo menos começou nos 2 anos de governo? Nada vezes nada. No primeiro ano só assinou demissões, quase todas com base em corrupção. Mas não avançou de maneira alguma, principalmente no que era mais importante. Pode até ser reeleita, mas o Brasil terá conhecido a aventura do retrocesso.

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A EUROPA E NEYMAR

Esse assunto é tão importante quanto os outros, não se trata da contratação ou não de um jogador, da ida dele para a Europa, da permanência dele no Brasil. Aproveitaram a entrega da “Bola de Ouro”, para exibir despeito, desprezo, desapreço pelo maior jogador do Brasil.

Como se tratava de vingança, mostraram que foram atingidos em pleno coração, e revidaram dupla ou triplamente. Até concordo que Messi poderia ter ganho a honraria pela quarta vez. Mas colocar Neymar em 13º lugar é exibir indignação e indignidade.

A raiva continuou com a escolha do gol mais bonito, naturalmente o de Neymar. Na sua característica e estilo, pegou a bola no meio do campo, foi driblando todos, o último a ser ultrapassado foi o goleiro, com um toque sutil. O “vencedor” acertou um chute, não fez mais do que isso.

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PS – Desculpe, Elio Gaspari, mas quem primeiro e seguidamente chamou a Junta Militar de 1969 de “Três Patetas” foi este repórter. O doutor Ulisses era importante, mas não tinha humor ou criatividade para isso.

PS2 – Quando Costa e Silva estava no palácio, com AVC, tratado pelo grande cirurgião Paulo Niemeyer (pai, o filho foi pelo mesmo caminho de competência), ele me falou: “Toda manhã peço para me trazerem a Tribuna da Imprensa, para saber o que está acontecendo”.

PS3 – Se quiser, confirme com o Carlos Chagas, Assessor de Imprensa de Costa e Silva, que ficava o dia todo com Niemeyer. Não demorou muito, os “Três Patetas” me seqüestraram, me desterraram, me deportaram para Campo Grande, hoje capital do Mato Grosso do Sul.

PS4 – Isto não é uma reivindicação, é História, Elio. E o nome dos “Três Patetas” não entra na História, não passa pela minha memória.

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