A revolução educacional com os critérios da economia

Cristovam Buarque

As amarras da política econômica são tão fortes que Dilma vence, mas nomeia o ministro de que Aécio gostaria. Quando ela disse que em campanha se faz o diabo, talvez não imaginasse que na economia tem que fazer o que não se deseja. Mas Deus fez o mundo e deixou a economia para o demônio. Era perfeitamente previsível o desequilíbrio que está acontecendo.

Em setembro de 2011, foi publicada no Senado Federal uma brochura intitulada “A Economia Está Bem, Mas Não Vai Bem”, que pode ser lida no link www.bit.ly/1zJaALQ, indicando 15 problemas visíveis para quem não estava iludido com as aparências. O último mostra a euforia que dominava os dirigentes, que não quiseram ver o que aconteceria.

Nos tempos de hoje, a verdadeira política progressista consiste em cuidar da economia com responsabilidade e investir na mudança da realidade social por meio da educação. O governo fez o contrário: brincou com a economia e não fez a intervenção necessária na educação.

ESQUERDA E DIREITA

Alguns ainda acreditam que ser de esquerda ou de direita é agir sobre a economia, mas terminam provocando os problemas que agora atravessamos e teremos dificuldades em superar, além de pagarmos um elevado preço em emprego, nível de renda e de consumo, e pela estabilidade dos programas de assistência social.

A utopia não é mais um mundo sem patrões, mas um mundo em que os filhos dos trabalhadores estudem nas mesmas escolas dos filhos dos patrões. E essa utopia tem que ser construída respeitando as regras da economia. A luta da revolução está no orçamento bem administrado, com responsabilidade fiscal e prioridades corretas do ponto de vista dos propósitos utópicos.

A presidente Dilma Rousseff faz parte dos quadros de uma esquerda que não conhecia os limites ecológicos, quando o proletariado e seus sindicatos eram revolucionários e queriam mudar a estrutura social, e o Estado podia fechar as fronteiras e estatizar o setor produtivo, pois sua base filosófica sustentava que a revolução estava na economia. Isso mudou. Entramos em um tempo em que, na economia, todos os partidos ficaram iguais e responsáveis, ou erram querendo ser diferentes e ficam irresponsáveis.

BOLSA FAMÍLIA

A concepção do Bolsa Família é um bom e necessário programa neoliberal de assistência social, daí a simpatia por ele de economistas conservadores como o Prêmio Nobel Gary Stanley Becker. A concepção do Bolsa Escola era revolucionária porque vinculava a responsabilidade com a economia, a revolução pela educação de qualidade igual para todas as classes sociais.

Se quiser fazer um governo progressista, a presidente deverá fazer um governo conservador na economia e definir metas ambiciosas para a educação de qualidade para todos, no ritmo possível para que essas metas possam ser atingidas sem afetar o equilíbrio fiscal, reorientando as prioridades, parando desperdícios e os gastos supérfluos.

 

3 thoughts on “A revolução educacional com os critérios da economia

  1. Equívocos que fazem as diferenças se consolidarem e continuarem atualizadas.
    Enquanto falarem de escola e utilizarem a termo “educação”, qualquer mudança, para melhor, estará sempre muito distante.

    Outro aspecto enganoso, produzido por repetidas mentiras, de ambos os lados, é a falta de recursos. Mais dinheiro para a educação! Quem disponibiliza, diz não ter mais.

    Quem pede, não sabe aplicar. Ambos discursos são falaciosos.

    Enquanto trabalhadores em educação (que termo ridículo) repetirem que a escola pública é gratuita, não haverá mudança! Espere, não estou a pregar cobrança de taxas ou mensalidades. Absolutamente. Pelo contrário: só quero que respeitem a instituição ESCOLA, que é pública mas jamais foi ou será gratuita! A dita qualidade da escola particular, só sobrevive pela má qualidade da escola pública.

    Infelizmente, não bastará colocar muitos recursos para melhor sua qualidade.

    No mais, tudo não passa de discurso vazio.

  2. Sabe quando um governo petista vai investir em ensino(educação é tarefa dos pais) de qualidade no Brasil? Nunca, pois o analfabetismo e a pobreza são os pilares de sustentação no poder.

  3. Quando o Sr. Cristovam Buarque escreve eufemisticamente : “Se quiser fazer um governo progressista, a presidente deverá fazer um governo conservador na economia e definir metas ambiciosas para a educação de qualidade para todos”,simplesmente faz a constatação :NÃO É POSSÍVEL MELHORIAS ECONÔMICAS FORA DO CAPITALISMO.
    A educação é condição necessária do desenvolvimento mas não é condição suficiente, pois existem no Leste Europeu países com alto índices de alfabetização, pobres.
    Temos que saber qual a educação que os brasileiros precisam, se a educação com viés esquerdista doutrinário que temos, ou uma outra educação plural onde é ofertado aos alunos conteúdos didáticos vastos, ricos em conteúdos, não doutrinários.
    Toda a educação se faz de forma construtiva, sendo que é fundamental o conhecimento correto da Língua Mãe, das Matemáticas, Ciências Físicas e Naturais, não podendo haver qualquer progresso sem isto.
    Não gosto do velho lenga lenga das “utopias”, que o Cristovam Buarque repete, ad nauseam. Para mim todas as utopias entorpeceram o espírito humano, de Thomas Morus passando por Campanella até Marx. Precisamos de planos factíveis para melhorar a educação, e agora mesmo vi um projeto maravilhoso da Ambev possibilitando o oferecimento da KHANACADEMY, grátis para todos.
    Temos que ter ensino fundamental de qualidade, com boas escolas, com professores bem remunerados e qualificados, mas também testados nos seus saberes, sem doutrinação marxista.
    Esta é a formula.

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