A propósito da resposta da presidente Dilma ao ‘The Economist’, que sugeriu a demissão de Mantega

José Carlos Werneck

“Eu nunca vi nenhum jornal propor a queda de um ministro. (…) Nós estamos crescendo a 0,6% nesse trimestre. Iremos crescer mais no próximo trimestre. Então a resposta é: de maneira alguma eu levarei em consideração esta, digamos, sugestão.”

Essa foi a resposta magnífica que a presidente Dilma Roussef deu aos jornalistas, quando perguntada sobre o rídiculo e absurdo “conselho” da revista britânica ‘The Economist,’ ao sugerir a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

“Nós todos aqui somos a favor da liberdade de imprensa. Então não tem nenhum senão a dizer sobre o direito de qualquer revista ou jornal falar o que quiser. Só quero me manifestar que em hipótese alguma o governo brasileiro eleito pelo voto direto vai ser influenciado pela opinião de uma revista que não seja brasileira”, destacou a presidente.

A resposta da presidente não poderia se mais adequada diante da infantilidade e falta de seriedade,deste texto, da publicação britânica,tida, até então, como uma das mais conceituadas do gênero.

Para Dilma Roussef, diante da crise gravíssima que o mundo atravessa, com países tendo taxas de crescimento negativas, escândalos e quebra de bancos, não é correto esse tipo de atitude.

“Vocês não sabem que a situação deles é pior do que a nossa? Pelo amor de Deus, desde 2008″, afirmou. Não temos crise de dívida soberana. A nossa relação dívida PIB é de 35% e a inflação está sob controle”, afirmou ao final da reunião de cúpula do Mercosul.

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“MORIBUNDA CRIATURA”

Entre outras inverdades e leviandades a revista chamou a economia brasileira de “moribunda criatura”, e a presidente de “intrometida-chefe” (em referência às intervenções do Estado no mercado) afirmando que, se ela fosse mesmo pragmática, “deveria demitir o senhor Mantega”.

Chamar de moribunda a economia brasileira é desconhecer o interêsse de importantes empresas,como a BMW,a Audi e a Nissan de se instalarem no País.Será que esses gigantes do setor automobilístico gostam de arriscar seus recursos em países a beira da falência?

Dilma tem se mantido dentro dos parâmetros que norteiam as ingerências dos governos democráticos nas questões econômicas.

Uma das últimas medidas que tomou foi ordenar que os estabelecimentos de crédito governamentais baixassem suas taxas de juros,colocando-as em patamares mais civilizados, o que indiretamente levou os bancos privados a também diminuirem sua sanha gananciosa, de explorar àqueles que necessitassem de empréstimos. Talvez esta medida salutar, objetivando por um freio na vergonhosa e imoral exploração dos consumidores, tenha desagradado os agiotas de plantão e motivado as críticas à presidente.

E é bom ressaltar que Dilma baixou os juros dos bancos estatais. Os particulares adequaram-se à realidade, não por serem “bonzinhos”, mas por temerem uma debandada de seus clientes para os estabelecimentos estatais.

A sugestão do “The Economist” soa tão ridícula como se alguma publicação brasileira “aconselhasse” ao governo britânico extinguir a Monarquia.

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