A Revolução Industrial da Inglaterra tem mais de 100 anos, adotada pelo mundo inteiro. O Brasil continua sendo um país essencialmente agrícola.

Helio Fernandes

Esse conceito, protesto, consternação, lamento e verdadeira revolta é a parte essencial do discurso de Rui Barbosa, tomando posse no Ministério da Fazenda.

Essa República usurpada, traída e implantada, em vez de PROMULGADA, levou o grande brasileiro ao desespero, pronunciou esse discurso, que não morreu, até hoje continua vivo.

(Dois grupos de brasileiros maravilhosos, tentavam acabar com a escravidão. Eram os “Abolicionistas” e os “Propagadores da República”, ambos derrotados).

No final de 1886, início de 1887, o primeiro-ministro Ouro Preto procurou Rui Barbosa: Senador, venho em nome do Imperador convidá-lo para ministro da Justiça”. Rui recusou, não apenas questão de caráter, vejam a resposta que deu na hora, comparem com os homens públicos de hoje.

Sem hesitar um segundo que fosse: “Visconde, por favor, diga ao Imperador que não posso aceitar. Estou envolvido num movimento que será vitorioso, com ele se for possível, sem ele se for necessário”. Era a República. Que texto-resposta, na hora, e examinem os de hoje.

Agora, retomando o discurso de posse como ministro da Fazenda. Complementando as frases que coloquei como título destas lembranças dos tempos que desaparecera: “A Revolução Industrial da Inglaterra já tem 100 anos, e continuamos voltados unicamente para a agricultura”.

A “Paulicéia desvairada” entrou em pânico. Acreditavam que o mundo começava e continuava com Pero Vaz de Caminha, que escrevera e ensinara a “grande” verdade: “A terra é de tal maneira dadivosa, que em se plantando, dar-se-á nela tudo”.

Só que tinham pânico de Rui Barbosa. Não apenas os paulistas, mas quase todos, até mesmo os que cruzavam com ele diariamente: “É difícil conversar com Rui, ele é impressionante, culto e inteligente”.

Os paulistas, apavorados, não queriam enfrentar Rui Barbosa, usaram de um subterfúgio, que palavra. Já estava convocada a Constituinte de 15 de Novembro de 1890, Rui senador, redigia o anteprojeto da futura Constituição, que viria a ser a de 1891.

Sugeriram então, que Rui Barbosa fosse aos EUA “estudar a Constituição americana, coisa que poderia fazer daqui mesmo. Rui, que enfrentava terríveis problemas no ministério (incluindo o famoso encilhamento), não percebeu, aceitou, deixou a Fazenda. Os paulistas abriram champanhe, haviam alcançado o objetivo.

Quando falou “essencialmente agrícola”, não sei Rui se dirigia diretamente a São Paulo. Mas os fazendeiros paulistas eram normalmente identificados como “Barões do Café”, pelo seguinte. O Brasil exportava 96 por cento de todo o café bebido pelo mundo. 92 por cento era plantado, colhido e exportado por São Paulo. O Estado do Rio produzia e exportava 2 por cento, o Espírito Santo os outros 2 por cento.

(Isso durou até 1929, a primeira grande quebra de Wall Street, que praticamente arruinou os “Barões do Café”. As vendas caíram de forma impressionante, começaram a jogar café no mar e queimavam milhões de sacas “para manter os preços”. Burrice total, mas isso já é outra história. E São Paulo já caminhava para a plena “industrialização”).

Agora, a poderosa “bancada ruralista” tem defensores entusiasmados, aqui mesmo neste blog. Industrializados, não podiam, lógico, esquecer que enriqueceram com a agricultura. Mas não cuidaram da “reforma agrária”, que para eles (o que foi adotado depois, nos 15 anos da ditadura Vargas e nos 21 da ditadura militar) era coisa de “comunista”.

Não perceberam que em todos os países do mundo ocidental, a reforma agrária foi feita como exigência do desenvolvimento, do progresso, uma forma de acabar a hostilidade entre empresários industriais e os que continuavam a trabalhar a terra. O mundo não pode viver sem agricultura, mas não como fator de enriquecimento visivelmente ilícito e explorador.

(Entre os negócios “lícitos-ilicitos”, não esqueçam de colocar bancos e seguradoras. Tão importantes e protegidos pelos governos, que muitas vezes você tem que fazer, como é o caso do seguro do carro, obrigatório. Há alguns anos, um poderoso dono de seguradora me dizia: “Helio, não devia te ensinar. Mas seguro de carro, só deve ser feito contra ROUBO ou PERDA TOTAL. O resto a franquia come tudo, você paga um ano inteiro e não tem compensação”.

*** 

PS – Agora a “grande guerra”, mais do que uma simples batalha, atropela a todos, não existem governistas e oposicionistas, todos são carreiristas – no caso, à custa da agricultura.

PS2 – Os ambientalistas também não são ativistas, dão a impressão de colaboracionistas.

PS3 – Feliz ou infelizmente, o Código Florestal não voltará à pauta de votação. A ordem “para não votar” veio direto de Dona Dilma. E é ordem que será cumprida.

PS4 – Principalmente porque foi transmitida através do importantíssimo Palocci. Ele é o Strauss-Khan brasileiro: estuprou a ética, a decência e a dignidade.

PS5 – Gastou quase 8 milhões como “consultor” de quê? E como eu disse quando esse caso explodiu: para  gastar esse total, quanto deveria ter de reserva?

PS6 – Incrível o ministro aposentado do Supremo, Sepúlveda Pertence, homem sério, relata: “Palocci declarou os bens à Receita, o caso está encerrado”. Que República.

PS7 – Todos arrogantes e impunes, lembrando o deputado Alcântara Machado, que em 1924, chamado de “paulista antigo”, respondeu embevecido: “Paulista sou de 400 anos”. A frase é repetida, o nome do autor, só agora publicado.

PS8 – Como continuam desmatando vasta e criminosamente, devem ser clientes de Palocci.

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