A realidade política da Ucrânia acabou levando ao poder um comediante de verdade

Resultado de imagem para Volodymyr Zelenskiy

Praticamente sem campanha, o comediante teve 70% dos votos

Bernardo Mello Franco
O Globo

Na Ucrânia, um comediante aproveitou a irritação geral com os políticos para chegar ao poder. Volodymyr Zelenskiy fez sucesso na TV ao interpretar um professor que se revolta contra o sistema e vira presidente por acaso. A série ficou tão popular que ele decidiu se candidatar de verdade.

Zelenskiy evitou os palanques, fugiu da imprensa e faltou a quase todos os debates. Preferiu fazer campanha nas redes sociais, onde protagonizou cenas inusitadas. Num vídeo recente, pediu votos enquanto fazia flexões numa barra. Em outro, apareceu com um nariz de palhaço.

SEM DECEPÇÃO – O humorista foi criticado por não ter experiência administrativa e apresentar poucas propostas concretas. “Não tem promessa, não tem decepção”, respondeu, num slogan engraçadinho. Os ucranianos gostaram da piada. Zelenskiy virou favorito e foi eleito no domingo, com mais de 70% dos votos.

Num país ao sul do Equador, outro outsider apostou no marketing do homem comum. Ele capitalizou a indignação com os políticos, apesar de acumular sete mandatos parlamentares. Também escapou dos debates e repetiu a mesma resposta para todo tipo de pergunta: “Tem que mudar tudo isso daí, tá ok?”.

A comédia começou depois da eleição. Um guru paranoico e três irmãos tuiteiros se encarregaram de distrair a plateia. No elenco de apoio, despontaram um diplomata louco, uma pastora histriônica, deputados youtubers e um ator pornô.

PELA INTERNET – No feriado da Páscoa, os núcleos da série voltaram a se engalfinhar pela internet. O guru debochou dos generais que despacham no palácio: “Só cabelo pintado e voz empostada”. Acrescentou que o regime exaltado na propaganda oficial “entregou o país ao comunismo”. O pitbull do governo se empolgou com a performance e divulgou o vídeo nas redes do pai.

Um dos alvos das piadas não achou tanta graça. Sugeriu que o guru é um charlatão e lembrou seu passado como astrólogo. Magoado, o herdeiro do presidente anunciou “uma nova fase”: “Quem sou eu no meio deste monte de gente estrelada?”.

10 thoughts on “A realidade política da Ucrânia acabou levando ao poder um comediante de verdade

  1. Na verdade, no Brasil, poderia ter sido tudo diferente, caso pelo menos o PSOL tivesse se mostrado como um partido diferente, desprendido, e oferecido ao distinto público o candidato diferente, que bateu às suas portas, com projeto próprio, de política e de nação, realmente novo e alternativo a tudo isso que ai está há 129 anos. Mas o PSOL, infelizmente, achando-se muito esperto, preferiu repetir o mesmo erro de 2014, optou de novo por fazer o papel de puxadinho e linha auxiliar do PT, rendendo-se ao petismo e lançando um candidato a presidente ligado ao Lula alimentando a ilusão vã de que este, em estando na prisão, o apoiaria, ainda que para perder na reta final como de fato perdeu com o Haddad, para um ousider de araque, jurássico, fardado, apaixonado por Trump. E daí, fica muito claro, a desonra total em que está metida o partidarismo-eleitoral, com prazo de validade vencido há muito tempo.

  2. Lá como cá, é sinônimo de ali qual aqui.
    No Brasil, por desespero, deboche, irresponsabilidade, desencanto ou autoflagelação mesmo; o eleitorado se engraçou agora de eleger membros das duas facçoes, onde estão homiziados os vagabundos da pior espécie: Polícia e Justiça!
    -Quando falta querosene no lampião, o fogo passa a queimar o pavio!

    • O escudo de quem vive de truques e mentiras é a obscuridade. Lembre que um ilusionista mostra tudo à plateia, exceto o fundo da cartola; pois é ali que ele urde a lambança.
      Ora as redes sociais são ótimas camuflagens a quem quer mandar o recado sem dar a cara ao tapa. Nós também, aqui, não deixamos de não tirar proveitos dessa tocaia virtual.

  3. Porque Zelensky é uma figura nova, vinda de fora do mundo político, ele é ruim e portanto é um novo Bolsonaro. Esse Bernardo melo é muito engraçado, provavelmente mais que o presidente eleito da Ucrânia. Melo não fez qualquer análise do contexto da eleição ucraniana, não tem para ele importância o fato de que os políticos ucranianos ‘preparados’ e ‘experientes’ arruinaram e saquearam o país, como fizeram seus homólogos todo o antigo território soviético, com o agravante de que, para se manterem no poder e ganharem dinheiro da OTAN, alimentaram um nacionalismo anti-russo profundamente raivoso que acabou por levar a população de língua russa ao separatismo, implodindo o país. O que importa é que os eleitores ucranianos foram estúpidos de votar num candidato ‘inexperiente’, ‘tuiteiro’ e ‘engraçadinho’ em vez de votar nos candidatos ‘sérios’ e ‘preparados’ que desgraçaram seu país. Nesse ponto o artigo se assemelha muito às análises atuais da vida política brasileira.

    Claro, candidatos inexperientes e supostamente despreparados devem sempre ser rejeitados pelos eleitores, segundo prescrevem os sábios da grande imprensa. A não ser que se trate daqueles candidatos inexperientes pelos quais esses mesmos sábios se encantem por qualquer razão, e passem a divulgá-los como a encarnação do novo, como ‘modernos’ e de algum modo desprovidos dos vícios da velha política. Foi assim que a mídia francesa inflou a candidatura do príncipe engomado Emmanuel Macron como alguém absolutamente novo e inédito na política, apesar de já ter sido ministro, e totalmente impoluto e antenado com os novos tempos. Em outros países a imprensa também tentou emplacar figuras “novas”, “modernas” e “carismáticas”, mas sem o mesmo êxito. Aqui no Brasil a mídia tentou vender o Luciano Huck como futuro presidente, e nos Estados Unidos a imprensa lançou várias celebridades à presidência em 2020, como George Clooney, Ophra Winfrey e Dwayne ‘The Rock’ Johnson, mas nenhuma dessas candidaturas vingou, mesmo com os louvores dos colunistas, porque os eleitores não foram tão trouxas quanto os barões da mídia pensavam.

    Que a mídia se mostre tão indignada com a vitória de Zelensky e a derrota dos oligarcas que construíram fortunas imensas à custa do saqueio dos despojos da era soviética, como Petro Poroshenko e Yulia Timoshenko, faz pensar que o candidato vencedor possa até representar algo positivo.

  4. No Brasil elegeram um Ladrão e sua Dama de Companhia por 16 anos eles se locupletaram com toda quadrilha do PT e partidos Satélites de todas as raças e preferências sexuais e detonaram a Nação por inteiro, onde estivesse um cofre, juntamente com Intelectuais e Artistas de todas as Mídias, eles estiveram e meteram as mãos e ainda chamam isso de Democracia e estado de Direito, Politicamente Correto, ou seja, há países que elegem Comediantes e no Brasil os Doentes Lulopetralhas torcem para que sempre elejemos Ladrões em todos os podresres, vide o comportamento anárquico e criminoso dos membros dessa imensa quadrilha em todos os Podresres, principalmente no Legislativo e Judiciário que todos os dias preparam mais um presente de grego ao país ao deixarem solto além do “Capitão do Mato Zé Dirceu” seu “Igual e Comandante em Chefe Lula de Todos os Podresres”, vai ser um julgamento por semana por parte de seus “iguais juristas de pé de prostíbulo” !!!!! O país passou do fundo do poço, estamos reféns de Bandidos em todos os lados, alguém tem que dar um basta nessa canalha por inteiro, Bandidos são Bandidos nada mais que Bandidos,e, quem deixou o Brasil nesse Caos tem que ter um dosimetria de 100 anos de cadeia em Regime Fechado, os que agem e querem o deixar impunes são seus iguais e não merecem nosso respeito, e, são cúmplices dos cidadãos que vivem deitados nos chãos sujos dos Hospitais e Clinicas Médicas do País vitimados pelo Legado de Lula da Silva e toda sua Quadrilha Encrustada nos podresres dessa Nação em decomposição Moral, Ética, Administrativa, Jurídica, Social, Econômica e Financeira !!!!!

  5. -A Globo sendo Rede Esgoto e o Bernardo sendo petista!

    Quando vi o título do artigo, pensei que se tratasse da importante eleição ucraniana e que trouxesse alguma luz sobre a inclinação política no novo presidente, desconhecido para a maioria de nós, e se ele se aproximará da Europa ou da Rússia e China e se negociará com os separatistas no leste do seu país.

    Mas o jornalista quis comparar a eleição acontecida em um dos países mais importantes, estrategicamente, para a Europa, para a OTAN e, principalmente, para a Rússia, com a eleição de Bolsonaro lá no “Anão Diplomático” da América Latina, cuja capital tende a ser Buenos Aires ou Brasília, dependendo da ocasião e do gosto do turista, e que é governado por onze faraós.

    Portanto, fica pendente um artigo sobre esse assunto, já adiantando que a única coisa que temos em comum com a Ucrânia é a corrupção.

    Abraços.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *