A prisão de um governador no cargo, como Arruda, não é um fato inédito

Roberto de Barros Benévolo:
“Os que pensam que a prisão do Arruda foi inédita, por ser a primeira vez em que um governador é preso no exercício do mandato, têm memória curta. Em 1º de abril de 1964, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, foi preso, deposto e confinado em Fernando de Noronha, onde permaneceu durante nove meses.”

Comentário de Helio Fernandes:
No meu caso, Benévolo, em todas as oportunidades, ressaltei, registrei e ressalvei, que o fato era e é inédito, excluídas as ditaduras.

Muitos, como você, citaram 1964, quando o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, e o governador de Sergipe, Seixas Dória, foram presos, depostos e seqüestrados.

Além de conhecer História, como conheço, outro fato importantíssimo. Mais tarde, quando cheguei a Fernando de Noronha, ainda encontrei traços da passagem e permanência dos dois governadores por lá.

(Embora eles tivessem sido violentados como só podia e pode acontecer numa ditadura, minha situação e meu sequestro-confinamento, completamente diferente: eu não ocupava cargo algum. E escrevi sobre o “presidente” morto, tudo o que escrevia durante os quase três anos em que ele esteve no Poder, surrupiado do povo e entregue arbitrariamente a ele.

Isso durou toda a ditadura, cumpri apenas a minha obrigação de jornalista. Ou como pregou o sábio e bravo Apóstolo Paulo: “COMBATI O BOM COMBATE”. Coisa que os ditadores golpistas, travestidos de democratas, não costumam fazer ou repetir).

1964 também não foi inédito, Benévolo, as ditaduras se completam, se comparam, conseguem ser iguais, ao mesmo tempo, arbitrárias, violentas, cruéis e selvagens. O ditador Getúlio Vargas, em 1937, resolveu aumentar seus Poderes, governar discricionariamente, fechando o Congresso, os tribunais, prendendo quem resistisse.

Era o tenebroso “Estado Novo”, igual ao regime implantado em 1964. Que não respeitava ninguém, prendiam com o mesmo excesso de autoridade, torturavam com as mesmas armas, se julgavam eternos no Poder. Nisso, 1964 e 1937 se copiavam na fraude, na farsa, na usurpação.

Vargas precisava do apoio dos 21 governadores, mandou ao mesmo tempo consultá-los e intimidá-los. 18 CONCORDARAM, 2 RESISTIRAM e o outro saiu do cargo, mas se “ACERTOU” com Vargas. Lima Cavalcanti (do mesmo Pernambuco de Arraes) foi para a Europa, só voltou em 1945.

Flores da Cunha, do Rio Grande do Sul, não aceitou as promessas do grande amigo e candidato a ditador, se exilou no Uruguai, depois, preso por 2 anos.

Juracy Magalhães humilhou a Bahia, fez carreira milagrosa nessa ditadura e ainda viveu bastante para ser general, ministro e embaixador na outra, de 1964.

É a chamada longevidade ditatorial.

 ***

PS – Mas não podemos deixar de incluir os casos do Maranhão e da Paraíba. Não houve prisão dos dois governadores “cassados” pelo TSE. Este acertou em tirá-los dos cargos. Mas errou espantosamente ao CONSAGRAR os derrotados, que pertencem ao mesmo sistema CONTAMINADO.

PS2 – Se o TSE, depois de CASSAR os dois governadores, convocasse eleições diretas, seria aplaudido pela decisão DEMOCRÁTICA.

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