A realidade dos fatos desmoraliza os cálculos de Paulo Guedes, do IBGE e da FGV

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Charge Marco Jacsobsen (Folha de Londrina)

Pedro do Coutto

Quando o ex-presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, anunciou na quarta-feira que a empresa estabeleceria um novo aumento de preço da gasolina, óleo diesel e gás de cozinha, o ministro Guedes estava na mesa ao lado de Bolsonaro ouvindo a explicação do dirigente da estatal.

Guedes apoiou a decisão, aceitando o princípio de que o aumento coincidia com os preços internacionais do petróleo, forma focalizada para assegurar a saúde financeira da empresa.

INFLAÇÃO MANIPULADA – Acontece que, como Manoel Ventura, Gustavo Maia e Bruno Rosa mostraram em O Globo de sexta-feira, em um mês e meio deste ano o preço da gasolina subiu 34% e do óleo diesel, 27%.

O ministro da economia, da mesma forma que Castello Branco não levou em conta o reflexo na taxa de inflação. Na minha opinião, ambos indiretamente basearam suas posições no índice inflacionário de apenas 0,25% no mês de janeiro, confiando na pesquisa da FGV.

Erraram. Esse índice de 0,25% é simplesmente ridículo, a população sabe muito bem disso. Os preços ao longo desses 50 dias que separam dezembro de fevereiro subiram numa velocidade que esvaziou o bolso de um número enorme de brasileiros.

NÚMEROS DISCREPANTES – O IBGE apontou 4,5% de inflação em 2020. A FGV tem cálculo parecido, menos para o IGPM que rege os aluguéis entre outros itens. No ano passado, o IGPM avançou 21%. A surpresa foi tanta que os proprietários de imóveis resolveram não aplicar tal impacto, preferindo reajustes muito menores para não perder locatários.

Enquanto isso, os salários, especialmente do funcionalismo público, com exceção da magistratura e do ministério público, ficaram estacionados em 0%, como se não tivesse havido inflação. Isso torna impossível o poder de consumo ter se expandido, menos para o ministro Guedes que afirma reiteradamente que a economia vai bem. Como? Se o próprio Banco Central admite que o PIB recuou 4% ano passado, não há como o ritmo da economia ter acelerado. 

ISENÇÃO DE IPI – No meio da confusão, o presidente Bolsonaro antes de exonerar Castello Branco, assinou decreto de isenção do IPI sobre o diesel, sem ouvir o ministro da Economia.Os repórteres Bernardo Caran e Júlio Wiziack focalizam esse ponto igualmente crítico colocado por Bolsonaro.

Já o ministro Paulo Guedes perde espaço porque esqueceu que o preço dos combustíveis gera uma cascata de aumento de preços e com isso Bolsonaro perde popularidade. Além do mais, como a sociedade brasileira poderia suportar esse peso?

O Ministro das Minas e Energia Beto Albuquerque teve o desplante de dizer que Castello Branco não foi exonerado e o presidente da República apenas não o reconduziu, porque a recondução acontece de dois e dois anos e a data seria março. O titular da pasta, um almirante, mentiu ao assumir uma versão que contraria a realidade do Palácio do Planalto.

5 thoughts on “A realidade dos fatos desmoraliza os cálculos de Paulo Guedes, do IBGE e da FGV

  1. Bom dia a todos!! Há , desde sempre, uma cultura inflacionária no Brasil e isso é muito prejudicial a toda população. O Real “fez água” em muito pouco tempo. O Estadão de hoje traz importante entrevista com Salim Mattar que fala , dentre outras coisas , sobre a interferência do governo (acionista majoritário) na Petrobras e suas consequências. Opiniões interessantes embora controversas. Até mais pessoal!!!

  2. Em 2020 o preço da cesta básica subiu em 24,67%.

    Como a inflação pelo IBGE foi só 4,5% se tudo aumentou muito mais, só podem estar manipulando os números igual os governos Kirchners fizeram na Argentina.

    Isto só pode ser coisa da Republica de Bananas . . .

    Só lembrando . . .

    Governo Kirchner é acusado de manipular dado de inflação

    Técnicos de instituto similar ao IBGE vêem “intervenção”
    https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0502200713.htm

  3. Pode ser que esse índice de inflação tenha sido calculado com base em dólar, não em Reais.

    Quem costuma comprar em supermercados, em feiras, em lojas, comprar remédios, pagar planos de saúde, etc., sente que esse índice divulgado cheira muito mal.

    Parodiando o prof Raimundo: E os salários, ó? Desse tamanhinho.

  4. O presidente da Petrobrás caiu por ter se negado a baixar o preço do Diesel e da Gasolina.
    Os caminhoneiros vinham ameaçando entrar em greve, por não suportarem os custos do combustível.
    A questão de Castelo Branco trabalhar em Home Office desde março de 2020, bem como toda a Diretoria da Estatal, não pesou na demissão, caso contrário, teria que demitir todos os outros dirigentes, na mesma situação. Outra coisa, porque esperou quase um ano, para tomada de decisão?
    O governo sabe, que enfrentar uma greve de caminhoneiros é uma pedreira. Temer passou por isso e na época Bolsonaro e Bebiano, em plena campanha presidencial, apoiaram a categoria. Então, sabe-se o que fizeram no verão passado e suas consequências, no âmbito do desabastecimento, das paralisações nas estradas e da impopularidade do governante.
    O que espantou mais uma vez, foi o silêncio do ministro Paulo Guedes, que estimula as ações neoliberais de seus subordinados, mas, quando são defenestrados pelo presidente, se finge de morto, quedando-se inerte diante da degola do auxiliar. Não é a primeira vez e não será a última.
    Vale para Guedes a máxima: “Cada um que cuide de seus próprios interesses e arque com as consequências”.

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