A queima das bandeiras dos Estados

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Getúlio extinguiu a Federação e nomeou interventores

Carlos Chagas

Cresce, e mais crescerá, o debate sobre a necessidade de profunda revisão no pacto federativo. Do jeito que está, não dá mais. Os Estados encontram-se à beira da falência, se é que alguns já não faliram. Somos uma Federação de mentirinha. Sem a União, isto é, o poder central, que também vai de mal a pior, a Federação se desmancharia.

Será sempre bom lembrar que o golpe de 37 implantou no Brasil o Estado Unitário, com a nova Constituição centralizando todo o poder nas mãos do presidente da República. Textos e fotos de velhos jornais nos remetem ao final daquele ano, quando no Largo do Russell, no Rio, formados militarmente,  centenas de estudantes das escolas públicas confluíam para o centro da praça. Lá fora montada uma pira de grandes proporções. Uma escola após outra, os batalhões de rapazes marchavam levando as bandeiras de 21 Estados, que logo eram incineradas. Meninas garbosas vinham a seguir, trazendo nas mãos as partituras dos hinos estaduais, que também viravam cinzas. Getúlio Vargas discursou que dali em diante uma só bandeira seria hasteada no país, a brasileira. E apenas um hino entoado, o nacional.

INTERVENTORES – De tabela, tinham sido demitidos os governadores, chamados de presidentes dos Estados, substituídos por interventores nomeados pelo presidente. O fascismo dominava a Europa e o Brasil não ficou atrás. O singular é que não se disparou um tiro. Leis trabalhistas de rara sensibilidade levaram os trabalhadores a um apoio unânime ao novo regime, no caso, de justiça social e de exaltação à ditadura, pois o Congresso, as assembleias legislativas e os partidos políticos haviam sido fechados. Era o fim da Federação, estabelecido o Estado Unitário. O tempo passou, voltaram a democracia, mais tarde a ditadura, outra vez, e agora fomos até rebatizados de República Federativa.

Só que ela não funciona. Os Estados andam em frangalhos. O Poder Central, quase isso. É preciso tomar cuidado, pois muitos desiludidos e outro tanto de patetas não demoram a pregar a queima das bandeiras e das partituras.

4 thoughts on “A queima das bandeiras dos Estados

  1. Até que enfim, um artigo sobre um tema de extrema importância, porém pouco elucidativo apesar de deveras oportuno, uma vez que debate a Federação.
    Causa surpresa a abordagem de tão caro tema nesta coluna, que continua grudada, como um amálgama, na “esquerda gagá”.
    A mesma que defende, ainda que de forma piegas, chinfrin e, até mesmo, porque não dizê-lo, pouco ortodoxo, temas ultrapassados, tais como a ditadura do proletariado, por exemplo. Esquerda esta que tomou conta das nossas Universidades, entidades culturais e das redações da nossa imprensa dita “isenta”.
    Parabéns pela abordagem.
    Ainda que rasa.
    Marcelo Albuquerque

  2. Chagas, eu tenho que dar outra versão. O que existia era a ameaça de Hitler tentar anexar o sul da América do Sul onde se concentrava uma população majoritáriamente de descendentes de alemães. Como os alemães consideravam seus descendentes como seu povo em qualquer lugar do mundo. Getúlio mandou que todas as escolas do Rio Grande do Sul abolissem o ensino da lingua alemã também fechar clubes frequentados só por alemães, onde só se falava em alemão. O encarregado foi o coronel Cordeiro de Farias. Já havia quem usasse a bandeira dos estados (no sul) como se fossem estados independentes. Continuamos Uma Federação. Falar em pacto federativo é uma bandeira que ninguém explica direito o que querem. O Brasil diferentemente dos EEUU que primeiro teve Confederação (União provisoria de 13 colônias independentes que se uniram para enfrentar os inglêses. Nasceu de um “Estado Unitário” em que as provincias, proclamada a República, se transformaram em estados. Se não houvesse CORRUPÇÃO DESENFREADA OS ESTADOS NÃO ESTARIAM NA SITUAÇÃO QUE ESTÃO. CORRUPÇÃO NÃO SÓ NO GOVERNO FEDERAL. CORRUPÇÃO DESENFREADA EM TODOS OU QUASE TODOS OS ESTADOS.

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