A quem interessa desmoralizar Sérgio Moro, o juiz mais patrulhado do país?

Sergio Moro

Sérgio Moro já está se acostumando a ser patrulhado

Carlos Newton

De hábitos simples, mesmo depois de sofrer sucessivas ameaças o juiz Sérgio Moro insistia em ir de bicicleta ao trabalho, correr na rua e voltar à pé do almoço em um restaurante perto da Justiça Federal. Mas aos poucos, teve que mudar a conduta e desde março de 2016 passou a andar sob proteção policial 24 horas por dia. Para oferecer proteção, a Polícia Federal disponibilizou cinco agentes e um carro, levando Moro a aposentar o Golf que dirigia. E hoje só amigos muito próximos conhecem a sua vida fora do tribunal.

Além de vigiado, o juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba é também patrulhado implacavelmente. Suas decisões processuais são vasculhadas em buscas de erros ou de segundas intenções, e a mídia tem publicado muitos textos de críticas a ele, sem a menor base factual.

PERSEGUIÇÃO – Na verdade, Moro está submetido a uma perseguição implacável. Tem de tolerar e respeitar o mau comportamento das dezenas de testemunhas de defesa de Lula, caso contrário vira alvo de ataques. Ao mesmo tempo, suas decisões sofrem críticas descabidas e até mesmo inventadas.

Agora, por exemplo, diz-se que diversos órgãos públicos (Tribunal de Contas da União, Fazenda Nacional, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Receita Federal, Advocacia-Geral da União e a Receita Federal) estão questionando um ato de Moro sobre uso de provas da Lava Jato contra delatores, porque colocaria em risco a cobrança de R$ 2,3 bi em débitos tributários.

“CARTEIRADA” – De concreto, mesmo, há apenas o ataque de um dos ministros do TCU, Bruno Dantas, que considerou a decisão de Moro como uma “carteirada”. À exceção dessa busca por 15 minutos de fama, nenhum dos outros órgãos públicos fez duras críticas a Moro, que atendeu a uma reivindicação do Ministério Público Federal.

A Procuradoria apenas solicitou que houvesse um maior controle das informações, para harmonizar o relacionamento entre os diversos órgãos públicos, de forma a evitar decisões conflitantes em relação aos acordos de delação.

Mas a imprensa caiu de pau, inventando que Moro havia “impedido” o uso de provas obtidas pela Lava Jato contra delatores. Na verdade, o juiz não proibira nada. Apenas determinou que as instituições solicitem autorização que indique o delator e a empresa cujos dados deseje obter.

UM ESCÂNDALO – A imprensa deu ares de escândalo ao fato, como se a decisão de Moro tivesse de fato a intenção de impedir o compartilhamento das informações, algo que nunca existiu nem consta do despacho dele.

“Entendemos que a decisão não tem esse alcance, mas a gente, em contato com o Ministério Público e com a própria 13ª Vara, vai solicitar um esclarecimento para que seja passado a limpo e realmente não haja nenhuma dúvida em relação a isso”, diz o coordenador-geral de Estratégias de Recuperação de Créditos da Procuradoria-Geral da Fazenda, Daniel de Saboia Xavier, colocando as coisas no seu devido lugar.

De tudo isso, ficam no ar duas instigantes indagações. A quem interessa desmoralizar o juiz Sérgio Moro? E por que a imprensa embarca com tanto entusiasmo nessas canoas furadas?

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P. S.
Segundo o juiz Moro, é necessário proteger de sanções excessivas de outros órgãos públicos o colaborador ou a empresa leniente, para não desestimular a própria celebração de acordos de delação. E a Procuradoria-Geral da República, que solicitou a decisão de Moro, compartilha esse entendimento. (C.N.)

 

9 thoughts on “A quem interessa desmoralizar Sérgio Moro, o juiz mais patrulhado do país?

  1. A questão é que o povão já percebeu que o juiz Sergio Moro virou fiador da delação premiada, que é muito lucrativa para advogados e delatores, mas que passa longe da verdade.

    Com isso, a aprovação do juiz de Curitiba despenca, fazendo com que seus antigos bajuladores, na mídia, passem a critica-lo, e assim, se mostrarem, hipocritamente, isentos.

  2. Nobre C.N.
    O conciente coletivo brasileiro tem uma característica inimiga do bem. E a imprensa, você melhor do que eu sabe seus motivos de interesse.

  3. Acontece que as ações praticadas pelo juiz Sergio Moro, fizeram secar muitas “tetas”, até então bastante “leiteiras”, dai todo o chororô da turma mal acostumada.
    Os defensores da quadrilha apeada do poder e também da que continua, ficarão a ladrar, enquanto a caravana dos que abominam a roubalheira passa, capitaneada agora pelo Moro e no futuro, por outro capitão.
    A turma da boquinha, anda inconsolável.

  4. Isso é briga de cachorro grande. Moro devia simplesmente não querer aparecer como duas imágens: Juiz e estrela. Com todo o prestígio que conseguiu não pode deixar dúvidas na cabeça de ninguém. A verdade verdadeira é que Moro parece gostar dessas coisas. Tem um caso aí que deixa claro essa sua sede que questiunculas: Porque se nega a ouvir uma testemunha? Só isso causa dúvida na cabeça de muita gente.Se a testemunha é mentirosa com mais razão deve ser ouvida para ser desmascarada.

    • Aquino, como ousa questionar o Egrégio Dr. Sergio Moro ???

      Vão chamar vc de Petista, Esquerdopata, Petralha, Mortadela, Cumunista, Bolivariano, etc….

  5. A verdade é que aquele que considera uma decisão de Moro questionável, deve fazê-lo pelos canais competentes, na própria Justiça.

    Mas o que se vê são verberacoes e gritaria pela mídia tentando desautoriza-lo e confundir a opinião pública em seu desfavor, sem nada de concreto que possa manchar a sua conduta ou incrimina-lo.

    Parece que no Brasil, por alguma distorção de caráter, uma inclinação perversa do nosso senso comum, quem se projeta por uma conduta ética logo passa a ser alvo de uma tentativa de desmoralização.

  6. Moro tem feito um trabalho espetacular, e que nunca havia sido feito de forma tão grandiosa e cuidadosa.

    A Lava Jato é um exemplo de que é possível combater a corrupção, mesmo quando envolve os criminosos mais poderosos deste país. E diversos partidos políticos.

    E é só o começo de uma mudança que vem se operando neste país.

  7. Roberto Marques, para você só dando uma dose de Bertold Brechet: “Você é um analfabeto político”.Eu há dezenove anos frequento a Tribuna desde quando era Impressa e nunca neguei minha ideologia política. Você vomita esses escrementos mas não diz qual tua seita.

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